Giulia Moretti
A casa de Matteo Mancini não dorme.
Ela vigia.
Aprendi isso rápido demais. Os corredores são longos e silenciosos, frios como se as paredes tivessem ouvidos. Mesmo quando estou sozinha, sinto presença. Passos contidos. Portas que se fecham sem ruído. Homens de terno em pontos estratégicos demais para serem apenas funcionários e seguranças.
Famílias normais não precisam deles.
Foi ali que a ficha começou a cair. As vozes baixas, o respeito excessivo. O modo como diziam o nome dele, sempre precedido por um título que não se explica.
— Sì, Don Mancini.
— Come preferir, Don.
Não era admiração. Era submissão.
E isso me deu medo.
Desde a humilhação silenciosa na sala, meu corpo vive em alerta. Obedeço tudo: horários, distância, postura. Não pego Sophia no colo a menos que seja necessário. Não sorrio demais. Não falo além do essencial. Tento desaparecer.
Mas o medo não vai embora.
Ele se instala.
À noite, no quarto simples dos funcionários, penso na mamma. No hospital. Nos ex