A escuridão não é completa. Ela pulsa, como se tivesse vida própria, um ritmo lento e perturbador. Não sei há quanto tempo estou aqui. O tempo, o espaço, a direção… tudo se dissolveu nessa sensação de peso, como se algo me mantivesse suspenso entre dois extremos indistinguíveis.Mas há algo diferente. Uma presença sutil, um eco distante que começa a se formar. No começo, é apenas uma lembrança quase apagada. Depois, se transforma em uma voz.— Fica comigo.A frase atravessa a névoa, fraca no início, mas insistente. Tento me mover, mas meu corpo não responde. Tento abrir os olhos, mas a escuridão permanece impenetrável. A voz, no entanto, continua, mais perto agora, mais firme.— Não fecha os olhos.Algo reage dentro de mim. Não é força, não é consciência. É instinto. Sobrevivência. O peso muda, a escuridão recua, e então… a dor vem. De uma vez. Brutal. Queimando cada nervo, cada célula. Meu corpo reage antes que minha mente consiga processar. O ar entra rasgando, os pulmões protestand
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