Mundo ficciónIniciar sesión“Diga o seu preço, Samanta. Eu sei que todo mundo tem.” Lorenzo Bellini não acredita em amor — apenas em controle, poder e variáveis que podem ser compradas ou dominadas. CEO da SafeTech Solutions, ele construiu um império onde nada foge do seu alcance… até conhecer ela. Em uma noite de luxo e impulsos, ele comete um erro fatal: confunde Samanta Martins com alguém que pode ser comprada. E quando a paixão explode entre eles, Lorenzo acredita que mais uma vez o mundo se resume a um simples acordo. Ele joga dinheiro na cama. Ela responde com um tapa. E naquele instante, ele descobre o único sistema que não consegue hackear. Meses depois, Samanta finalmente conquista o que sempre sonhou: um emprego. Estabilidade. Futuro. Recomeço. Até abrir a porta da sala do presidente. E encontrar ele. O homem que tentou comprá-la. O homem que a humilhou. O homem que ela jurou esquecer. Agora, Lorenzo não quer apenas controlá-la — ele quer possuí-la de novo. Mas desta vez não com dinheiro… com obsessão. Ele é seu chefe. Ela é sua funcionária. Mas entre reuniões, ordens e olhares que queimam mais do que deveriam, uma guerra silenciosa começa a ser travada: poder contra orgulho. Controle contra liberdade. Desejo contra razão. E quando Lorenzo decide que não aceita perder, ele transforma a vida de Samanta em um jogo onde só existem duas opções: ceder… ou ser quebrada. Só que ele esqueceu um detalhe perigoso: Samanta não nasceu para ser posse de ninguém.
Leer másSamanta
O sol da cidade não perdoa, nem mesmo às dez da manhã, e eu já sentia a pele do meu pescoço arder. Eu caminhava apressada pela calçada, sentindo o suor começar a brotar na base da nuca sob meus cabelos castanhos. Minha sapatilha, já gasta de tanto percorrer os corredores da faculdade e as ruas do centro, parecia pesar uma tonelada. Eu acabava de sair do estágio em uma repartição pública — um lugar cinza, onde eu passava quatro horas organizando arquivos que ninguém leria, por uma bolsa-auxílio que mal cobria o valor do meu transporte. Meu celular vibrou no bolso da calça jeans. Um sorriso automático, quase doloroso, surgiu no meu rosto antes mesmo de eu atender. — Oi, mãe! — Minha voz saiu dois oitavos acima do tom normal, vibrante, cheia de uma energia que eu definitivamente não possuía. — Samanta, minha filha! Como você está? — A voz doce de dona Fátima do outro lado da linha me trouxe um aperto instantâneo no peito. — Antônio e eu estávamos comentando que você quase não tem ligado. Está descansando? — Descansar, mãe? Quem tem tempo para isso quando se está conquistando o mundo? — Soltei uma risada leve, forçada, enquanto desviava de um vendedor de guarda-chuvas. — A vida aqui está incrível! O estágio é fascinante, estou aprendendo tanto sobre os processos administrativos... E a correria? Ah, eu amo essa correria! A cidade pulsa, mãe. Sinto que estou exatamente onde deveria estar para crescer na carreira. — Que orgulho, minha guerreira — meu pai, Antônio, gritou ao fundo, provavelmente perto do telefone para não perder nada. — Sabíamos que você ia brilhar aí. Não deixe nada te abalar. — Nunca, pai. Eu sou uma rocha, lembram? — Minha garganta deu um nó seco. — Preciso desligar, estou chegando na empresa de consultoria agora para o segundo turno do dia. Amo vocês! Assim que o "click" do encerramento da chamada soou, meu rosto desabou. A máscara de "jovem executiva de sucesso" caiu no asfalto quente. Eu não estava indo para uma consultoria. Eu estava indo para um prédio comercial decadente, onde passaria as próximas seis horas em um cubículo de um metro quadrado, ouvindo xingamentos através de um headset. "Em que mentira você está se enfiando, Samanta?", pensei, sentindo meus olhos cor de âmbar arderem. Eu olhei para o reflexo de uma vitrine e vi uma farsa. Eu prometi a eles que venceria por conta própria. Prometi que não precisariam se preocupar. Mas a verdade é que eu estava a um passo de ser despejada do meu mini apartamento e a dois passos de uma crise de nervos. O turno no telemarketing foi um inferno particularmente criativo hoje. — Senhor, eu entendo que a sua fatura veio alta, mas... — Tentei falar, mas fui interrompida por um grito tão alto que precisei afastar o fone do ouvido. — Você não entende nada, sua imbecil! — o homem gritava do outro lado. — Vocês são todos ladrões! Eu respirei fundo, contando até dez. Olhei para a tela do computador, o brilho azulado cansando minha vista já exausta. Eu tive uma vontade súbita e quase incontrolável de levantar e bater com a cabeça naquele monitor até que ele — ou eu — parasse de funcionar. Eu sentia cada centímetro do meu corpo protestar. Meus dedos doíam de tanto digitar protocolos inúteis enquanto minha mente vagava pelas contas de luz, água e o boleto da faculdade de Administração que vencia em três dias. Saí de lá às 19:00, sentindo-me como se tivesse sido atropelada por um caminhão. O metrô estava entupido, como sempre. Eu era apenas mais um corpo espremido entre centenas, segurando-me na barra de metal fria enquanto o trem balançava em direção à estação da faculdade. Meu estômago roncou, um lembrete cruel de que meu almoço tinha sido uma barra de cereal murcha. Quando finalmente entrei no campus, a iluminação amarelada dos postes parecia zombar da minha olheira. Mas então, eu a vi. — Samanta!!! Minha deusa das finanças e da desgraça! — Emma veio correndo, os cabelos coloridos balançando e um sorriso que parecia iluminar todo o pátio. Emma era o oposto de mim: leve, descontraída e com uma capacidade única de ver graça no caos. No momento em que ela me abraçou, eu simplesmente desabei. Não chorei — eu não tinha energia nem para lágrimas —, mas meus ombros caíram e eu me apoiei nela como se minhas pernas tivessem virado gelatina. — Amiga, eu não aguento mais... — confessei, minha voz saindo como um sussurro quebrado. — Trabalhar em dois lugares está me matando. O estágio paga tão mal que eu não consigo nem comprar um lanche aqui na lanchonete da faculdade, Emma. O telemarketing está drenando minha alma. Eu estou exausta de mentir para os meus pais. Emma me afastou um pouco, segurando meus ombros com firmeza. Ela me olhou de cima a baixo, seus olhos brilhando com uma ideia que eu sabia que seria perigosa. — Escuta aqui, Sam. Você é muito bonita, magra e tem esses olhos âmbar que são um crime contra a humanidade de tão lindos. Eu conheço alguém... minha prima, Anna, é modelo e vive fazendo uns extras que pagam muito bem. Coisa de nível alto, sabe? E o melhor: é tudo no final de semana. — Extras? Que tipo de extras, Emma? — Perguntei, desconfiada, enquanto nos sentávamos em um banco. — Eventos, recepção de luxo, coisas assim. Espera aí! — Ela pegou o celular e já começou a discar. — Vou ligar para a Anna agora. — Emma, não! Eu não levo jeito para... — Shh! — Ela me calou e colocou no viva-voz. — Oi, priminha! — Anna atendeu após o terceiro toque. Sua voz era elegante, arrastada. — Anna, preciso de um favor. Tenho uma amiga aqui, a Samanta, que é um espetáculo de mulher. Tem algum evento esse fim de semana que você consiga encaixar ela? Ela precisa de um extra urgente. Houve um silêncio do outro lado. Eu prendi a respiração. — Na verdade, tenho sim — Anna respondeu. — É uma feira internacional de carros de luxo. Precisamos de meninas para apresentar os modelos novos para uns velhos bilionários que adoram ostentar. O pagamento é excelente, Emma. Daria para pagar as mensalidades dela por uns dois meses só com esse sábado. Meu coração deu um salto. Dois meses de sossego? Aquilo soava como um milagre. Eu poderia comer algo decente ao invés de miojo todas as noites. Mas a voz da minha consciência, sempre alerta, gritou. — Anna, desculpa... aqui é a Samanta — falei, aproximando-me do celular. — Não tem nada de errado nisso, né? Quero dizer, é só recepção mesmo? — Claro que não tem nada errado, querida! — Anna riu pelo viva-voz. — É um evento de elite, segurança total. Você só precisa ficar bonita ao lado de um motor potente e sorrir. Nada de toques, nada de conversas estranhas. É business. Topa? Eu olhei para Emma. Ela fez um sinal de positivo com as mãos. Eu pensei no boleto da faculdade. Pensei na poltrona velha do meu pai que eu queria trocar. Pensei no mofo do meu apartamento. — Eu topo — respondi, sentindo o peso do meu destino mudar de direção. O sábado chegou com uma ansiedade que me fez perder o apetite. Anna passou no meu pequeno apartamento no horário combinado. Quando ela entrou, parecia um ser de outro planeta naquele cubículo cinza. Ela trazia uma capa de proteção de roupas nos braços. — Aqui está, Cinderella. Seu uniforme — ela disse, estendendo a peça. Era um vestido preto tubinho, de um tecido que parecia seda fria. Ele era simples, mas o corte era impecável, moldando-se ao meu corpo de uma forma que eu nunca tinha visto. Junto com ele, um par de saltos agulha que me deixariam com quase um metro e oitenta de altura. — Veste logo. Estamos atrasadas. Quando terminei de me arrumar e me olhei no espelho do banheiro, eu não reconheci a mulher que me devolvia o olhar. O vestido realçava minhas curvas naturais, e a maquiagem leve que Anna me ajudou a fazer destacava meus olhos âmbar de uma forma quase predatória. Estávamos vestidas iguais, como duas estátuas de ébano prontas para um desfile. Entramos no carro dela e o trajeto até o pavilhão de exposições pareceu durar segundos. O prédio era imponente, cercado por seguranças de terno e uma fila de carros que custavam mais do que eu ganharia em dez vidas. — Samanta — Anna disse, colocando a mão no meu braço enquanto descíamos do carro. Eu estava tremendo por dentro. — Respire. Você é linda, está poderosa e ninguém aqui sabe que você mora em um apartamento de um cômodo. Hoje, você é o que esse vestido diz que você é. Não tenha medo. Eu assenti, forçando o queixo para cima. O ar condicionado do pavilhão me atingiu assim que as portas de vidro se abriram. O cheiro de couro novo, champanhe caro e perfumes importados era inebriante. Eu não sabia, mas naquele oceano de luxo e testosterona, um par de olhos castanhos e gélidos já estava pronto para me encontrar Eu respirei fundo. Ajeitei o decote do tubinho preto. Dei o primeiro passo em direção ao meu maior erro — e ao meu único destino.SamantaO clique da porta de carvalho se fechando atrás de mim soou como o martelo de um juiz anunciando uma sentença de morte. O silêncio da sala da presidência era pressurizado, carregado de uma tensão que fazia meus pulmões arderem. Eu não me virei imediatamente; precisei de dois segundos para montar minha máscara de indiferença, escondendo o fato de que meu coração tentava escapar pelo peito.— O que você está fazendo aqui, Samanta? — A voz de Lorenzo não era mais a do CEO polido que falava com Elisabeth. Era um rosnado baixo, perigoso.Virei-me devagar. Ele estava parado atrás da sua imensa mesa de ébano, mas não parecia um executivo; parecia um predador que acabara de encontrar uma presa que julgava ter escapado.— Eu trabalho aqui, Sr. Bellini — respondi, forçando uma neutralidade que eu não sentia. — No setor comercial administrativo.Ele soltou uma risada seca, sem um pingo de humor.— Trabalha? Ou está me perseguindo? — Ele contornou a mesa com passos lentos, a aura de poder
SamantaO ar parecia ter sido sugado de todo o trigésimo andar. Eu virei de costas imediatamente, sentindo o sangue martelar nas minhas têmporas com tanta força que minha visão periférica escureceu. Meus dedos agarraram a borda da mesa com tanta força que os nós das mãos ficaram brancos.— É ele — sibilei para Emma, mal movendo os lábios. — Emma, pelo amor de Deus, é ele!Emma, que já estava em alerta desde que a presença magnética de Lorenzo Bellini cruzou o corredor, não precisou de uma segunda explicação. Com uma agilidade impressionante, ela deslizou sua cadeira, trocando de lugar comigo para obstruir a visão direta de qualquer um que olhasse em nossa direção.— Banheiro. Agora. Vai! — ela murmurou de volta, fingindo que analisava uma planilha complexa.Eu me abaixei ligeiramente, usando as divisórias das mesas como escudo, e comecei a me mover sorrateiramente em direção ao corredor lateral que levava aos toaletes. Enquanto me afastava, as vozes no corredor central se tornaram nít
SamantaTrês meses depois...O som rítmico dos teclados e o murmúrio constante de chamadas de vídeo em inglês e alemão haviam se tornado a minha nova trilha sonora favorita. Eu não estava mais em um cubículo abafado de telemarketing ouvindo reclamações de faturas atrasadas, nem correndo entre arquivos empoeirados de uma repartição pública. Agora, eu estava no trigésimo andar da SafeTech Solutions, cercada por painéis de vidro que revelavam a imensidão da cidade e uma cafeteira que moía grãos selecionados na hora.Minha vida havia mudado de uma forma que eu ainda tinha dificuldade de processar. Graças à indicação do Professor Carvalho, Emma e eu havíamos passado no rigoroso processo seletivo para o departamento administrativo comercial. No começo, achei que meu coração fosse sair pela boca quando assinei o contrato, mas o foco no trabalho e a necessidade de sobrevivência me empurraram para frente.O reflexo que eu via no espelho do banheiro da empresa hoje era diferente daquela Samanta
SamantaA luz do sol filtrava-se pelas cortinas de linho pesado, desenhando linhas douradas sobre o lençol de fios egípcios. Eu pisquei os olhos devagar, sentindo o peso do sono se dissipar. Por um segundo, meu cérebro tentou me convencer de que tudo não passava de uma fantasia arquitetada pela minha mente exausta, mas o leve latejar nas minhas coxas e a sensação de plenitude no meu corpo me diziam o contrário.Não foi um sonho.Eu me espreguicei, sentindo-me viva de uma forma que o telemarketing e os arquivos da repartição pública nunca permitiriam. Eu estava dolorida, mas era uma dor deliciosa, um lembrete físico de cada toque, cada beijo e cada entrega da noite anterior. O cheiro de Lorenzo ainda estava impregnado na minha pele — aquele aroma de sândalo e poder que agora parecia ser o meu oxigênio.O som de água caindo veio do banheiro anexo. Levantei-me, deixando o lençol escorregar, e caminhei descalça seguindo o barulho. A porta estava entreaberta. O vapor do chuveiro criava uma










Último capítulo