Mundo ficciónIniciar sesiónLis La Blanc não nasceu para ser uma herdeira — nasceu para matar. Criada entre armas, sangue e segredos, ela trocou o submundo japonês pela fachada elegante do império mafioso da família La Blanc, onde precisa agir como a filha perfeita enquanto luta contra a própria natureza violenta e imprevisível. Fria, impulsiva e perigosamente instável, Lis sempre viveu sob regras que nunca aceitou, até ser forçada a encarar a única coisa que jurou jamais fazer: casar. Para salvar o império da família de um colapso iminente, seu pai firma um acordo que a transforma em moeda de troca em uma aliança entre máfias. O escolhido é Angelo Hernandes — um homem arrogante, calculista e tão perigoso quanto ela. Presos em um contrato de casamento de um ano, os dois entram em uma guerra silenciosa de provocações, ameaças e desejos reprimidos, onde cada palavra pode virar uma arma e cada toque pode terminar em sangue. Enquanto isso, inimigos antigos retornam das sombras, disputas territoriais se intensificam e segredos enterrados começam a vir à tona, ameaçando expor o passado de Lis como assassina de elite. Quanto mais ela tenta manter o controle da própria vida, mais percebe que está presa em uma teia de manipulações, promessas e traições que pode destruir tudo o que ela tentou proteger. Entre perseguições, jogos de poder e uma atração explosiva que nenhum dos dois consegue ignorar, Lis precisará decidir se continuará lutando sozinha contra o mundo ou se permitirá confiar em alguém que deveria ser apenas parte de um contrato. Mas confiar pode ser fatal — e amar, ainda pior. Porque, no mundo da máfia, sentimentos são fraquezas… e fraquezas custam vidas.
Leer másLis La Blanc.
Não vi o sol nascer. Não que isso fosse novidade — há três dias seguidos, o escritório do pai virou o meu quartel-general, minha cama e meu campo de batalha. Os documentos sobre a rixa entre as famílias acumulam-se como montanhas de papel que preciso desmontar, um por um.
Trabalhar, trabalhar, trabalhar.
A frase ecoa na minha cabeça como um mantra, mas por trás dele b**e o desejo que me consome há quatro anos: voltar para o Japão. Voltar para a minha vida de verdade, onde não sou a futura herdeira dos La Blanc, mas uma assassina de elite que se move nas sombras do submundo asiático.
Nunca vou me casar. Deixo a cabeça cair sobre o encosto da cadeira de couro preto e penso: nenhum homem dominaria o meu temperamento, suportaria a minha loucura ou sobreviveria ao meu mundo.
Meus dedos percorrem a borda do balcão enquanto meus pensamentos voam para as missões ao lado dos irmãos adotivos. A adrenalina correndo nas veias, o gosto do desafio, o som dos passos silenciosos no escuro... Foi mágico. Inebriante. Até que a ligação de Riccardo La Blanc me trouxe de volta para a Itália.
Seu inimigo roubou 10% do nosso território.
A frase ecoa ainda hoje. Naquele dia, com 20 anos, eu estava prestes a eliminar um ministro corrupto quando o pai chamou. Como filha obediente, larguei tudo — inclusive meu nome verdadeiro — e voltei como Lis La Blanc: formada no exterior, fluente em cinco línguas, a herdeira perfeita.
O que a mídia ignora é que não sou filha deles de sangue. E que a La Blanc Cosméticos é só a ponta do iceberg: nós controlamos a polícia local, o mercado financeiro e 90% da cidade. No mundo da máfia, o nome La Blanc é sinônimo de poder e temor.
BATIDAS NA PORTA.
— Pode entrar! — grito, sem tirar os olhos dos papéis.
A porta abre e entra Isao, meu irmão mais novo. Ele traz na cara a preocupação que eu conheço tão bem.
— Bom dia, princesa. Espero que tenha dormido bem? — A ironia na voz dele é clara.
Eu ergui apenas os olhos: — Se você já sabe a resposta, por que perguntar? Acho que suas habilidades de leitura de pessoas estão caindo em queda livre, irmão querido.
Isao avança até a mesa, parando ao meu lado e olhando pela janela que dá para a cidade: — Isso não é graça, Lis. Você não come, não dorme, só trabalha. Sei que você dá conta de tudo, mas pense na sua saúde!
A preocupação na voz dele corta mais fundo do que eu quero admitir. Nós fomos criados juntos, enfrentamos o pior lado do mundo da máfia lado a lado. Me levanto e encosto a cabeça em seu ombro, minha voz sai mais fraca do que pretendia:
— Não vou me descuidar... Tenho você para cuidar de mim.
— Eu daria a vida por você, você sabe disso. Mas não quero que você viva uma vida que não é a sua! Vejo sua tristeza, sei que quer voltar... Mas ainda não pode, e isso está me destruindo também!
Ele abaixa a cabeça, e eu me afasto, indo até a janela. O peso de ser o motivo da angústia das pessoas que amo me sufoca.
— Não mencione minha vida antiga aqui. É ordem. — Minha voz fica ríspida, firme. — No momento, sou filha dos La Blanc, e devo a eles tudo o que sou. Agora vá buscar algo para eu comer — só tenho um projeto para revisar e vou para casa.
Isao arqueia uma sobrancelha, mas sabe que não há jeito: quando eu dou uma ordem, é melhor obedecer. Ele sai, deixando-me sozinha na sala enorme e solitária.
O projeto em questão é a nova linha de cosméticos que carrega o meu nome: Fiore Misteriosa di Lis. Oito produtos de cuidados com a pele, cada um precisando da minha aprovação. Depois de horas no laboratório, testando texturas e cheiros, finalmente dou o aval e volto ao escritório.
Isao ainda não voltou. Começo a arrumar minhas coisas para ir embora quando mais batidas soam na porta.
— Pode entrar, mas se apresse — grito. — Já estou saindo!
A secretária entra, nervosa: — Sra. La Blanc, o senhor pai reservou uma reunião com o senhor Hernandes às 13h. Devo pedir que ele entre ou espere no salão?
Eu paro de colocar documentos na bolsa: — Como assim? Ele não me disse nada! Mande-os entrar, mas eu já estou indo embora.
Pego minha jaqueta e estou prestes a sair quando a porta se abre com força. Riccardo La Blanc entra como uma ventania, seguido por um homem alto, de cabelos castanhos claros e olhos verde esmeralda sombrios. Sua roupa é de grife, sua barba impecável — e sua expressão, completamente impassível.
— Boa tarde para você também, Sr. La Blanc. — Fico sarcástica, virando as costas para eles. — Vou deixar vocês conversarem, já que não fui convidada.
— Ainda não pode sair. Volte e leia o papel que está na mesa. — A voz do pai soa como um trovão.
Largo a bolsa no chão com um estrondo. Com movimentos lentos, vou até a mesa e pego o documento. Antes de abri-lo, olho para o homem no sofá — ele não reage nem um pouco. Isso me intriga.
Mas quando leio a primeira linha, meu sangue congela:
CONTRATO PRÉ-NUPCIAL
Acordo de casamento entre as famílias máfias La Blanc e Hernandes.
- Parte A: Angelo Hernandes
- Parte B: Lis La Blanc
As partes ficarão casadas por um ano, sem direito a cancelamento antecipado. A Parte B só herdará o controle total do patrimônio da família se cumprir o contrato até o fim. A Parte A receberá 10% das ações da La Blanc Cosméticos ao término do período.
Caso uma das partes venha a falecer durante o contrato, a causa da morte será investigada e a parte suspeita sofrerá punições de acordo com as regras dos casamentos entre máfias.
Assinatura Parte A: ✔️ ANGELO HERNANDES
Assinatura Parte B: _____
Testemunha: ✔️ RICCARDO LA BLANC
Ergo os olhos para o pai, depois para o homem que seria o meu futuro marido — e explodo em um riso descontrolado, diabólico. Meus cabelos loiros caem sobre o rosto enquanto sinto Ella, minha segunda personalidade, bater à porta da minha mente.
— Lis, controle-se! — o pai grita.
Mas é tarde demais. Ella assume o comando.
— Querido pai... Acho que já conversamos sobre casamento, não é? — O sarcasmo na minha voz é cortante. Circulo pela sala, observando os dois homens como uma predadora avalia sua presa. — Ou você se esqueceu que eu odeio ser tratada como peça de xadrez?
— Filha, ele não é qualquer um. — Riccardo se aproxima, tentando me acalmar. — Conheço sua família, escolhi ele para você. Eu e sua mãe amamos você e não queremos que você viva só... Dê uma chance ao amor.
Eu rio de novo, mais alta desta vez. O homem no sofá finalmente se levanta e vem na minha direção, parando bem na minha frente.
— Mesmo com toda essa loucura dentro dela, eu poderia amá-la a noite toda. E em uma semana, a dominaria por completo. — Sua voz é calma, mas carregada de soberba. — Já fiz coisas mais perigosas do que casar por contrato.
A raiva explode em mim. Em um piscar de olhos, eu retirei a faca que guardo na coxa e a pressiono contra o pescoço de Angelo.
— Acho que vou começar cortando sua língua... Mas não sei se sentirei falta de ouvir suas besteiras. Talvez seja melhor arrancar suas bolas — já que não parecem servir para nada útil!
A minha surpresa é grande quando ele sorri. Com uma lâmina afiada em sua garganta, ele sorri.
Ele puxa eu pela cintura, aproximando nossas faces até quase se tocarem: — Acho que machucar o meu amigo vai te prejudicar, querida. Garanto que é a melhor parte do meu corpo... Depois da língua.
A raiva me consome. Aperto mais a faca, fazendo um corte superficial que deixa uma linha fina de sangue escorrendo por sua pele.
— LIS! — o grito do pai me tira daquele transe.
Angelo se afasta calmamente e volta a sentar no sofá, como se nada tivesse acontecido. Olho para a faca manchada de sangue e, sem pensar duas vezes, levanto-a aos lábios, provando o gosto metálico. Um arrepio de prazer percorre o meu corpo.
— O seu gosto é o melhor que já provei. Espero ter o prazer de te torturar em breve, Sr. Hernandes.
— O prazer seria todo meu, minha futura esposa. — Suas palavras são provocativas, como se estivesse se deliciando com a situação.
Viro-me para o pai, pronta para explodir, mas ele me agarra pelas mãos:
— Princesa, você sempre admirou o casamento do seu pai com a sua mãe. Nós nos odiamos à primeira vista, e hoje amamos cada segundo juntos. Dê essa chance... Ou não me culpe pelo que farei.
Sei que Riccardo não aceitará um "não". Mas eu não irei me render sem lutar.
— Desde quando não tenho família? — Solto as mãos dele e vou até a janela. — Larguei o Hayato no Japão, só pude trazer o Isao... E ainda tem coragem de dizer que preciso me casar? É covardia querer me controlar assim! Se realmente se preocupasse comigo, não me daria como troca para esse inútil — daria para o Hayato, que sempre cuidou de mim!
O nome sai dos meus lábios antes que eu possa me conter. Angelo se levanta de um pulo e me agarra pelo queixo, forçando-me a olhar para ele:
— Não aceito que minha mulher tenha outros homens em mente. Você é minha, e de mais ninguém!
Eu o empurro com força, meus olhos cheios de ódio: — A próxima vez que colocar as mãos em mim, vou cortá-las. E que fique claro: não vou assinar essa merda de contrato. Prefiro enfiar uma bala na minha cabeça do que ser sua!
— Tio, prometo protegê-la com minha vida. — Angelo olha para Riccardo, ignorando-me. — Nunca descumpro uma promessa.
Sinto a cabeça girar. Caminho até a mesa, pego o contrato e rasgo-o em mil pedacinhos, espalhando-os pelo chão:
— Fique ciente, Angelo Hernandes: se assinar isso de novo, vou fazer da sua vida um inferno. E se achar que o inferno é pouco, posso piorar muito mais!
Sem esperar por respostas, saio do escritório e bato a porta com força. Quando o barulho ecoa pela sala, Ella se afasta, deixando-me só com a raiva e a confusão.
Como ele pode fazer isso? penso, indo para o elevador. Larguei tudo por ele, por esta família... E agora sou uma moeda de troca.
Na garagem, entro no meu carro esportivo preto e bato a porta com violência. Começo a gritar, a bater no volante — até que a raiva se transforma em necessidade de velocidade. Piso fundo no acelerador, sentindo a adrenalina tomar conta de novo.
Ella adora isso: a velocidade, o perigo.
Foi quando vejo no retrovisor: um carro de luxo laranja, seguindo-me de perto.
Bernardo Baker.
Reconheço o carro de imediato. Ele é o responsável por roubar os 10% do território dos La Blanc — o motivo pelo qual eu voltei para a Itália.
— Maldito! — grito, pisando mais fundo. — Hoje eu te mato! Além de invadir o meu território, você é o motivo da minha desgraça!
Viro uma curva em alta velocidade, iniciando uma perseguição. Bernardo entra em uma rua de mão única no sentido contrário, fugindo de mim. Mas o carro que estou usando não é o meu — é o veículo oficial da empresa, com desempenho limitado. Ele cruza o cruzamento antes que eu consiga alcançá-lo.
Frustração me consome. E foi naquele momento de distração que um carro aparece na minha frente. Para não colidir com ele, viro o volante com força, batendo o carro em um poste no acostamento.
O som do metal contra o concreto ecoa pelos arredores. Acordo com o ouvido zumbindo, visão turva. O airbag foi acionado, mas um corte na testa deixa sangue escorrendo pela minha face.
Abro a porta e vejo algumas pessoas paradas ao redor, olhando com preocupação.
— Saem daqui! — digo, com voz rouca. — Não tem nada para ver.
A autoridade na minha voz faz com que todos se afastem. Entro de novo no carro, pego minha bolsa e tiro o celular, ligando para Isao.
— Princesa! — ele atende desesperado.
— Bati o carro. Vou te mandar a localização para você mandar alguém arrumar. Estou indo para um hotel — mandarão minhas coisas da casa dos pais? Preciso de roupas para uma semana. Quando chegar, me avise antes.
Desligo antes que ele possa questionar-me, guardo o celular e começo a caminhar em direção ao hotel mais próximo.
A recepção do hotel está cheia de gente, que para de vez quando eu entro: cabelos bagunçados, roupa amassada, corte aberto na testa. Ignoro os olhares e vou diretamente ao balcão.
— Quero o quarto presidencial. — Minha voz é firme.
A recepcionista pisca duas vezes, nervosa: — Senhora... O quarto está ocupado. Não podemos...
— Não vou discutir. Chame seu chefe.
A moça sai correndo. Respiro fundo, tentando controlar a raiva que volta a subir. Sempre uso a suíte presidencial quando preciso fugir dos pais — nunca foi ocupada.
O gerente chega em seguida, reconhecendo-me de imediato. Ele abaixa a cabeça, sem coragem de olhar-me nos olhos:
— Senhorita La Blanc... Peço desculpas, mas a suíte foi reservada pelo seu pai. Não podemos fazer nada.
Fecho os olhos por um instante. Claro que foi ele, penso. Ele sabe exatamente onde eu vou.
— Tudo bem. Qual é o segundo melhor quarto? — digo, mais calma. — Ficarei hoje e amanhã saio.
Sou conduzida a um apartamento menor, mas confortável. Assim que o gerente sai, mando uma mensagem para Isao e caio na cama, sentindo o cansaço finalmente tomar conta do meu corpo.
Mas a mente não para. O contrato, Angelo, Bernardo, o pai... Tudo gira na minha cabeça como um ciclone. E eu sei que essa guerra que acabei de começar não terá vencedores fáceis.
Angelo Hernandes. O dia está nublado e combina com o meu humor. Estou no velório do meu pai — ele morreu de infarto, uma morte tranquila para quem mexeu com máfia. Mas o que me incomoda não é a sua partida repentina — nunca nos demos bem. É o fato de ele ter quase falido todo o negócio da família e deixado que eu assumisse essa dívida. Não tenho ideia de como vou reverter a situação, mas sei que vou ter que quebrar alguns ossos e me sujar de sangue... Saio do velório e vou para a mansão onde ele morava. Bem na entrada, o meu primo já está me esperando. — Como foi o velório do tio? — ele pergunta. — E como acha que seria um velório? — Respondo com sarcasmo. — Eu entendo... Esse clima não combina com a minha personalidade! Enfim, quero saber se já tem uma solução para os nossos problemas? — Nem cheguei em casa e já me questiona sobre a nossa situação. — Sei bem o que combina com a sua personalidade: uma puta loura de 1,70 ao seu lado direito segurando um copo de whisky, e outra
Lis La Blanc.Não vi o sol nascer. Não que isso fosse novidade — há três dias seguidos, o escritório do pai virou o meu quartel-general, minha cama e meu campo de batalha. Os documentos sobre a rixa entre as famílias acumulam-se como montanhas de papel que preciso desmontar, um por um. Trabalhar, trabalhar, trabalhar. A frase ecoa na minha cabeça como um mantra, mas por trás dele bate o desejo que me consome há quatro anos: voltar para o Japão. Voltar para a minha vida de verdade, onde não sou a futura herdeira dos La Blanc, mas uma assassina de elite que se move nas sombras do submundo asiático. Nunca vou me casar. Deixo a cabeça cair sobre o encosto da cadeira de couro preto e penso: nenhum homem dominaria o meu temperamento, suportaria a minha loucura ou sobreviveria ao meu mundo. Meus dedos percorrem a borda do balcão enquanto meus pensamentos voam para as missões ao lado dos irmãos adotivos. A adrenalina correndo nas veias, o gosto do desafio, o som dos passos silenciosos
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