Mundo ficciónIniciar sesiónMaya Soares encontra a sua paz entre os livros da livraria Páginas de Mel. Mas o seu mundo colide com a escuridão quando Arthur Valmont, um bilionário de possessividade alarmante, cruza o seu caminho. Determinado a possuir a única mulher que resistiu ao seu poder, Arthur compra o prédio da livraria e ameaça fechar as portas. Encurralada para salvar o sustento da família, Maya assina um contrato para se tornar sua assistente pessoal. Presa no vigésimo andar e sob as regras predatórias dele, ela terá de lutar para não se perder numa química avassaladora, enquanto Arthur deixa claro que ela já pertence ao mundo dele.
Leer másMaya narrando
O cheiro de café fresco e baunilha é, sem dúvida, a minha parte favorita do dia. Aos 21 anos, sinto que a vida finalmente começou a sorrir para mim. Trabalhar na Páginas de mel não é apenas um emprego para pagar as contas; é o meu lugar de paz. Prendo meu cabelo em um coque bem alto, ajusto meu avental rosa e me olho no espelho atrás do balcão. Minha pele retinta parece brilhar sob as luzes quentes da cafeteria. Eu gosto do que vejo e da forma como consigo fazer as pessoas sorrirem apenas retribuindo a gentileza que recebo. — Mais um dia brilhante, não é, Seu John ? — grito, acenando para o senhorzinho que limpa a calçada vizinha através da vitrine. Eu sou assim. Minha mãe sempre disse que meu coração é "doce demais para esse mundo", mas eu prefiro acreditar que a doçura é um superpoder. Se eu espalhar luz, o mundo não pode ser tão escuro assim, certo? Vou para trás do balcão e começo a organizar os muffins de mirtilo. Estou cantarolando uma música qualquer quando o sino da porta toca, anunciando uma nova presença. Eu não levanto os olhos imediatamente, terminando de ajeitar a vitrine de vidro. — Bom dia! Em que posso ajud... — As palavras morrem na minha garganta assim que eu olho para cima. Meu coração dá um solavanco violento contra o peito. Parado ali, me encarando de uma forma que me faz perder o fôlego, está um homem que parece ter saído de uma capa de revista de luxo, mas com algo perigosamente diferente. Ele é alto, muito alto, e veste um terno sob medida que grita poder e dinheiro. Seus cabelos loiros são perfeitamente alinhados, e os olhos dele... meu Deus, são de um azul tão claro e profundo que chegam a ser gélidos. Ele não sorri. Ele apenas me observa com uma intensidade esmagadora, como se estivesse me despindo a alma. Um arrepio desconhecido corta a minha espinha, fazendo os pelos dos meus braços se arrepiarem instantaneamente. Arthur narrando Odeio atrasos. Detesto o barulho infernal da cidade e me irrita ainda mais o fato de o meu motorista ter sido obrigado a parar nesta rua barulhenta por causa de um bloqueio no trânsito. Eu estava prestes a pegar o celular para exigir uma rota alternativa, até que a vi pela janela fumada do carro. Ela estava sorrindo para um velho na calçada. Um sorriso tão puro e genuíno que parecia carregar todo o calor do sol que sempre faltou na minha vida fria. Eu não consegui desviar o olhar. A pele dela, escura, rica e impecável, brilhava contra o avental claro. A maneira como ela se movia — com uma leveza quase angelical, alheia ao caos do mundo lá fora — causou um nó violento no meu estômago. "Senti meu corpo reagir de imediato, o sangue fervendo sob o tecido caro da minha calça antes mesmo que eu pudesse processar o que estava acontecendo. Aquela visão inocente acendeu em mim um desejo bruto, carnal e perigoso." Eu precisei entrar. Eu precisei reivindicar a proximidade daquela criatura. Assim que passo pela porta, o cheiro doce de açúcar e baunilha invade os meus pulmões, mas é o olhar assustado dela que me paralisa. Ela é ainda mais deslumbrante de perto. Seus olhos são grandes, castanhos e transmitem uma inocência que me irrita e me fascina na mesma proporção. Quero corromper aquela pureza, mas também quero escondê-la do resto do mundo. Dou dois passos firmes em direção ao balcão, a minha ereção pesada e evidente marcando o terno, mas não me importo. O meu foco está inteiramente nela. — Um café preto — eu digo. A minha voz sai mais rouca e tensa do que eu planejava, arrastada pelo desejo que me consome. — E o seu nome. Ela pisca, sobressaltada com a minha crueza. Vejo um leve rubor subir pelas suas bochechas escuras, os seus dedos pequenos apertando o tecido do avental com nervosismo. É a coisa mais adorável e excitante que já presenciei. — Meu nome é Maya — ela responde, a voz suave como veludo, embora ligeiramente trêmula. — E o café preto sai em um minuto, senhor...? — Arthur — respondo, sem desviar os olhos por um segundo sequer dos lábios cheios dela. — E eu não tenho pressa, Maya. Na verdade, acho que vou ficar aqui por muito tempo. Eu não estou mentindo. Enquanto a observo virar de costas para pegar a xícara, admirando a curvatura perfeita do seu quadril, uma certeza obsessiva instala-se na minha mente: eu a encontrei. E agora que a minha escuridão tocou a luz dela, não há a menor chance de eu deixá-la ir. Ela já é minha.Maya narrando Os sinos da catedral ainda ecoavam pelas avenidas de Manhattan quando o nosso sedã blindado estacionou diante do salão de festas do clã, onde o banquete de casamento foi preparado para a alta sociedade. O cerco invisível de segurança montado por Arthur e Klaus controlava rigorosamente o perímetro, mas dentro do salão, o clima era de pura opulência. Ao entrar no recinto, de braços dados com o meu marido, sou recebida por uma ovação de palmas. Caminho com a postura firme do meu temperamento forte , sentindo o peso maravilhoso da cauda do meu vestido de renda francesa arrastar-se com imponência pelo chão de mármore. O penteado meio preso, adornado com fios de ouro e pérolas, mantinha-se perfeitamente intacto, coroando os meus fios crespos que reluziam sob os imensos lustres de cristal. Nós nos dirigimos à mesa de honra, onde duas cadeiras de marfim em formato de trono nos aguardavam. Alinhados ao nosso lado estavam os berços de madeira nobre dos nossos gêmeos de cinc
Maya narrando Cinco meses se passaram voando sob o céu de Manhattan. Tempo suficiente para que a rotina da cobertura se transformasse em um caos perfeitamente coreografado pelo controle doente do Arthur. Meus bebês já não são aqueles recém-nascidos frágeis da UTI neonatal; agora, com quase meio ano de vida, Aarav e Zuria transbordam saúde, enchendo os corredores de marfim com risadas que afugentaram de vez as últimas sombras do passado.Hoje é o dia do nosso grande casamento. Um evento grandioso que Manhattan esperou por meses para assistir.Estou sentada na suíte presidencial de um hotel de luxo próximo à catedral, cercada por uma equipe de elite de estilistas, cabeleireiros e maquiadores que Arthur contratou para me preparar. O clima é de pura efervescência. A equipe trabalha com uma sincronia impecável. O foco principal é o meu cabelo: o cabeleireiro esculpe os meus fios crespos com uma delicadeza artística, criando um penteado bem bonito, meio preso, adornado com pequenas pérolas
Maya narrando A névoa da anestesia ainda pesa nos meus ombros, e as dores agudas dos novos pontos na minha barriga lembram-me de cada segundo do inferno que enfrentei naquela mesa de cirurgia. Mas o alívio que corre nas minhas veias é mais forte que qualquer analgésico. A febre passou. O meu corpo está limpo, e a sala de recuperação do hospital transformou-se no nosso verdadeiro santuário. A porta dupla do quarto se abre com um farfalhar suave. A enfermeira-chefe entra acompanhada por um cerco de segurança, empurrando os dois pequenos berços acrílicos da UTI neonatal. — É a hora da primeira mamada, Sra. Valmont — a enfermeira anuncia com um sorriso respeitoso. — Eles estão estáveis, famintos e prontos. O meu coração falha uma batida. Olho para o lado e vejo o Arthur postado como uma estatua de ferro ao pé da minha cama. O terno preto está amassado, os olhos azuis carregam veias vermelhas de quem não dorme há dias, mas a postura dele é a de um predador pronto para rasgar a garganta
Maya narrando O som rítmico e bipante dos monitores cardíacos parece ecoar vindo do fundo de um oceano escuro. Aos poucos, a névoa pesada da anestesia geral começa a se dissipar da minha mente. Sinto a minha pele fria, mas a queimação tóxica da febre finalmente sumiu. Abro os olhos devagar, piscando contra a claridade difusa da sala de recuperação da clínica. A primeira coisa que sinto é um alívio físico esmagador no meu baixo ventre. A pressão dilacerante que me torturava há meses desapareceu, deixando no lugar o repouso doloroso, mas limpo, dos novos pontos cirúrgicos. O meu gênio forte e a minha personalidade altiva despertam sutilmente quando olho para o lado e vejo a sala finalmente pacificada. Sentado em uma cadeira colada à minha maca, com a cabeça baixa e as mãos grandes cobrindo o rosto, está Arthur. O terno preto sob medida está amassado, as mangas da camisa arregaçadas, e os seus fios loiros desalinhados mostram que ele passou pelo próprio inferno do lado de fora daquela





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