Mundo ficciónIniciar sesiónNa noite em que Layla Haddad dançou diante do homem mais poderoso do deserto, ela não imaginava que despertaria uma obsessão capaz de destruir um palácio inteiro. Zayn Al-Mansour era um sheikh bilionário, frio, orgulhoso e acostumado a ter tudo sob controle. Dono de fortuna, influência e de quatro casamentos políticos, ele não acreditava em amor — apenas em dever, poder e tradição. Mas Layla não se curvou diante dele. Ela o enfrentou. Recusou seu domínio. E, por isso, tornou-se a única mulher que ele não conseguiu esquecer. Quando a paixão proibida entre os dois explode em uma noite impossível, Layla acredita que talvez exista um homem por trás do sheikh arrogante. Mas, diante do mundo, Zayn escolhe o orgulho. Ele a rejeita, a humilha e a deixa partir como se ela não significasse nada. Só que Layla leva consigo um segredo capaz de mudar tudo. Grávida do homem que a destruiu, ela foge para uma cidade distante, decidida a proteger o bebê do palácio, das esposas, da imprensa e do próprio Zayn. Para ela, seu filho não será chamado de herdeiro antes de ser amado como criança. Não será usado como moeda de poder. Não pertencerá a uma família que transforma mulheres em alianças e sentimentos em estratégia. Mas Zayn Al-Mansour não esqueceu. Consumido pela ausência de Layla, ele começa a desfazer tudo que sustentava sua vida: seus casamentos, suas alianças, sua imagem intocável e o orgulho que o fez perdê-la. Enquanto as quatro esposas se voltam contra Layla, segredos vêm à tona, vinganças são armadas e o palácio começa a ruir.
Leer másLayla Haddad percebeu que algo naquela noite estava errado antes mesmo de atravessar os portões do palácio.
Não era o calor.
Ela conhecia o calor do deserto desde menina. Conhecia o modo como ele subia da areia como uma respiração antiga, tocando a pele, entrando pelos pulmões, grudando nos cabelos. Conhecia o vento seco carregado de poeira fina, o perfume das especiarias nas roupas dos mercadores, o canto distante das orações ao entardecer, o murmúrio das fontes escondidas nos pátios das casas ricas.
Também não era o luxo.
Ela já havia dançado para homens ricos antes. Empresários estrangeiros, ministros, donos de hotéis, xeiques menores, herdeiros arrogantes que acreditavam que uma mulher com tornozelos cobertos de sinos existia apenas para enfeitar seus jantares. Layla havia aprendido cedo a dançar sorrindo sem se entregar. A mover o corpo como se oferecesse tudo, quando na verdade não dava nada.
Mas naquela noite havia uma tensão diferente no ar.
Uma tensão fria.
Como se o palácio inteiro respirasse em silêncio, aguardando alguma coisa.
O carro preto parou diante dos portões dourados da residência Al-Mansour, e Layla viu seu reflexo distorcido no vidro escuro da janela. Por um instante, não reconheceu a mulher que a encarava de volta.
Seus olhos estavam delineados em kohl, fazendo o verde intenso parecer mais profundo sob as luzes do carro. Os cabelos escuros caíam em ondas soltas até o meio das costas, adornados com pequenas peças douradas que tilintavam suavemente quando ela se movia. O traje de dança, escolhido com cuidado por Samira — a amiga que a acompanhava naquela noite, não a esposa — era de um vermelho escuro, quase vinho, com bordados dourados no busto e na cintura. O tecido deixava à mostra sua barriga lisa, seus braços, parte das pernas sob camadas transparentes de seda.
Era bonito.
Bonito demais.
Perigoso demais.
— Ainda dá tempo de desistir — sussurrou Samira, sentada ao lado dela.
Layla desviou os olhos da janela.
— Depois de você quase implorar para eu aceitar esse trabalho?
Samira torceu a boca, inquieta. Era alguns anos mais velha, dona de um pequeno estúdio de dança onde Layla dava aulas para mulheres da cidade. Tinha contatos demais, falava rápido demais e escondia medo atrás de piadas ruins. Naquela noite, porém, não estava brincando.
— Eu não sabia que seria no palácio principal dos Al-Mansour. Disseram apenas que era uma recepção privada.
Layla arqueou uma sobrancelha.
— Recepção privada de quem?
Samira hesitou.
E foi essa hesitação que confirmou o pressentimento ruim.
— De Sheikh Zayn Al-Mansour.
O nome caiu entre as duas como uma lâmina.
Layla já tinha ouvido aquele nome tantas vezes que ele parecia pertencer mais a uma lenda do que a um homem real. Zayn Al-Mansour. Bilionário. Herdeiro de uma dinastia antiga. Dono de hotéis em Dubai, Doha, Paris, Londres. Acionista de companhias de petróleo, joalherias e linhas aéreas. Um homem cuja assinatura podia erguer prédios ou destruir famílias. Um sheikh moderno, poderoso, frio, temido.
E casado.
Não uma vez.
Quatro.
Layla respirou devagar.
— Você esqueceu de mencionar esse detalhe.
— Eu soube no caminho.
— Mentira.
Samira apertou os lábios, culpada.
— Soube ontem.
Layla fechou os olhos por um segundo. A vontade de descer do carro, arrancar os brincos e voltar para casa foi quase física.
— Samira...
— O pagamento é três vezes maior que o normal — a amiga interrompeu, quase suplicante. — Três vezes, Layla. Você disse que precisava quitar o aluguel do estúdio. Disse que sua mãe...
— Não use minha mãe.
A frase saiu baixa, mas afiada.
Samira se calou.
Layla olhou novamente para os portões. Dois guardas vestidos de preto se aproximavam do carro. Atrás deles, o palácio se erguia como uma miragem impossível no meio da noite: cúpulas claras iluminadas por refletores dourados, arcos altos, colunas de mármore, jardins internos entrevistos entre muros esculpidos. Havia fontes, tamareiras, lanternas suspensas, tapetes vermelhos descendo as escadarias como rios de sangue.
Era belo.
E era uma prisão disfarçada de paraíso.
Layla sentiu o peso do próprio orgulho. O dinheiro era necessário. Mais do que ela queria admitir. A doença da mãe consumia as economias, e o estúdio atrasara dois meses de aluguel. Dançar não era vergonha. Nunca fora. Sua avó dançara em casamentos, sua mãe dançara em festas de família, e Layla transformara aquela arte em sustento.
O problema não era a dança.
O problema eram os homens que confundiam arte com posse.
E um homem como Zayn Al-Mansour provavelmente nunca ouvira a palavra não sem transformá-la em desafio.
— Você vai entrar comigo — Layla disse.
Samira arregalou os olhos.
— Eu? Mas eu só vim para acompanhar.
— Então acompanhe.
— Layla...
— Se for perigoso demais para você entrar, é perigoso demais para mim dançar.
A amiga soltou o ar, derrotada.
— Você é teimosa como uma cabra.
— E você é uma péssima mentirosa.
Um guarda abriu a porta. O ar quente da noite entrou no carro, trazendo consigo o perfume de oud, rosas e água corrente.
Layla saiu primeiro.
O som dos pequenos pingentes de ouro em sua cintura denunciou seu movimento. O guarda olhou para ela apenas por uma fração de segundo a mais do que deveria, mas logo baixou os olhos, treinado demais para demonstrar curiosidade.
— Senhorita Haddad — disse ele em árabe formal. — Estão aguardando sua apresentação no grande salão.
Layla ergueu o queixo.
— Minha assistente entra comigo.
O guarda olhou para Samira.
— O nome dela não está na lista.
— Então coloque.
Samira fez um ruído baixo de pânico.
O homem pareceu não gostar. Guardas de palácio não estavam acostumados a receber ordens de uma dançarina. Mas Layla não desviou o olhar. Havia aprendido com a vida que, se uma mulher demonstrasse medo no primeiro minuto, passaria o resto da noite tentando recuperar o respeito perdido.
O guarda tocou o comunicador preso à orelha, murmurou algo e aguardou resposta.
Layla ouviu apenas uma palavra.
— Permita.
O guarda inclinou a cabeça.
— Podem entrar.
Samira se aproximou de Layla enquanto subiam os degraus.
— Você vai nos matar.
— Ainda não. Preciso receber primeiro.
As portas do palácio se abriram.
E Layla entrou em outro mundo.
O interior era ainda mais grandioso do que a fachada prometia. O teto do hall principal era tão alto que as vozes subiam e desapareciam entre arabescos dourados. Lustres de cristal pendiam como cachos de gelo sobre tapetes persas. Paredes revestidas em mosaicos azuis e dourados refletiam a luz das lanternas. O som de água correndo vinha de fontes laterais, e o perfume de incenso era tão intenso que parecia uma presença viva.
Servos passavam em silêncio com bandejas de prata. Homens de túnicas impecáveis conversavam em pequenos grupos. Mulheres vestidas com abayas elegantes e joias discretas observavam tudo por trás de expressões treinadas.
Ninguém parecia relaxado.
Era uma festa sem alegria.
Layla percebeu isso imediatamente.
Havia música, comida, flores, convidados importantes. Mas por baixo de tudo corria uma tensão dura, política. Sorrisos medidos. Cumprimentos calculados. Olhares que avaliavam poder, alianças, vantagens.
Uma celebração? Talvez.
Uma negociação? Com certeza.
Samira tocou o braço dela.
— Layla.
— Eu vi.
No centro do salão, além dos convidados, havia uma espécie de área elevada, coberta por tapetes e almofadas. Era ali que os anfitriões ficavam. Layla reconheceu algumas figuras pela imprensa: ministros, primos da família real, empresários europeus.
E então viu as mulheres.
Quatro.
Sentadas em posições diferentes ao longo da área reservada, como se cada uma ocupasse um território próprio dentro do mesmo reino.
A primeira usava um vestido marfim bordado em pérolas, com postura tão perfeita que parecia esculpida. Era belíssima, de beleza controlada, olhos escuros e rosto altivo. Layla soube sem que ninguém dissesse: aquela era a primeira esposa. A mais antiga. A mais perigosa.
A segunda tinha sorriso suave e dedos cobertos de anéis. Conversava com duas mulheres ao lado, mas seus olhos se moviam pelo salão com atenção predatória.
A terceira parecia mais jovem, talvez pouco mais velha que Layla, com expressão entediada e lábios pintados de vermelho escuro. Girava uma taça de suco de romã entre os dedos como se desejasse quebrá-la.
A quarta era quase silenciosa. Vestia azul profundo e observava o chão, mas havia uma rigidez em seus ombros que dizia mais do que qualquer palavra.
As quatro esposas de Zayn Al-Mansour.
Quatro alianças.
Quatro histórias.
Quatro prisões.
Layla sentiu um desconforto difícil de nomear. Não era ciúme, claro. Ela nem conhecia o homem. Era algo mais próximo de indignação. Como um único homem podia ocupar tanto espaço na vida de tantas mulheres? Como podia ser cercado por quatro esposas e, ainda assim, todos no salão parecerem esperar que ele desejasse mais?
Pior ainda.Talvez essa fosse a primeira guerra em que nenhuma delas estivesse completamente errada.Layla chegou ao estúdio antes das oito da manhã.Não havia aula marcada para aquele horário. Nenhuma aluna chegaria antes das dez. Samira, a amiga, ainda não aparecera, embora tivesse prometido dormir no chão do estúdio se fosse necessário para impedir que Layla enfrentasse sozinha a primeira esposa de Zayn Al-Mansour.Layla não deixou.Arrependeu-se um pouco ao destrancar a porta.O estúdio estava silencioso, mergulhado naquela luz pálida que antecedia o calor forte do dia. Os espelhos cobriam uma das paredes, refletindo a sala vazia, os véus coloridos dobrados, as almofadas empilhadas no canto, as barras de alongamento, o balcão simples onde Samira costumava deixar recibos, xícaras esquecidas e comentários dramáticos.Ali era seu território.Pequeno, alugado, ameaçado por dívidas.Mas seu.Layla fechou a porta atrás de si e respirou fundo.O cheiro familiar de madeira antiga, incenso
Em particular.Não em nome do meu marido.Meu próprio nome.Layla sentiu algo parecido com culpa, embora soubesse que não havia feito nada errado. Talvez culpa fosse a emoção que mulheres eram ensinadas a sentir quando homens as colocavam umas contra as outras.Ela não respondeu imediatamente.Em vez disso, sentou-se no chão do estúdio, cercada por véus coloridos, e encarou o próprio reflexo no espelho.A mulher devolvida pelo vidro parecia cansada.Não apenas fisicamente.Cansada de resistir a um desejo que não deveria existir.Cansada de ser arrastada para dentro de uma guerra conjugal que não criara.Cansada de ouvir sobre seu lugar.O telefone vibrou de novo.Dessa vez, era Zayn.O nome não estava salvo, mas ela reconheceu o número. O mesmo que havia recusado no cartão. Aparentemente, ele havia decidido usar a memória dela contra ela.A mensagem dizia:“Você chegou bem em casa ontem?”Layla soltou uma risada incrédula.Só ele.Só Zayn Al-Mansour conseguiria perguntar algo tão simp
— Barulhenta eu notei.— Elas precisam de dinheiro, mas a senhorita Haddad não aceita pagamento extra com facilidade.Samira virou-se.— Ofereceu?— Sim. Ela recusou.Era irritante.Uma oportunista teria sido mais fácil de odiar.Samira caminhou pela sala, pensativa.— Ela sabe que você veio do palácio?— Suspeita talvez. Não tem prova.— Continue.Amira hesitou.— Senhora, permita-me dizer algo.— Diga.— Ela não parece estar caçando o sheikh.Samira ficou imóvel.A frase, embora esperada, feriu de forma inesperada.— Ninguém disse que estava.— Talvez não em voz alta.— O que quer insinuar?Amira baixou o olhar.— Apenas que talvez o perigo esteja menos nela e mais no que todos estão projetando sobre ela.Samira aproximou-se devagar.— Você sente pena dela?— Sinto preocupação.— Por mim ou por ela?— Pelas duas.Samira afastou-se.A honestidade de Amira era um luxo que ela permitia em privado. Ainda assim, às vezes doía.— Se ela não o quer, por que voltou ao palácio?— Dinheiro. T
— Bom dia — disse ele.— Não finja normalidade comigo.Ele se recostou.— Então vá direto ao ponto.Farida aproximou-se da mesa.— Samira não dormiu.Zayn ficou quieto.— Você percebeu o que fez com ela?— Sim.— Percebeu tarde.— Sim.A honestidade pareceu irritar Farida mais do que uma defesa.— Não basta admitir.— O que quer que eu faça?— O que deveria ter feito desde o início: cortar esse assunto pela raiz.— Layla não é assunto.— Para você, talvez seja tentação. Para mim, é assunto. Para suas esposas, é humilhação. Para seus inimigos, é oportunidade. Para ela mesma, será tragédia se você continuar.Zayn olhou para a mãe.— Você fala como se ela fosse objeto em uma prateleira prestes a cair.— Estou dizendo que mulheres sem proteção quebram primeiro.A frase era cruel.E verdadeira.Zayn se levantou.— Não vou machucá-la.Farida riu baixo.— Homens raramente começam querendo machucar.— Não sou meu pai.— Está se repetindo muito. Talvez para tentar acreditar.O golpe foi precis





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