Matteo Mancini
O beijo não deveria ter acontecido.
Não porque foi errado — eu não penso nesses termos. Errado é perder território. Errado é baixar a guarda. Errado é permitir que alguém enxergue a fissura antes do golpe.
E eu permiti.
Desde aquele corredor, minha mente não encontra silêncio. O gosto de Giulia insiste como uma afronta. Não foi desejo simples. Foi impulso. Perda de cálculo.
Eu não ajo sem cálculo.
Quebro copos.
Quebro homens.
Quebro alianças.
Mas não quebro regras.
E Giulia Moretti atravessou uma que eu mesmo desenhei… porque deixei.
Estou no escritório quando o telefone vibra.
— Don, temos confirmação — diz Salvatore. — Não são boatos.
Fecho os olhos.
— Fale.
— Os russos. Três pontos da costa. Armas entrando por rotas novas.
Aperto o copo de uísque.
— Figli di puttana.
A máfia russa não se move sem paciência. Se estão avançando, acreditam que estou vulnerável. Talvez estejam certos.
— Eles querem Nápoles — digo. — Não negociação. Invasão.
— Sim, Don. E há mais.
O silên