A nevasca chegou três dias depois, tão forte que apagou o mundo lá fora.
Arthur trancou as portas, reforçou as janelas e anunciou que ninguém saía por pelo menos uma semana.
A alcateia inteira se recolheu nas cabanas.
Apenas um evento podia reunir todos, mesmo com o vento uivando como lobo ferido: o Ritual do Fogo Velado.
Era uma tradição antiga, feita apenas na primeira nevasca pesada do inverno.
Ninguém lembrava exatamente quando começou, só que era antes mesmo da avó da avó de Arthur.
Dizia-se que, naquela noite, a Deusa descia em forma de chama branca e levava embora as dores que os lobos carregavam no peito.
Mas só se o fogo fosse alimentado por mãos que nunca tivessem mentido uma à outra.
Arthur não queria fazer o ritual naquele ano.
Disse que estava muito frio, que a madeira estava úmida, que não havia necessidade.
Mas Freya bateu na porta da cabana no meio da tarde, coberta de neve até os olhos.
— Se você não acender o Fogo Velado, a alcateia vai achar que o Alfa perdeu a f