Matteo Mancini
O silêncio da minha casa sempre foi uma extensão do meu domínio.
Ele não questiona. Não hesita. Apenas existe, firme e obediente.
Por isso eu sinto quando algo sai do lugar.
Não é um som — é um deslocamento interno. Um erro no ritmo. Um desconforto antigo que aprendi a respeitar porque, no meu mundo, ignorar sinais custa vidas.
Estou no corredor quando Enzo se aproxima. O passo dele é contido demais.
— Don… — começa.
— Fala — ordeno, sem parar.
— É sobre a bambina… Sophia.
Meu corpo reage antes da mente. O maxilar trava.
— O que houve?
Ele hesita. Erro grave.
— Ela chamou a nova babá de… mama.
Paro, travou naquele momento.
Não por choque.
Por controle absoluto.
O ar fica denso. O mundo se estreita. Há coisas que simplesmente não são permitidas dentro do meu território.
— Cosa? — minha voz sai baixa, perigosa.
— Na frente dos outros — completa Enzo. — Ela estava no colo dela.
Territorialidade. É isso que me invade. Não raiva cega — precisão. Um instinto antigo que não a