Mundo de ficçãoIniciar sessãoO preço do desprezo é a morte. O preço do amor é a eternidade. Livia era a Lua da Alcateia Lua Prateada, destinada a ser a contraparte espiritual do poderoso Alfa Matheus. Mas seu vínculo sagrado tornou-se sua sentença de morte. Desprezada por Matheus, que preferia sua irmã Julia, e rejeitada por sua própria família, Livia sente sua loba interior definhar a cada dia de rejeição. Enquanto Julia tece uma rede de manipulação e mentiras, convencendo a todos de que Livia é instável e ciumenta, Matheus fecha os olhos para a verdade. Até o dia em que a profecia se cumpre: o vínculo quebrado está matando Livia, e ela foge para a floresta em um último ato de desespero. É quando Arthur, o solitário Alfa da Alcateia da Montanha Sussurrante, a encontra à beira da morte. Em seus braços, Livia descobre um amor que não a diminui, mas a fortalece. Um amor possessivo que cura em vez de destruir. Enquanto um novo vínculo nasce entre eles, mais forte e luminoso, Matheus desperta para a verdade - mas pode ser tarde demais. Nesta história intensa de amor, traição e redenção, Livia precisará escolher entre o destino que lhe foi imposto e o amor que conquistou. Enquanto isso, Arthur provará que um amor verdadeiro não conhece limites - e que alguns Alfas protegem o que é seu com unhas e dentes. A Luna rejeitada é uma jornada emocionante sobre encontrar a força para renascer das cinzas e descobrir que o amor mais poderoso é aquele que nos escolhe quando estamos mais quebrados.
Ler maisO silêncio cortante da manhã foi o primeiro golpe que atingiu Celina ao despertar. Não era apenas a ausência de som — era a ausência dele. De novo. O lençol de cetim, frio e intacto ao seu lado, gritava uma verdade que ela já não conseguia mais ignorar: César não havia voltado para casa. E aquilo se repetia há meses.
Com os olhos ainda grudados pela noite mal dormida, ela permaneceu imóvel, encarando o teto branco do quarto gigantesco que mais parecia um palco abandonado. A mansão, imponente por fora, era agora uma prisão dourada por dentro. O luxo dos móveis, as obras de arte nas paredes, os arranjos de flores perfeitamente trocados pelas mãos das funcionárias... tudo era supérfluo diante do vazio que consumia seu peito. Ela se sentou devagar, com um nó apertando a garganta. Os pés descalços tocaram o chão gelado. O eco dos seus próprios passos, enquanto caminhava até o closet, parecia zombar da solidão que a rodeava. Parou diante do enorme espelho e se encarou. O reflexo a fez prender a respiração. “Será que estou feia?” — pensou, apertando os próprios braços como se buscasse abrigo em si mesma. “Será que estou envelhecendo? Será que ele encontrou alguém melhor? Mais bonita? Mais interessante?” Seus olhos vasculhavam o próprio corpo com uma crueldade silenciosa. As olheiras denunciavam noites maldormidas. A pele estava opaca, sem o brilho que costumava exibir. Os lábios, secos, já não sorriam como antes. O brilho nos olhos... havia sumido. Mas o pior não era o que via. Era o que sentia. “Será que deixei de ser suficiente?” Ela respirou fundo, os olhos marejando. A voz interna sussurrava todas as suas inseguranças — a rejeição, a solidão, o medo de estar sendo esquecida, descartada. Aquela mulher no espelho não era a Celina que César conheceu. Mas estava ali. Ferida, sim. Mas ainda de pé. Ela levou a mão aos cabelos soltos e, naquele momento, uma fagulha reacendeu. Não era raiva. Era dor transformando-se em impulso. — Eu não vou me destruir por isso… — murmurou, com a voz embargada. — Eu vou me lembrar de quem eu sou. Determinada, começou a escolher roupas. Roupas que há tempos não usava. Vestidos que acentuavam suas curvas, sapatos que a faziam caminhar como quem sabe onde pisa. Revirou as gavetas até encontrar uma lingerie preta de renda fina, ainda com etiqueta. Presente de uma época em que ela ainda acreditava que eles se amariam para sempre. Separou tudo com cuidado. Depois, ligou para o Spa que costumava frequentar antes da vida começar a desmoronar. Horas depois, Celina estava mergulhada em um processo de renascimento. As mãos delicadas da esteticista faziam massagens em seus ombros tensos, enquanto uma playlist suave preenchia o ambiente. Fez as unhas, depilou-se, cuidou da pele, do cabelo. A maquiagem realçou seus olhos verdes e suavizou seus traços marcados pelo cansaço. Quando se olhou no espelho do salão, no fim da tarde, mal se reconheceu. A mulher que a encarava estava deslumbrante. Forte. Pronta. Ao volante, o céu nublado acompanhava sua trajetória até o prédio espelhado da Brown Advocacia. Cada quilômetro percorrido era um confronto com seus próprios sentimentos. No coração, um turbilhão: medo, esperança, dor, desejo, dúvida. Ela não sabia o que encontraria ali. Só sabia que precisava tentar. Precisava olhar nos olhos dele. Precisava se lembrar do que um dia foram. Precisava, ao menos uma vez, lutar por si mesma — não como a esposa que foi deixada de lado, mas como a mulher que ainda merecia amor. Quando estacionou diante do prédio, já estava anoitecendo, o céu estava carregado de nuvens escuras. O expediente estava prestes a terminar. E Celina estava pronta para a verdade. Ela dirigir-se até o elevador e seguiu até a sala da presidência. Celina abriu a porta do escritório e seu mundo desmoronou. César, seu marido, estava entrelaçado no corpo de outra mulher. Nicole estava jogada sobre a mesa, os cabelos loiros desarrumados, os lábios entreabertos em puro prazer. As pernas estavam enroscadas na cintura de César, as mãos cravadas em suas costas. Ela foi a primeira notar sua presença. Um sorriso de satisfação surgiu em seu rosto. Seus olhos brilhavam com malícia, como se já esperasse aquele momento, como se quisesse que Celina a visse ali, tomando o que era dela. Foi só então que César percebeu sua esposa parada à porta. Ele se virou lentamente, sem pressa, sem susto. O olhar que lançou para Celina não demonstrava culpa. Não demonstrava arrependimento. Apenas frieza. Como se nada tivesse acontecido. Como se ela não significasse nada. César apenas a encarou, sem emoção e continuo o ato com a secretária friamente. Celina deu um passo para trás, sentindo que não suportaria mais um segundo ali, virou-se e saiu aos prantos, transtornada. Ela entrou no carro e, sem pensar, parou no primeiro bar que viu e bebeu. Saindo de lá, ligou o motor e acelerou. Saiu sem rumo pelas ruas de São Paulo. A chuva caía fina, misturando-se às lágrimas que escorriam pelo rosto de Celina. Dirigia sem rumo, ofegante, a mente entorpecida pela dor de ter flagrado a traição. O mundo parecia girar em câmera lenta, até que tudo acelerou num segundo. Ela atravessou um sinal vermelho sem notar. Um vulto surgiu. Um corpo. Um impacto. — Meu Deus! — gritou, pisando no freio com força. O carro parou com um tranco seco. Celina correu para a frente, o coração na boca. O homem estava caído, gemendo baixo. Era um morador de rua, mas não como ela imaginava. Tinha o corpo forte, os ombros largos e definidos mesmo sob a camisa molhada. O rosto, apesar da sujeira, era bonito. Revelava traços firmes e olhos intensos. — Você está bem? Eu... eu não te vi! Quer ir ao hospital? — perguntou, agachando-se ao lado dele. — Tô bem... acho. Só doeu a perna. Mas tô vivo — disse, tentando se levantar. Celina hesitou. O sobrenome Brown pesava em sua mente. O medo de alguém reconhece-la, de tudo virar manchete no dia seguinte, apertava seu peito. Um escândalo arruinaria ainda mais o que restava de sua vida. — Olha... posso te ajudar. Não quer ir pra um hospital, mas... Posso te levar num hotel. Um lugar quente pra descansar, tomar um banho, se cuidar. — Por quê você faria isso? — Porque eu... preciso fazer alguma coisa. Ele a olhou, desconfiado, mas depois assentiu. Ela o ajudou entrar no carro. O silêncio era tenso. Quando chegaram ao hotel, ele era simples e discreto. Celina subiu com ele até o quarto. — Vai, toma um banho. Eu espero aqui — disse, sentando-se na beirada da cama. Ele a encarou por um segundo, depois entrou no banheiro. Enquanto ouvia o som da água caindo, Celina respirou fundo. O cheiro do quarto era limpo, diferente do caos que carregava por dentro. Quando ele saiu do banho, com os cabelos molhados, toalha enrolada na cintura, Celina o olhou em silêncio. Bonito. Tão real. Mais real do que tudo o que tinha deixado para trás naquela noite.CAPÍTULO 16: O LEGADO ETERNOQuinze anos se passaram desde que Noah, agora um jovem de vinte anos com a estatura imponente do pai e a sabedoria tranquila da mãe, assumira suas responsabilidades como futuro líder da alcateia. A Montanha Sussurrante havia se tornado uma lenda entre as alcateias vizinhas - não apenas pela sua força, mas pela justiça e compaixão que caracterizavam seu governo. Arthur e Livia, agora com cabelos prateados pelas décadas de liderança, observavam com orgulho silencioso o homem em que seu filho se transformara.Numa manhã particularmente serena, Arthur encontrou Livia no mesmo prado onde, vinte anos antes, eles haviam celebrado sua união. Ela estava sentada sob a velha árvore carvalho, observando os netos brincarem à distância. Seus olhos, ainda tão vívidos e cheios de vida, refletiam a paz de uma jornada bem cumprida."Lembra," Arthur começou, sentando-se ao seu lado com a familiaridade de quem compartilhara uma vida inteira, "da primeira vez que te trouxe aqu
CAPÍTULO 16: AS MARCAS DO TEMPOCinco anos se passaram desde a partida de Matheus e Julia, e a alcateia unida da Montanha Sussurrante florescia como nunca antes. Noah, agora um menino de cinco anos com os olhos âmbar do pai e a serenidade da mãe, corria entre as cabanas sob o olhar atento de seus pais. A cada dia que passava, Livia se maravilhava com a transformação que testemunhava não apenas em seu filho, mas em toda a alcateia que agora chamava de lar.Arthur, embora ainda mantivesse sua natureza protetora, havia aprendido a dosar sua possessividade. Seus olhos ainda seguiam Livia por onde quer que ela fosse, mas agora havia uma confiança tranquila em seu olhar que antes não existia. A alcateia, sob sua liderança conjunta com Livia, havia se tornado um refúgio para lobos de todas as origens - ex-membros da Alcateia Lua Prateada que escolheram ficar, lobos solitários em busca de um lar, e até mesmo algumas famílias de lobos errantes que ouviram falar da justiça e prosperidade que re
CAPÍTULO 16: O NOVO COMEÇOMatheus e Julia partiram na manhã seguinte ao amanhecer, levando poucas posses e ainda menos esperanças. Os membros restantes da Alcateia Lua Prateada os observaram ir, sem cerimônia ou tristeza, apenas um alívio silencioso de que o capítulo mais sombrio de sua história estava finalmente chegando ao fim.Julia olhou para trás uma última vez enquanto cruzavam a fronteira, seus olhos cheios de amargura e desapontamento. Ela tinha conseguido o que queria - ela era a parceira oficial do Alfa, a mulher no comando. Mas o sabor da vitória era de cinzas e poeira, um desfecho tão distante de seus sonhos de glória e poder que ela quase riu da ironia cruel disso tudo.Matheus não olhou para trás. Ele sabia que não havia nada lá para ele - apenas fantasmas e memórias dolorosas, os restos destruídos de tudo que ele poderia ter tido. Seu único consolo era que, em suas novas terras, talvez ele pudesse encontrar uma maneira de esquecer a mulher que perdeu e a vida que tão e
CAPÍTULO 15: O PREÇO DA AMBIÇÃODentro dos aposentos escuros e frios que ela agora compartilhava com Matheus, Julia observava seu marido beber até a inconsciência mais uma vez, seu corpo desleixado na cadeira de madeira perto da lareira apagada. Os garrafões vazios de vinho se acumulavam no chão como tumbas silenciosas de suas esperanças frustradas. Seus lábios finos se curvaram em desprezo puro enquanto ela observava a última garrafa escorregar de seus dedos frouxos e rolar pelo chão de pedra, o som oco ecoando na sala vazia."Você ainda pensa nela," ela acusou em um sussurro venenoso, sabendo que ele não podia ouvi-la em seu estado de estupor alcoólico. "Mas ela está em outro lugar, na cama quente de outro homem, amamentando o filho de outro homem. Ela ri de você, Matheus. Eles todos riem de você enquanto você afunda nesta miséria autoindulgente."Ela olhou ao redor do quarto escuro e vazio, comparando-o mentalmente com as descrições luxuosas que ouvira dos aposentos de Arthur e Liv
Último capítulo