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CAPÍTULO 7 — TRÊS PERGUNTAS

— Senhorita Elena Duarte, este é o senhor Sebastian Gray, CEO da Gray Enterprises e pai da pequena Lily.

Meu coração deu um salto no peito.

Era ele.

Mesmo através da tela havia algo na postura dele que mudava completamente o peso da reunião. Sebastian Gray estava sentado em um escritório amplo, com uma parede de vidro atrás dele revelando parte da cidade. O rosto era exatamente como eu lembrava das poucas fotos que tinha encontrado na internet: sério, contido, impossível de ler.

Respirei fundo antes de falar.

— Good… good afternoon, Mr. Gray. My name is Elena Duarte. It’s a pleasure to meet you.

Assim que terminei percebi que tinha falado rápido demais. As palavras saíram atropeladas, como se meu nervosismo tivesse corrido na frente de mim.

Sebastian continuou olhando diretamente para a câmera por alguns segundos.

Então respondeu.

— Boa tarde, senhorita Duarte.

Por um instante minha mente demorou a entender.

Português.

O calor subiu imediatamente pelo meu rosto. Senti as bochechas esquentarem e, no canto da tela, ouvi um som curto vindo da câmera de Verônica.

Não chegou a ser exatamente uma risada.

Mas foi perto disso.

Meu estômago apertou na mesma hora.

Verônica abaixou o rosto rapidamente para o tablet à frente dela, como se estivesse anotando alguma coisa, mas o constrangimento já tinha me alcançado. Eu sabia exatamente o que tinha acontecido.

Eu tinha acabado de me apresentar em inglês…

para um homem que falava português.

Sebastian moveu o olhar para a tela dela.

— Eu falei algo engraçado, senhorita Verônica?

Ela ergueu o rosto imediatamente e endireitou a postura.

— Não, senhor Gray.

O silêncio que veio depois pareceu cuidadosamente calculado.

— Continue — ele disse apenas.

Victoria retomou a condução da reunião com um sorriso profissional.

— Senhor Gray, a senhorita Elena estava me contando que já trabalhou com crianças e que cursou pedagogia por um período. Ela tem experiência com rotina, organização e acompanhamento escolar.

Assenti de leve.

Sebastian não reagiu.

Ele apenas continuou olhando para a tela, como se estivesse analisando algo além das palavras.

Então se inclinou um pouco para frente na cadeira. Na mão dele havia uma folha de papel.

Ele passou os olhos rapidamente pelo documento antes de levantar o olhar novamente.

— Senhorita Duarte.

Minha postura se endireitou automaticamente.

— A senhorita tem vinte e um anos, correto?

Meu estômago apertou.

Aquela pergunta parecia simples demais… e mesmo assim soava como o início de um julgamento.

— Sim.

Ele assentiu de leve, confirmando algo que já sabia.

— Então me explique uma coisa.

Meu corpo ficou alerta antes mesmo da pergunta vir.

— Por que uma mulher de vinte e um anos decidiria sair do próprio país para trabalhar dentro da casa de um homem que não conhece?

O silêncio depois da pergunta pareceu pesado.

— Sem suporte familiar. Sem garantias reais sobre o ambiente onde irá viver.

Ele continuava me observando.

— Especialmente sabendo que dentro da minha casa existem regras claras, rotina rígida e nenhuma tolerância para irresponsabilidade.

Senti um arrepio leve percorrer minhas costas.

— Enquanto pessoas da sua idade estão aproveitando a juventude, saindo, viajando, construindo uma vida social…

Ele inclinou levemente a cabeça.

— A senhorita estaria abrindo mão de tudo isso para cuidar da minha filha.

Respirei fundo antes de responder.

Eu poderia inventar uma resposta bonita. Algo emocional.

Mas aquilo não seria verdade.

— Pelo salário.

A resposta saiu antes que eu pensasse demais.

Vi Victoria piscar surpresa.

Verônica levantou os olhos do tablet.

Sebastian, no entanto, não reagiu imediatamente.

Apenas continuou me observando.

Meu coração bateu um pouco mais forte.

— Eu não estaria aqui se esse trabalho não valesse a pena — acrescentei.

Minha voz saiu firme.

— É uma oportunidade grande.

O silêncio voltou.

Sebastian continuou olhando para mim por alguns segundos, como se estivesse avaliando cada palavra.

Então fez a segunda pergunta.

— A senhorita é boa em seguir regras, senhorita Duarte?

A pergunta parecia simples.

Mas havia algo na forma como ele disse aquilo que fez um frio leve percorrer minha espinha.

— Sim.

Ele manteve o olhar fixo na tela.

— Dentro da minha casa existem horários, rotinas e limites muito claros. Eu não contrato pessoas que acreditam que podem adaptar regras à própria conveniência.

Respirei fundo.

— Eu sei seguir regras.

O silêncio voltou por alguns segundos.

Sebastian apoiou o papel sobre a mesa.

— Última pergunta.

Meu corpo inteiro ficou atento.

— A senhorita entende o peso de trabalhar para a família Gray?

A pergunta veio calma.

Mas havia algo nela que parecia maior do que apenas um emprego.

Antes que eu pudesse responder, Verônica levantou os olhos do tablet.

— Caso seja selecionada, senhorita Duarte, será necessário assinar um contrato de confidencialidade. Nenhuma informação sobre a família Gray pode sair daquela casa.

Assenti devagar.

— Eu entendo.

Sebastian continuou olhando para mim por alguns segundos.

Então pegou a caneta sobre a mesa e fez uma pequena anotação na folha diante dele.

O gesto foi rápido.

Controlado.

Como se tivesse acabado de registrar alguma coisa importante.

Meu estômago apertou de novo.

Eu não tinha a menor ideia do que ele tinha escrito ali.

Mas tive a estranha sensação de que aquilo podia decidir o meu futuro.

Ele levantou os olhos novamente.

— Ótimo.

Uma pausa curta.

— Reunião encerrada.

Por um instante achei que tinha ouvido errado.

Eu ainda tinha muitas coisas para dizer.

Queria explicar melhor minhas experiências, falar do trabalho com as crianças, mostrar que eu realmente era capaz.

Mas antes que qualquer palavra saísse da minha boca, a imagem dele simplesmente desapareceu da tela.

Fiquei olhando para o espaço vazio onde Sebastian Gray estava segundos antes.

Verônica falou primeiro.

— A equipe de recursos humanos entrará em contato caso a candidatura prossiga.

O tom dela era neutro.

Profissional.

Logo em seguida a câmera dela também desapareceu.

Victoria permaneceu na chamada por mais alguns segundos.

— Obrigada pelo seu tempo, Elena.

O sorriso dela era gentil.

— Foi um prazer conhecê-la.

Então a tela escureceu novamente.

E de repente eu estava sozinha.

Fiquei alguns segundos olhando para o meu próprio reflexo na câmera desligada.

Meu coração ainda batia rápido.

Sebastian Gray tinha feito apenas três perguntas.

E mesmo assim eu ainda tinha a sensação incômoda de que não tinha conseguido dizer metade do que queria.

Fechei o notebook devagar.

Porque, de alguma forma estranha…

aquelas três perguntas tinham parecido mais um interrogatório do que uma entrevista.

E a pior parte era que eu não conseguia parar de pensar nele.

Eu ainda não sabia se Sebastian Gray era um gênio…

ou completamente louco.

Mas uma coisa era certa.

O olhar dele ainda parecia preso na minha cabeça.

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