Lis LA BLANC O som da batida na porta do quarto de hotel foi como um alarme, mas um alarme familiar. Sabia que era Isao. Era ele quem sempre aparecia nos meus piores momentos, trazendo um pouco de ordem para o caos que se tornara a minha vida. Abri a porta sem hesitar, ainda enrolada na toalha felpuda do hotel, o cheiro do sabonete perfumado pairando no ar. — Entre, Isao — chamei, minha voz ainda um pouco rouca do banho. Ele entrou, a mala que trazia em mãos parecendo um farol de esperança. Sem perder tempo, peguei-a e corri de volta para o banheiro, fechando a porta atrás de mim. O espelho embaçado refletia uma imagem que eu mal reconhecia: cabelos loiros desalinhados, um corte superficial na testa ainda ardendo levemente, e o cansaço estampado em cada traço do meu rosto. Enquanto me vestia com as roupas que Isao trouxe – um conjunto simples, mas elegante, que ele sabia que eu gostava – minha mente corria. O contrato rasgado, a perseguição frustrada a Bernardo, a batida no poste
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