O inverno chegou cedo nas montanhas.
A primeira neve caiu numa noite silenciosa, cobrindo tudo de branco tão puro que parecia apagar o passado.
Lívia acordou com o som abafado do mundo lá fora e foi até a janela.
O chão estava coberto, os pinheiros curvados sob o peso, o céu cinza perolado.
Arthur já estava na varanda, de costas, olhando o horizonte.
Camisa preta aberta no peito apesar do frio, braços cruzados, postura rígida.
O Alfa frio que a alcateia conhecia.
Quando ela abriu a porta, ele nem virou.
— Vai ficar mais frio — disse apenas, voz grave e neutra. — Preparei mais lenha.
Lívia puxou o cobertor mais firme nos ombros.
— Obrigada.
Ele assentiu uma vez e continuou olhando o nada.
Era assim com quase todo mundo.
Arthur falava o necessário, ordenava com poucas palavras, mantinha distância.
A alcateia o respeitava, temia um pouco, obedecia sem questionar.
Mas com ela, dentro da cabana, quando a porta se fechava, ele era outro homem.
Ali dentro ele queimava café, contava h