Mundo ficciónIniciar sesiónLuna Andrade acreditava ter a vida sob controle até descobrir que a empresa de sua família está à beira da falência. A única solução apresentada por seu pai é um acordo impensável: casar-se com Leonardo Valente, o homem mais rico e temido da cidade. O problema? Leonardo é o mesmo homem que ela culpa pela morte de seu irmão anos atrás. Frio, arrogante e irresistivelmente atraente, Leonardo aceita o casamento por conveniência. Luna aceita por necessidade. O que começa como um contrato sem amor rapidamente se transforma em uma guerra de sentimentos. Mas quando segredos do passado vêm à tona, Luna descobre que talvez tenha odiado o homem errado durante todos esses anos. E Leonardo guarda um segredo capaz de destruir tudo entre eles.
Leer másA chuva caía pesada contra as janelas da mansão Andrade, transformando a noite em uma cortina cinzenta e interminável.
Os relâmpagos iluminavam o jardim por breves segundos, revelando árvores agitadas pelo vento antes que tudo voltasse à escuridão. O som constante das gotas batendo no vidro parecia acompanhar os pensamentos turbulentos de Luna.
Ela permanecia imóvel diante da janela da biblioteca, observando a água escorrer lentamente pelo vidro. Tentava organizar as ideias, mas o aperto em seu peito só aumentava.
Seu pai acabara de lhe contar algo que parecia impossível.
Algo que mudaria sua vida para sempre.
Atrás dela, Augusto Andrade estava sentado em uma das poltronas de couro escuro. O homem parecia mais velho naquela noite. As rugas em seu rosto estavam mais profundas, e seus olhos carregavam um cansaço que Luna nunca tinha visto antes.
Mesmo assim, ela não conseguia sentir pena.
Estava furiosa.
— Não existe outra saída — disse ele pela terceira vez.
A voz soava cansada, quase derrotada.
Luna fechou os olhos por um instante antes de se virar lentamente.
— Você está me dizendo que quer me vender?
Augusto levantou a cabeça imediatamente.
— Não fale assim.
— Então explique melhor porque parece exatamente isso.
O homem suspirou pesadamente.
— A situação é muito mais complicada do que você imagina.
— Tente me explicar.
Ele passou a mão pelos cabelos grisalhos.
— A empresa está quebrada.
Luna cruzou os braços.
— E?
— Estamos afundados em dívidas.
— Ainda não entendi onde eu entro nessa história.
Augusto desviou o olhar.
Aquilo já foi suficiente para fazê-la sentir um mau pressentimento.
— Leonardo Valente quer ajudar.
O nome atingiu Luna como um golpe.
Seu corpo inteiro ficou rígido.
Leonardo Valente.
Mesmo depois de tantos anos, aquele nome ainda despertava uma mistura de raiva e ressentimento.
O homem que ela odiava.
O homem que ela culpava pela queda de sua família.
O homem que transformara os Andrade em motivo de piada nos círculos empresariais.
Luna deu uma risada incrédula.
— Não.
— Luna...
— Não!
Sua voz ecoou pela biblioteca.
Ela bateu a mão sobre a mesa de madeira com tanta força que alguns papéis caíram no chão.
— Qualquer coisa menos isso.
— Você não entende.
— Então me faça entender.
O pai permaneceu em silêncio por alguns segundos.
O relógio antigo na parede continuava marcando o tempo, tornando aquele momento ainda mais angustiante.
Quando finalmente falou, sua voz saiu baixa.
— Ele fez uma proposta.
— Que proposta?
Augusto respirou fundo.
Como alguém prestes a arrancar um curativo doloroso.
— Ele quer se casar com você.
O mundo pareceu parar.
Por alguns segundos, Luna teve certeza de que não ouvira direito.
Talvez fosse o som da chuva.
Talvez sua mente estivesse pregando uma peça.
Mas a expressão do pai confirmava tudo.
— O quê?
— É um casamento de conveniência.
Luna piscou várias vezes.
Tentando processar aquelas palavras.
— Isso é loucura.
— Talvez.
— Talvez?
Ela soltou uma gargalhada nervosa.
— Você realmente perdeu a noção da realidade.
— É a única forma de salvar tudo.
— Tudo o quê?
— A empresa.
— A empresa não vale a minha vida.
— Não é apenas a empresa.
Augusto levantou-se.
Pela primeira vez naquela conversa, parecia verdadeiramente abalado.
— São centenas de funcionários.
— E isso é problema meu?
— São famílias, Luna.
Ela apertou os punhos.
— Então você quer que eu sacrifique minha felicidade por causa de um acordo financeiro?
— Eu quero que você nos ajude.
— Casando com o homem que eu mais odeio?
— Ele não é tão ruim quanto você pensa.
Aquilo foi o limite.
— Não ouse dizer isso.
Augusto ficou em silêncio.
Luna sentia o coração disparado.
As lembranças vieram como uma avalanche.
Anos atrás, quando a rivalidade entre as famílias explodiu.
Os escândalos.
As acusações.
As perdas.
Toda a dor que sua mãe carregou até os últimos dias de vida.
Leonardo Valente representava tudo aquilo.
Era impossível separar o homem do passado.
— Eu nunca aceitaria isso.
— Não diga isso sem pensar.
— Eu já pensei.
— Então pense novamente.
Luna caminhou até a janela.
Precisava de distância.
Precisava respirar.
A chuva continuava caindo sem piedade.
Do lado de fora, o jardim parecia tão perdido quanto ela se sentia naquele momento.
— Você já aceitou a proposta? — perguntou sem olhar para trás.
O silêncio foi suficiente.
Ela virou-se lentamente.
— Você aceitou.
Augusto fechou os olhos.
— Eu precisava ouvir sua resposta.
— Isso não responde minha pergunta.
— Eu disse que consideraria.
— Meu Deus...
Luna levou uma das mãos à testa.
A sensação de traição era quase insuportável.
Seu próprio pai negociara sua vida como se ela fosse uma cláusula contratual.
— Eu não acredito nisso.
— Estou tentando salvar nossa família.
— E destruindo a minha.
Os olhos de Augusto se encheram de tristeza.
— Você acha que isso está sendo fácil para mim?
— Mais fácil do que para mim, com certeza.
O homem não respondeu.
Porque ambos sabiam que ela estava certa.
O silêncio voltou a dominar a biblioteca.
Apenas a chuva e o vento preenchiam o ambiente.
Então o celular de Luna vibrou.
O som fez os dois se sobressaltarem.
Ela retirou o aparelho do bolso e observou a tela acesa.
Número desconhecido.
Uma única mensagem.
Seu coração acelerou imediatamente.
Ela abriu.
"Às 20h. Restaurante Imperial. Não se atrase."
Luna leu a frase uma vez.
Depois outra.
E outra.
Até encontrar a assinatura.
Leonardo Valente.
O sangue pareceu ferver em suas veias.
A audácia daquele homem era inacreditável.
Nem sequer esperara sua resposta.
Já agia como se tudo estivesse decidido.
Como se ela fosse apenas uma peça em seu jogo.
Luna apertou o telefone com tanta força que os dedos ficaram brancos.
Seus olhos permaneceram fixos na tela.
A chuva continuava caindo lá fora.
Mas agora ela tinha certeza de que uma tempestade muito maior estava prestes a começar.
Porque, gostasse ou não, Leonardo Valente acabara de declarar guerra.
E Luna Andrade não pretendia recuar sem lutar.
O silêncio tomou conta da sala.Luna não conseguia desviar os olhos da tela apagada.O relógio.Aquele maldito relógio.Ela o conhecia desde criança.Seu pai o usava em aniversários, reuniões importantes e eventos da família.Era impossível não reconhecer.— Luna...A voz de Leonardo parecia distante.— Diga que eu estou errada.Ela finalmente o encarou.— Eu quero estar errada.Leonardo passou a mão pelos cabelos.— Um relógio não prova nada.Mas a expressão dele dizia outra coisa.Ele também estava preocupado.Muito preocupado.— Você acha que meu pai está envolvido?— Eu acho que ele sabe mais do que está contando.Luna sentiu um aperto no peito.Porque existia algo que ela nunca havia contado a ninguém.Algo que tentara esquecer durante anos.Mas que agora voltava à superfície.— Tem uma coisa que eu nunca disse.Leonardo imediatamente voltou sua atenção para ela.— O quê?Luna respirou fundo.— Na noite em que Gustavo morreu...Sua voz falhou.— Eu vi os dois brigando.O rosto de
— Isso é impossível!A voz de Luna ecoou pelo corredor do hospital.— Como alguém desaparece de um hospital?O médico parecia tão confuso quanto ela.— As câmeras do corredor ficaram fora do ar por sete minutos.— Sete minutos?— Sim.— E ninguém viu nada?— Não.Luna sentiu as pernas enfraquecerem.Leonardo segurou seu braço antes que ela perdesse o equilíbrio.— Respire.— Não me diga para respirar!Ela se afastou.O desespero estava tomando conta.Primeiro Gustavo.Agora sua mãe.Tudo estava acontecendo rápido demais.— Encontraram alguma coisa? — perguntou Leonardo ao médico.O homem hesitou.— Havia isto sobre a cama.Ele entregou um pequeno cartão preto.Leonardo leu.Seu rosto ficou sombrio.— O que está escrito?Sem responder, ele entregou o cartão para Luna.Ela leu em voz alta:"A próxima verdade custará uma vida."Um arrepio percorreu seu corpo.— Quem está fazendo isso?— A mesma pessoa que matou Gustavo.— Você não sabe disso.— Sei.— Como?Leonardo a encarou.— Porque j
Luna sentiu as mãos tremerem.A mensagem ainda estava diante de seus olhos."VOCÊ DEVERIA TER MORRIDO COM SEU FILHO."Aquelas palavras não eram apenas uma ameaça.Eram uma prova.Uma prova de que alguém sabia mais do que deveria.E de que aquele alguém ainda estava observando.— Quem fez isso? — perguntou ela.Leonardo não respondeu imediatamente.Continuava olhando pela janela do quarto.Seu rosto estava tenso.Concentrado.Como se estivesse procurando algo.Ou alguém.— Leonardo.— Não aqui.— O quê?— Não podemos conversar aqui.Helena segurou a mão da filha.— Escute ele.Luna virou-se para a mãe.— Você também?— Pela primeira vez em anos... eu acho que ele está tentando proteger você.Aquela frase a atingiu como um choque.Sua mãe odiava Leonardo.Ou pelo menos ela acreditava nisso.Então por que parecia confiar nele agora?Antes que pudesse perguntar mais alguma coisa, Leonardo falou:— Vou chamar um segurança particular para ficar neste andar.— Você acha que alguém vai tentar
Luna ficou imóvel.As palavras do médico ecoavam em sua mente."Sua mãe tem um tumor."Não.Aquilo não podia estar acontecendo.Primeiro Gustavo.Depois a falência da empresa.Agora sua mãe.Era como se sua vida estivesse desmoronando peça por peça.— É maligno? — perguntou com a voz trêmula.O médico suspirou.— Ainda precisamos de mais exames para confirmar.Luna sentiu as lágrimas escorrerem.Tentou limpá-las rapidamente.Mas era impossível controlar o medo.Ao seu lado, Leonardo permaneceu em silêncio.Sem fazer perguntas.Sem tentar confortá-la.Apenas presente.E, estranhamente, aquilo ajudava.Minutos depois, Luna entrou no quarto.Sua mãe estava acordada.Pálida.Frágil.Muito diferente da mulher forte que sempre conheceu.Ao vê-la, Helena sorriu.— Não faça essa cara.Luna segurou sua mão.— Você me assustou.— Desculpe.— Como está se sentindo?— Cansada.Helena observou a filha por alguns segundos.Então seu olhar foi além dela.Parando na porta.Em Leonardo.O sorriso desa





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