Mundo de ficçãoIniciar sessãoCom o pai entre a vida e a morte e as dívidas engolindo cada possibilidade de escolha, Elena Duarte não atravessa a fronteira por ambição. Ela atravessa por desespero. Sem documentos. Sem garantias. Com medo suficiente para desistir… e coragem suficiente para continuar. Nova York não é promessa. É ameaça. O emprego como babá residente parece a única chance de manter a família de pé: um contrato discreto, um teto, um salário capaz de salvar tudo. Ela só não imaginava que o maior perigo não estaria na cidade. Estaria no homem que a contratou. Sebastian construiu um império aprendendo que sentimentos custam caro. Viúvo desde o dia em que a esposa morreu ao dar à luz, transformou culpa em disciplina e dor em regras. Para ele, permitir-se qualquer felicidade depois daquele dia sempre soou como traição. Na sua casa não há espaço para erros. Nem para apego. Muito menos para amor. Lily cresceu sob esse mesmo código: quietamente perfeita, sempre cuidadosa demais, como se amar precisasse ser merecido. Nenhuma babá permaneceu. Até Elena. Ela não invade. Não exige. Apenas fica. E, pela primeira vez em anos, Lily volta a sorrir. Para qualquer pai, isso seria alívio. Para Sebastian, é o início do colapso. Porque felicidade cria vínculos — e vínculos significam ter algo a perder. Ele sabe que Elena está ilegal no país e que bastaria uma denúncia para apagá-la da sua vida. Mesmo assim, permite que ela permaneça. Primeiro por necessidade, depois por algo que ele se recusa a nomear. Mas segredos não ficam enterrados para sempre. E quando a verdade ameaça vir à tona, Sebastian precisará escolher entre continuar protegido atrás das próprias regras… ou arriscar tudo pela única mulher que devolveu luz à sua casa. Porque amar pode ser um risco. Mas deixar partir pode ser irreparável.
Ler maisAcordei com a luz entrando pela janela.Por alguns segundos, não soube onde estava.O lençol escuro.O cheiro dele.O silêncio pesado do quarto.Então lembrei.Sebastian.A noite.A escolha que eu tinha feito com a boca, com as mãos, com cada parte de mim que deveria ter sido mais forte.Levantei rápido demais e precisei segurar a beirada da cama.Meu corpo reclamou no mesmo instante.Não era dor exatamente.Era um cansaço fundo, espalhado, uma lembrança silenciosa da noite que eu tinha passado nos braços de Sebastian até perder a noção das horas.Fechei os olhos por um segundo.Eu nem sabia quando tinha dormido.A última coisa de que me lembrava era o calor dele, a respiração pesada contra minha pele, a voz baixa dizendo meu nome como se ainda tentasse me manter ali.Depois, nada.Só exaustão.Só sono.Só aquela s
Sebastian não respondeu com palavras.Ele veio até mim.Dessa vez, sem calma.Sem aquela distância elegante que ele usava para parecer intocável.A mão dele segurou meu rosto, e antes que eu conseguisse respirar direito, sua boca tomou a minha.Não foi delicado.Foi necessário.Foi como se tudo o que ele tinha segurado desde o almoço tivesse quebrado de uma vez.Soltei um som baixo contra sua boca, e aquilo pareceu acabar com o resto do controle dele.Sebastian me puxou pela cintura, colando meu corpo ao dele, e eu senti a força contida em cada músculo, em cada respiração pesada, em cada segundo em que ele ainda tentava não ultrapassar o limite que eu não tinha dado.Minhas mãos agarraram sua camisa.Apertei o tecido com força.Ele gemeu meu nome contra minha boca.Baixo.Rouco.Quase perigoso.— Elena.Aquilo me incendiou.Não havia mais pensamento.Não havia manhã seguinte.Não havia chave, apartamento, pai dele, mundo dele.Havia apenas Sebastian me beijando como se eu fosse a únic
O silêncio de Sebastian depois do pedido de Lily ficou atravessado em mim.— Pede para ela ficar.Eu tinha ouvido a frase do corredor.Tinha sentido cada palavra passar pela fresta da porta e alcançar um lugar dentro de mim que eu tentava proteger desde o almoço.Mas Sebastian não pediu.Não naquele momento.Não usando Lily.E talvez isso tenha doído ainda mais.Fiquei imóvel, com a testa apoiada na parede, ouvindo os sons baixos dentro do quarto. A voz dele vinha controlada, quase cuidadosa, como se qualquer palavra errada pudesse partir a filha em pedaços menores.— Vem cá — ele disse, baixo.Não ouvi a resposta de Lily, mas ouvi o colchão afundar outra vez. Imaginei o corpo pequeno dela se aproximando do pai, talvez ainda segurando o coelho, talvez tentando não chorar porque chorar parecia admitir que doía.Fechei os olhos.Eu tinha feito aquilo.Mesmo sem querer.<
Lily saiu pelo corredor sem olhar para trás.Por alguns segundos, fiquei parada na sala de brinquedos, como se meu corpo ainda não tivesse entendido que precisava se mover. O som dos passos dela foi ficando menor, rápido demais para uma criança que não estava correndo.Apertei o celular na mão.Eu devia ter ido atrás dela no mesmo instante.Devia ter explicado.Devia ter dito qualquer coisa que impedisse aquele silêncio de crescer entre nós.Mas nenhuma frase parecia grande o bastante para desfazer o que ela tinha ouvido.Quando finalmente saí da sala, Lily já estava perto do quarto. O coelho de pelúcia balançava em sua mão, quase arrastando no chão.— Lily — chamei, com a voz baixa. — Espera.Ela parou diante da porta, mas não virou.Meu coração apertou.Aproximei-me devagar, como se qualquer movimento brusco pudesse afastá-la ainda mais.— Meu amor…— Você não gosta mais daqui?A pergunta saiu pequena.E me atingiu como se fosse enorme.— Não. Não é isso.Ela virou só um pouco o ros





Último capítulo