Mundo ficciónIniciar sesiónO preço do desprezo é a morte. O preço do amor é a eternidade. Livia era a Lua da Alcateia Lua Prateada, destinada a ser a contraparte espiritual do poderoso Alfa Matheus. Mas seu vínculo sagrado tornou-se sua sentença de morte. Desprezada por Matheus, que preferia sua irmã Julia, e rejeitada por sua própria família, Livia sente sua loba interior definhar a cada dia de rejeição. Enquanto Julia tece uma rede de manipulação e mentiras, convencendo a todos de que Livia é instável e ciumenta, Matheus fecha os olhos para a verdade. Até o dia em que a profecia se cumpre: o vínculo quebrado está matando Livia, e ela foge para a floresta em um último ato de desespero. É quando Arthur, o solitário Alfa da Alcateia da Montanha Sussurrante, a encontra à beira da morte. Em seus braços, Livia descobre um amor que não a diminui, mas a fortalece. Um amor possessivo que cura em vez de destruir. Enquanto um novo vínculo nasce entre eles, mais forte e luminoso, Matheus desperta para a verdade - mas pode ser tarde demais. Nesta história intensa de amor, traição e redenção, Livia precisará escolher entre o destino que lhe foi imposto e o amor que conquistou. Enquanto isso, Arthur provará que um amor verdadeiro não conhece limites - e que alguns Alfas protegem o que é seu com unhas e dentes. A Luna rejeitada é uma jornada emocionante sobre encontrar a força para renascer das cinzas e descobrir que o amor mais poderoso é aquele que nos escolhe quando estamos mais quebrados.
Leer másO vento frio da floresta entrava pelas frestas da cabana e cortava a pele de Livia como lâminas. Ela estava deitada de lado, encolhida, abraçando os próprios joelhos. Cada batida do coração parecia um martelo batendo dentro do peito, porque cada batida também carregava o nome dele: Matheus.
O vínculo ainda existia. Pulsava. Doía. Vivia. Era um fio de prata incandescente que ligava sua alma à dele, mesmo quando ele a ignorava, mesmo quando ele a humilhava na frente de toda a alcateia, mesmo quando ele passava a noite nos aposentos de Julia. Livia sentia tudo. Sentia o prazer dele com outra. Sentia o desprezo dele por ela. E sentia, dia após dia, sua loba Luna definhando dentro do peito como uma flor arrancada da terra e deixada ao sol. Aos vinte anos, a Lua destinada da Alcateia Lua Prateada era apenas uma sombra do que deveria ter sido. Cabelos negros que antes brilhavam como ônix agora pendiam sem vida. Olhos violeta, outrora temidos e admirados, estavam opacos, marcados por olheiras profundas. O corpo que já fizera guerreiros babarem agora tremia de febre constante. Porque o vínculo não aceita ser metade. Ou é inteiro… ou mata. Ela se levantou com dificuldade, apoiando-se na parede de madeira. Vestiu um suéter largo demais — um dos antigos de Matheus que ele jogara fora quando Julia disse que “cheirava a fracasso”. Livia ainda o usava. Era patético, ela sabia, mas o cheiro dele, mesmo que fraco, era a única coisa que acalmava Luna por alguns minutos. Na cozinha comunitária, o silêncio caiu como uma guilhotina quando ela entrou. Olhares de desprezo. Sussurros venenosos. “A rejeitada chegou.” “Olha o estado dela… coitada.” “Coitada coisa nenhuma. É obsessão. O Alfa já escolheu Julia.” Livia ignorou. Pegou um pedaço de pão e uma caneca de chá de ervas que ela mesma preparava para tentar amenizar a dor. Sentou-se no canto mais afastado. Sozinha. Como sempre. Então ele entrou. Matheus. Dois metros de puro poder alfa. Ombros largos, tatuagens tribais subindo pelo pescoço, olhos cinzentos tempestuosos. O cheiro dele — pinheiro, fumaça e masculinidade crua — invadiu o ambiente e fez o vínculo dentro de Livia dar um pux, doído e desesperado. Ele não olhou para ela. Nem uma vez. Foi direto para Julia, que já o esperava com um sorriso doce demais para ser verdadeiro. Julia passou os braços em volta do pescoço dele e o beijou na frente de todos. Um beijo longo, molhado, possessivo. Matheus retribuiu com fome, as mãos descendo até a cintura dela. Livia sentiu o estômago revirar. O vínculo queimava. Uma lágrima escorreu sem permissão. Uma das amigas de Julia riu alto. “Olha a cara dela. Parece que vai desmaiar de ciúme.” Matheus finalmente virou o rosto. Seus olhos encontraram os dela por um segundo apenas. E havia… nada. Nem culpa. Nem arrependimento. Apenas irritação. — Para de fazer cena, Livia — disse ele, alto o suficiente para todos ouvirem. — Ninguém aqui tem paciência pra seu drama. O silêncio que se seguiu foi pior que qualquer tapa. Livia se levantou, as pernas trêmulas. — Eu não estou fazendo cena — respondeu, a voz rouca. — Estou morrendo. Lentamente. Por sua causa. Matheus revirou os olhos. — Sempre com essa história de “morrer”. Você está viva, não está? Então para de vitimismo. Julia se aninhou mais nele, sorrindo com malícia. — Deixa, amor. Ela só quer atenção. Livia saiu dali correndo, o pão esquecido na mesa. Correu até a floresta, até os pulmões arderem, até cair de joelhos na terra úmida. Luna uivou dentro dela — um uivo de dor tão profundo que ecoou pelas árvores. — Eu não aguento mais… — sussurrou para a lua que começava a nascer. — Por favor… faça parar. Mas a lua não respondeu. A lua apenas assistia. E o vínculo continuou queimando.CAPÍTULO 16: O LEGADO ETERNOQuinze anos se passaram desde que Noah, agora um jovem de vinte anos com a estatura imponente do pai e a sabedoria tranquila da mãe, assumira suas responsabilidades como futuro líder da alcateia. A Montanha Sussurrante havia se tornado uma lenda entre as alcateias vizinhas - não apenas pela sua força, mas pela justiça e compaixão que caracterizavam seu governo. Arthur e Livia, agora com cabelos prateados pelas décadas de liderança, observavam com orgulho silencioso o homem em que seu filho se transformara.Numa manhã particularmente serena, Arthur encontrou Livia no mesmo prado onde, vinte anos antes, eles haviam celebrado sua união. Ela estava sentada sob a velha árvore carvalho, observando os netos brincarem à distância. Seus olhos, ainda tão vívidos e cheios de vida, refletiam a paz de uma jornada bem cumprida."Lembra," Arthur começou, sentando-se ao seu lado com a familiaridade de quem compartilhara uma vida inteira, "da primeira vez que te trouxe aqu
CAPÍTULO 16: AS MARCAS DO TEMPOCinco anos se passaram desde a partida de Matheus e Julia, e a alcateia unida da Montanha Sussurrante florescia como nunca antes. Noah, agora um menino de cinco anos com os olhos âmbar do pai e a serenidade da mãe, corria entre as cabanas sob o olhar atento de seus pais. A cada dia que passava, Livia se maravilhava com a transformação que testemunhava não apenas em seu filho, mas em toda a alcateia que agora chamava de lar.Arthur, embora ainda mantivesse sua natureza protetora, havia aprendido a dosar sua possessividade. Seus olhos ainda seguiam Livia por onde quer que ela fosse, mas agora havia uma confiança tranquila em seu olhar que antes não existia. A alcateia, sob sua liderança conjunta com Livia, havia se tornado um refúgio para lobos de todas as origens - ex-membros da Alcateia Lua Prateada que escolheram ficar, lobos solitários em busca de um lar, e até mesmo algumas famílias de lobos errantes que ouviram falar da justiça e prosperidade que re
CAPÍTULO 16: O NOVO COMEÇOMatheus e Julia partiram na manhã seguinte ao amanhecer, levando poucas posses e ainda menos esperanças. Os membros restantes da Alcateia Lua Prateada os observaram ir, sem cerimônia ou tristeza, apenas um alívio silencioso de que o capítulo mais sombrio de sua história estava finalmente chegando ao fim.Julia olhou para trás uma última vez enquanto cruzavam a fronteira, seus olhos cheios de amargura e desapontamento. Ela tinha conseguido o que queria - ela era a parceira oficial do Alfa, a mulher no comando. Mas o sabor da vitória era de cinzas e poeira, um desfecho tão distante de seus sonhos de glória e poder que ela quase riu da ironia cruel disso tudo.Matheus não olhou para trás. Ele sabia que não havia nada lá para ele - apenas fantasmas e memórias dolorosas, os restos destruídos de tudo que ele poderia ter tido. Seu único consolo era que, em suas novas terras, talvez ele pudesse encontrar uma maneira de esquecer a mulher que perdeu e a vida que tão e
CAPÍTULO 15: O PREÇO DA AMBIÇÃODentro dos aposentos escuros e frios que ela agora compartilhava com Matheus, Julia observava seu marido beber até a inconsciência mais uma vez, seu corpo desleixado na cadeira de madeira perto da lareira apagada. Os garrafões vazios de vinho se acumulavam no chão como tumbas silenciosas de suas esperanças frustradas. Seus lábios finos se curvaram em desprezo puro enquanto ela observava a última garrafa escorregar de seus dedos frouxos e rolar pelo chão de pedra, o som oco ecoando na sala vazia."Você ainda pensa nela," ela acusou em um sussurro venenoso, sabendo que ele não podia ouvi-la em seu estado de estupor alcoólico. "Mas ela está em outro lugar, na cama quente de outro homem, amamentando o filho de outro homem. Ela ri de você, Matheus. Eles todos riem de você enquanto você afunda nesta miséria autoindulgente."Ela olhou ao redor do quarto escuro e vazio, comparando-o mentalmente com as descrições luxuosas que ouvira dos aposentos de Arthur e Liv
CAPÍTULO 13: O FANTASMA DO ARREPENDIMENTOA notícia do nascimento chegou aos ouvidos de Matheus através de um comerciante itinerante que servia ambas as alcateias, um homem velho e curvado que carregava histórias e fofocas junto com suas mercadorias. Ele estava no salão principal da Alcateia Lua Prateada, tentando resolver uma disputa territorial menor com um grupo de fazendeiros humanos, quando ouviu o relato casual, quase desinteressado do homem."... nasceu na noite da grande tempestade, dizem as pessoas. Um menino saudável, com os olhos do pai e o queixo da mãe. Dizem que Arthur não deixa ninguém chegar perto do herdeiro da Montanha Sussurrante. Protege o menino e a Lua como um dragão protege seu tesouro."Matheus congelou no meio de uma frase, a taça de vinho pesada em sua mão caindo e quebrando no chão de pedra com um estalto que ecoou pelo salão silencioso como um tiro. Ele não ouviu o resto do relatório do comerciante, não viu as preocupadas expressões de seus conselheiros, nã
A nevasca acabara na madrugada. O silêncio que veio depois era tão absoluto que até o coração parecia fazer barulho demais. Quando o sol finalmente rompeu as nuvens, a aldeia inteira pareceu respirar aliviada. A neve chegava à cintura em alguns lugares, aos ombros em outros. Crianças corriam gritando, lobos adultos já estavam em forma humana, pás nas mãos, abrindo caminhos que pareciam túneis brancos. Lívia saiu da cabana nova com as bochechas queimando de frio e o cabelo ainda úmido do banho. Vestia calças de lã grossa, botas forradas e o casaco de pele cinza que Arthur deixara pendurado no cabide “sem querer” na noite anterior. O cheiro dele estava impregnado no tecido: pinho, lenha queimada e algo que ela aprendera a reconhecer como simplesmente Arthur. Freya apareceu voando (literalmente) em forma de loba cinzenta, pulando montes de neve como se fossem brinquedos. Transformou-se de volta ao tocar o chão, já rindo. — Bom dia, bela adormecida! — gritou, jogando uma pá para Lívia.
Último capítulo