Lívia acordou com o coração disparado, o pescoço queimando como se a coleira ainda estivesse lá.
Por um segundo inteiro ela não soube onde estava.
A escuridão da cabana, o cheiro de lenha, a respiração pesada de alguém ao lado.
Ela sentou na cama de uma vez, ofegante, mãos já procurando a prata que não existia mais.
A luz da lareira iluminava um homem sentado numa cadeira ao lado da cama, imóvel, olhos dourados fixos nela.
Ele não se moveu.
Nem piscou.
Só esperou.
— Calma — disse, voz tão baixa que parecia vir de dentro do peito dela. — Você tá segura.
Lívia apertou o próprio pescoço com as duas mãos, sentindo a pele cicatrizando, mas ainda latejando.
— Eu… senti ela de novo — sussurrou, voz trêmula. — A coleira.
Arthur se inclinou para frente devagar, cotovelos nos joelhos, como se qualquer movimento brusco pudesse quebrá-la.
— Foi só fantasma — respondeu, rouco. — Ela não tá mais aí. Eu juro.
Ela olhou para ele, olhos violeta arregalados, cheios de lágrimas que se rec