Mundo ficciónIniciar sesión"Eu era o Arquiteto do Crime, o homem que comandava São Paulo com mãos de ferro... até que as pessoas que eu mais amava me apunhalaram pelas costas e me deixaram para morrer na sarjeta." Frederico Moretti perdeu tudo: seu império, sua identidade e sua dignidade. Durante dois anos, ele viveu como um fantasma nas ruas frias de Joinville, afogando seu passado em álcool e silêncio. Ele era um homem morto caminhando, esperando apenas pelo fim. Até que um grito de terror mudou seu destino. Lívia Albuquerque é a herdeira de um império multibilionário, uma mãe solteira lutando contra lobos que vestem ternos caros — incluindo sua própria família. Quando um desconhecido sujo e maltrapilho salva sua filha, Loren, de um acidente fatal, Lívia vê algo naqueles olhos azuis tempestuosos que ninguém mais vê: uma nobreza perigosa. Ela lhe oferece um emprego. Ele lhe oferece proteção. Mas o que acontece quando a "babá" de sua filha é, na verdade, o líder de máfia mais procurado do país? Entre segredos sombrios, uma atração explosiva e a ameaça de um passado que se recusa a ficar enterrado, Frederico e Lívia descobrirão que, para proteger quem amam, precisarão se tornar mais implacáveis do que seus inimigos. Ele veio das sombras para protegê-la. Ela veio da luz para salvá-lo.
Leer másO asfalto de Joinville refletia as luzes da cidade sob uma garoa persistente, mas para Frederico, o mundo era apenas um borrão acinzentado. Sentado no meio-fio, as mãos trêmulas seguravam uma garrafa barata de cor âmbar. O homem que um dia comandou o submundo de São Paulo, o homem cujas palavras decidiam quem vivia e quem morria, agora lutava apenas para manter os olhos abertos.
Sua barba estava crescida e emaranhada, e o sobretudo rasgado escondia o corpo que, apesar da negligência, ainda guardava a estrutura de um guerreiro. Ele fechou os olhos, tentando silenciar a voz de Vanessa e o riso de traição de Gustavo em sua mente.
“Beba, Frederico. O álcool é o único amigo que não te apunhala pelas costas”, ele pensou, levando a garrafa aos lábios.
Foi quando um grito agudo cortou a melancolia da noite.
— LOREN! NÃO!
O instinto, enterrado sob camadas de depressão e autocomiseração, despertou como um vulcão. Frederico virou a cabeça. Do outro lado da calçada, uma menininha de cachos dourados e vestido de seda corria atrás de uma bola de pelúcia, indo direto para a avenida movimentada.
Um sedã preto vinha em alta velocidade, os pneus cantando no asfalto molhado. O motorista não teria tempo de parar.
A mãe da criança, uma mulher de elegância impecável mas com o rosto pálido de puro terror, estava a metros de distância, as mãos estendidas no vazio.
Frederico não pensou. Ele não era mais o mendigo bêbado de Joinville; por um segundo, ele foi o predador de elite que São Paulo temia.
Ele saltou.
O impacto foi seco. Frederico envolveu o pequeno corpo de Loren em seus braços, rolando pelo asfalto enquanto o carro passava a milímetros de suas costas. O som do metal freado e os gritos das pessoas ao redor formavam uma sinfonia caótica.
— Loren! Meu Deus, Loren! — Lívia desabou de joelhos ao lado deles, o coração saindo pela boca.
Frederico se levantou devagar, os joelhos ralados e o ombro protestando de dor. Ele entregou a menina, que chorava assustada, para os braços da mãe.
— Ela está viva. Só está com medo — a voz de Frederico saiu rouca, profunda, carregada de uma autoridade que não condizia com suas roupas sujas.
Lívia ergueu os olhos, pronta para agradecer com uma recompensa em dinheiro, mas as palavras morreram em sua garganta. Diante dela não estava um morador de rua comum. Através da sujeira e do cabelo desgrenhado, ela viu olhos de um azul tempestuoso, inteligentes e profundamente tristes. Havia uma nobreza residual naquela postura, um perigo silencioso que a fez estremecer de uma forma que ela não sentia há anos.
— Você salvou a minha filha… — Lívia murmurou, apertando Loren contra o peito, enquanto seus seguranças finalmente chegavam, cercando-os.
Frederico apenas assentiu, pegando sua garrafa que havia rolado para o bueiro. Ele deu as costas, pronto para desaparecer na escuridão da qual sentia que pertencia.
— Espere! — Lívia gritou, levantando-se com a autoridade de quem comanda um império. — Qual o seu nome?
Ele parou, mas não se virou. O passado de sangue e traição pesava em seus ombros.
— Um homem que não existe — ele respondeu, e continuou caminhando.
Lívia observou as costas largas do desconhecido sumindo na neblina. Ela tinha inimigos por todos os lados, sua vida e a de sua filha corriam perigo constante dentro da própria família, e seus seguranças de elite haviam falhado hoje. Mas aquele homem... aquele homem era diferente.
— Encontrem-no — ela ordenou aos seguranças, sua voz recuperando o tom gélido de CEO. — Não me importa em qual buraco ele se esconda. Eu o quero na minha frente amanhã cedo. Limpo.
Frederico Moretti não correu; ele se lançou para o centro do inferno. Não era mais apenas um homem ferido, era uma força da natureza, um demônio de São Paulo que ressurgia das cinzas, movido por um amor puro e pela busca de uma redenção que ele só encontrara nos olhos de Lívia e no sorriso de Loren. Ao se expor deliberadamente, disparando e gritando, ele forçou Alessandro a ordenar que todos os seus soldados focassem nele.— PEGUEM-NO! MATEM O MORETTI! QUERO A CABEÇA DELE! — Alessandro berrou, sua voz distorcida pela fúria, ecoando pelo vale enquanto Frederico avançava sozinho contra uma linha de fogo implacável.Enquanto o tiroteio se concentrava em Frederico — uma distração heroica e suicida —, Lívia, movida por uma coragem selvagem que ela nunca soube que possuía, correu com Loren em seus braços em direção ao helicóptero desocupado. O som das turbinas era ensurdecedor, as hélices girando como um redemoinho acima de suas cabeças. Ela jogou Loren no banco de trás, prendendo-a rapidam
O estrondo da explosão do tanque de combustível não foi apenas um som; foi uma onda de choque que pareceu deslocar o ar dos pulmões de todos na clareira. Uma luz infernal, de um laranja doentio e pulsante, lançou sombras gigantescas contra os pinheiros da serra, tingindo a neve imaculada com as cores de um massacre iminente. O calor era insuportável, um bafo quente que derretia o gelo e trazia o cheiro de metal queimado e pólvora, mas o gelo que se instalou no coração de Lívia era infinitamente maior.Enquanto ela segurava Loren contra o peito com uma força quase sobrenatural, protegendo os olhos da filha da fuligem que caía como uma chuva negra, o som rítmico e ensurdecedor de turbinas dominou o ambiente. Um dos helicópteros da frota de elite de Alessandro desceu baixo, pairando a poucos metros do chão. As hélices chicoteavam o ar com uma fúria tamanha que levantavam uma tempestade de gelo e detritos, cegando momentaneamente qualquer um que tentasse se aproximar.Foi quando a porta l
A madrugada na serra era silenciosa demais. Frederico acordou sobressaltado. Seus instintos, afiados por décadas no crime organizado, captaram um som que não pertencia à floresta: o bater rítmico e distante de hélices cortando o ar gelado.— Lívia! Acorde! — ele sussurrou, sacudindo-a. — Eles estão aqui.Lívia sentou-se na cama, o coração disparado, mas suas mãos agiram por conta própria. Ela pegou a pistola na mesa de cabeceira e verificou o carregador, exatamente como Frederico a ensinara. Ela correu para o quarto ao lado e pegou Loren, colocando-a dentro de um compartimento escondido sob o assoalho do closet. — Fique aqui, meu amor. Não faça nenhum som, aconteça o que acontecer. A mamãe te ama.Frederico já estava na janela com um rifle de precisão. No pátio da fazenda, luzes infravermelhas dançavam pelas paredes. Alessandro não viera para negociar. O primeiro estrondo veio de uma granada que destruiu a porta da frente.— SAIAM COM AS MÃOS PARA CIMA! — a voz de Alessandro ecoou atr
O refúgio era uma construção de pedra e madeira encravada no coração da Serra Catarinense, cercada por uma neblina eterna e pinheiros que pareciam sentinelas silenciosas. Frederico estava debruçado sobre um mapa na mesa da cozinha, o rosto pálido pela perda de sangue, enquanto tentava traçar uma rota de fuga para fora do país. Mas Lívia não estava mais interessada em fugir.Ela entrou na sala carregando a pequena pistola cromada que ele lhe dera em São Paulo. Seus olhos não tinham mais as lágrimas de Joinville; agora, brilhavam com uma determinação gélida que fez Frederico parar o que estava fazendo.— Fred, chega de ser a carga — ela disse, a voz firme como o aço. — Eu passei a vida sendo protegida. Primeiro pelo meu pai, que me vendeu em um contrato de sangue, depois por um marido que fingiu a morte, e agora por você. Mas o Alessandro tem o meu pai e ele quer a minha filha. Eu não vou mais esperar em um canto enquanto os homens decidem o meu destino. Me ensine.Frederico tentou prot
Último capítulo