Mundo de ficçãoIniciar sessãoO dia passou corrido e, com ele, o pouco tempo que eu tinha também se esgotou.
Andei por todas as ruas, tentando encontrar uma brecha, qualquer caminho para sair do vilarejo, mas suspirei frustrada ao perceber que os homens de Gregory estavam em todas as saídas, rondando como cães de caça farejando a presa. — Desgraçado... — praguejei baixo, cerrando os dentes. “Podemos ir até o nosso companheiro... Ele vai nos proteger. Ele pode nos salvar!” — minha loba sugeriu, animada e esperançosa, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. “Cala a boca, sua idiota!” — respondi mentalmente, reunindo toda a raiva que consegui. — “Primeiro que, para chegar até ele, eu teria que sair da cidade, e está tudo fechado. E segundo... eu não iria até ele de jeito nenhum! Nunca! Prefiro morrer a pedir ajuda para ele!” Pela primeira vez desde que ela se manifestara, minha loba grunhiu irritada e decepcionada, recolhendo-se para um canto da minha mente, embora ainda queimasse de desejo por ele. Suspirei pesadamente e puxei o capuz do manto para cobrir melhor o rosto. Meu financiador, Boris Dunstan, que pagava melhor do que qualquer outro, não moveria um dedo para me ajudar. Na verdade, ficaria irritado se eu o procurasse por causa daqueles cães. Para ele, eu deveria me preocupar apenas em entregar a cabeça de Jasper em uma bandeja de prata. E agora, por causa disso, eu estava literalmente ferrada. Minha única escolha seria lutar. Mesmo que eu nunca tivesse enfrentado uma gangue inteira de renegados sanguinários e cruéis. Eu sabia matar... mas matava de forma silenciosa, na surdina, sem barulho, sem confusão. Não era acostumada a brigas de rua. Precisava pensar rápido. Talvez conseguisse subornar algum deles. Afinal, eram todos patifes; viviam por dinheiro. Aquela era minha única saída no momento. “Chame ele... Mande um sinal... Ele pode nos sentir...” — minha loba implorou novamente, com a voz chorosa. “PARA! CHEGA DE FALAR DELE! CHEGA!” — gritei comigo mesma, tentando apagar qualquer rastro dele da minha cabeça. Peguei o que restava das minhas economias: uma corrente de ouro maciço que eu guardava para emergências. Depois, segui em direção à saída norte. A noite começava a cair, escura e pesada. Eu sabia que, a qualquer momento, Gregory viria atrás de mim para cumprir a ameaça. Me aproximei devagar, envolta pela penumbra, e vi dois dos capangas dele guardando a passagem. Cheguei perto o suficiente para ser vista, mas sem dar abertura para um ataque surpresa. — Ora, ora, ora... a cadelinha apareceu — zombou um deles, dando um passo à frente com um sorriso nojento nos lábios. Cravei as unhas na palma da mão com tanta força que quase perfurei a pele, apenas para controlar minha língua e não responder à altura. Se quisesse sair dali, teria que engolir o orgulho. — Quero fazer um acordo — disse, direta e fria. Um deles arqueou a sobrancelha, desconfiado, mas interessado. — Fala — incentivou o outro. Puxei a corrente de ouro de dentro da roupa, deixando o brilho do metal chamar atenção. Os olhos dos dois brilharam de cobiça na mesma hora. Era ouro puro, valia mais do que eles ganhavam em três meses de serviço sujo. — Se me deixarem ir embora agora, sem barulho... podem ficar com isso. Um movimento rápido entre as moitas chamou minha atenção antes mesmo que eles respondessem. E então, um cheiro... um cheiro azedo, forte, de podridão e arrogância, me atingiu em cheio. Gregory. Ele saiu da escuridão devagar, com um sorriso perverso desenhado nos lábios, como se tivesse esperado exatamente por aquilo. Meu estômago revirou de nojo só de vê-lo. — Quer dizer que a cadelinha achou que podia subornar os meus homens pelas minhas costas? — cuspiu as palavras, os olhos queimando de ódio e diversão. Engoli em seco, mas não recuei um único passo. Não daria o gostinho de me verem assustada. Eu era uma assassina. Uma mercenária. Eu não era uma covarde. Se fosse para morrer naquela noite, morreria com honra, de pé. — Chefe, o que o senhor quer que a gente faça? — um dos homens perguntou, entrando em posição de prontidão. — Saiam — Gregory ordenou, sem tirar os olhos de mim. — Quero cuidar dessa vadia sozinho. Os dois se entreolharam, mas obedeceram, afastando-se e nos deixando a sós na escuridão. Foi então que percebi... havia uma maldade sem igual dentro daqueles olhos. Uma intenção que ia muito além de bater ou matar. — Sabe... — ele começou, caminhando devagar na minha direção, como um predador brincando com a presa. — Minha proposta ainda está de pé. Me dá esse seu corpinho bonito, eu me divirto um pouco... e quem sabe você não ganha mais um mês de vida, hein? Olhei para ele com tanta repulsa que parecia que eu ia cuspir fogo. — Vai para o inferno, cão miserável. Num piscar de olhos, ele avançou sobre mim. Tentei recuar, mas Gregory foi mais rápido do que parecia. Agarrou a gola da minha blusa com violência, rasgando o tecido de uma vez só. O som seco ecoou pela estrada enquanto meu busto era exposto, meus seios estavam cobertos apenas pelo tecido fino do sutiã.






