CAPÍTULO 4

Fiquei em silêncio por um tempo, apenas respirando fundo para tentar controlar o fogo que queimava dentro de mim.

Me levantei devagar. Não, eu não iria dar a ele o gosto de me ver chorar, nem de raiva, nem de dor. Eu não me entregaria daquele jeito.

Jasper não me olhou nenhuma vez enquanto eu me movia. Apenas continuou encarando o copo vazio em sua mão, como se nada mais importasse, como se eu não estivesse ali.

Virei-lhe as costas. Teria que engolir essa humilhação por enquanto, mas jurei para mim mesma que voltaria. Voltaria e acabaria com tudo isso, de um jeito ou de outro.

Mas a minha loba uivava de dor dentro de mim, triste, ferida, sentindo cada passo que eu dava para me afastar do nosso vínculo.

“Não! Volte! Fique com o nosso companheiro!”, ela choramingava, revoltada com a minha decisão.

“Não! Ele não é o seu companheiro e muito menos o meu!” — respondi mentalmente, bufando de raiva, ignorando cada sentimento que ela tentava me empurrar. “Ele é apenas um problema!”.

Estendi a mão e segurei a maçaneta da porta, pronta para sair daquele quarto e da presença dele para sempre, ou pelo menos até eu conseguir cumprir o que vim fazer.

— Pode ficar aqui se quiser.

A voz dele chegou aos meus ouvidos, baixa, profunda, arrastada… e um arrepio imediato percorreu todo o meu corpo, da cabeça aos pés.

Eu não me virei. Não daria esse braço a torcer.

— Não — respondi por fim, com firmeza, tentando soar o mais fria e indiferente possível. — Não quero estar no mesmo lugar, nem respirar o mesmo ar que você.

Minha loba soltou um uivo de tristeza, sentindo a rejeição de ambos os lados.

— Você quem sabe, companheira — ele disse, e eu podia ouvir o tom de deboche escorrendo naquela palavra.

— Não me chame de companheira! — rosnei, virando apenas o rosto para trás, lançando-lhe um olhar mortal.

— Tanto faz — deu de ombros, indiferente, e quando olhei para ele, apenas o vi levar o copo novamente à boca, como se estivesse brincando comigo o tempo todo.

Tudo nele era atraente, mesmo daquele jeito, quebrado e sombrio… e isso me irritava mais do que tudo. Respirei fundo, guardando toda a minha raiva, e saí batendo a porta.

Não me entregaria aos meus instintos. Lutaria contra isso até o último segundo.

Dane-se a minha loba. Dane-se o destino.

Saí do castelo evitando ao máximo ser vista por qualquer um dos empregados ou membros do clã que estavam espalhados pela propriedade.

Achei que entraria lá e sairia vitoriosa, com a vida dele nas minhas mãos… mas saí literalmente com o rabo entre as pernas, derrotada pelo destino e por mim mesma.

Quando cheguei num lugar mais afastado, longe da fortaleza, gritei de raiva, esmurrando uma árvore grossa até os nós dos dedos sangrarem. Queria quebrar tudo. Queria matar qualquer coisa.

Mas toda vez que minha mente se acalmava um pouco e eu lembrava dele…

Um sentimento estranho, intruso e proibido tomava conta de mim. Meu corpo ardia de uma forma que nunca havia sentido antes, um calor que vinha de dentro, que pedia por ele.

Minha loba já ansiava para vê-lo novamente, para sentir seu cheiro, para ouvir sua voz.

Mas eu não permitiria.

Preferia morrer sofrendo do que ter ele como meu companheiro destinado.

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