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CAPÍTULO 6 — A ENTREVISTA QUE MUDARIA TUDO

Levantei da cadeira ao lado da cama do meu pai ainda com o peso da conversa com o médico pressionando meu peito. Minha mãe continuava sentada ali, os olhos presos no rosto dele como se qualquer mudança, por menor que fosse, pudesse acontecer a qualquer momento.

Por um instante pensei em dizer alguma coisa, qualquer coisa que quebrasse aquele silêncio pesado. Mas nenhuma palavra parecia suficiente depois de ouvir aquele valor ser dito com tanta naturalidade.

Peguei minha bolsa.

— Você já vai? — minha mãe perguntou, levantando os olhos.

— Preciso resolver algumas coisas.

Ela me observou por alguns segundos, tentando entender aquela resposta.

— Elena… — chamou de novo, mais devagar. — O que você está aprontando?

Meu coração apertou. Minha mãe sempre teve essa capacidade irritante de perceber quando eu escondia alguma coisa. Se eu explicasse agora, ela tentaria me impedir. Diria que não era hora de pensar em viagem, que a gente daria um jeito, que alguma coisa apareceria.

Mas a verdade era que nada aparecia sozinho quando as contas chegavam.

Aproximei-me dela e beijei sua testa.

— Nada. Só preciso resolver umas coisas.

Ela ainda parecia desconfiada, mas o cansaço venceu qualquer tentativa de discussão. Assentiu devagar e voltou a olhar para o meu pai.

Saí do quarto com a sensação estranha de estar deixando alguma parte de mim ali dentro.

O hospital continuava cheio de movimentos silenciosos. Enfermeiros cruzavam os corredores, carrinhos metálicos passavam empurrados com cuidado, portas se abrindo e fechando sem barulho. Tudo parecia acontecer em um ritmo diferente do resto da cidade.

Só a minha cabeça que não parava.

Aquele valor continuava ecoando dentro de mim como um lembrete impossível de ignorar.

Atravessei as portas automáticas e o ar da rua pareceu um pouco mais leve quando finalmente respirei fundo.

Caminhei até o carro e fiquei alguns segundos parada antes de entrar.

Talvez fosse loucura.

Ou talvez fosse a única oportunidade real que tinha aparecido.

Entrei no carro e liguei o motor.

Dirigi tentando não pensar demais, mas era impossível. Cada semáforo fechado parecia tempo suficiente para minha mente repetir o mesmo cálculo inútil: quanto eu ganhava no mercadinho, quantas horas extras conseguia pegar, quanto ainda faltaria.

Mesmo trabalhando o ano inteiro sem parar, eu ainda não chegaria perto.

Dirigi direto para casa.

O bairro já estava completamente acordado quando estacionei em frente ao portão.

Algumas vizinhas conversavam na calçada, um cachorro latia do outro lado da rua, e por um segundo tudo aquilo pareceu distante demais da realidade que girava dentro da minha cabeça.

A casa estava silenciosa.

Deixei a bolsa sobre a mesa da cozinha e caminhei direto para o banheiro. O cheiro do hospital ainda parecia grudado na minha roupa. Liguei o chuveiro e fiquei alguns segundos observando a água cair antes de entrar.

O vapor começou a encher o pequeno espaço enquanto a água quente escorria pelos meus ombros.

Fechei os olhos.

Se aquela entrevista desse certo, eu poderia pagar o exame. Sem empréstimos. Sem vender o carro do meu pai. Sem colocar mais peso nas costas da minha mãe.

Quando saí do banho, caminhei até o quarto ainda enrolada na toalha e abri o guarda-roupa devagar.

Passei os olhos pelas poucas roupas que realmente pareciam adequadas para uma entrevista.

A maioria era simples demais.

Foi então que encontrei a blusa dobrada no canto da prateleira.

Minha mãe tinha me dado aquela peça meses atrás. Lembrei do sorriso dela quando me entregou a sacola dizendo que toda mulher precisava ter pelo menos uma roupa de entrevista no armário.

Naquele dia eu tinha rido.

Agora segurava o tecido entre os dedos como se aquilo fosse um pequeno amuleto de sorte.

Talvez ela estivesse certa.

Vesti a blusa, arrumei o cabelo com cuidado e fiz uma maquiagem leve. Quando me sentei diante do pequeno espelho apoiado na cômoda, fiquei alguns segundos apenas olhando para meu reflexo.

Era estranho pensar que tudo podia mudar por causa de uma única conversa online.

Respirei fundo.

— Good afternoon, Mister Gray…

Parei.

Balancei a cabeça.

— Não.

Tentei novamente, ajeitando a postura.

— Good afternoon, Mister Gray. My name is Elena Duarte.

Observei meu reflexo por alguns segundos.

— Tá… não ficou tão ruim.

Peguei o celular.

Faltavam poucos minutos.

Peguei o notebook da mesa e caminhei até a porta do quarto.

Assim que abri, quase esbarrei em algo no corredor.

— Ei! — minha irmã reclamou, dando um passo para trás.

Ela estava agachada perto da porta, terminando de amarrar o cadarço do tênis.

— Você ainda não saiu para a escola?

Ela se levantou enquanto ajustava a mochila nos ombros e me observou de cima a baixo.

— Relaxa. Ainda tenho tempo.

Cruzei os braços.

— Você sempre diz isso.

Ela estreitou os olhos para mim.

— Por que você está arrumada assim?

Olhei rapidamente para minha roupa.

— Tenho uma entrevista.

— Entrevista?

Assenti.

O sorriso dela apareceu imediatamente.

— Boa sorte então.

Caminhou até a porta da frente, mas antes de sair virou o rosto novamente.

— Tomara que dê certo.

A porta se fechou atrás dela.

O silêncio voltou para a casa.

Fiquei parada por alguns segundos no meio da sala antes de caminhar até a mesa perto da janela e abrir o notebook.

Meu coração começou a bater mais rápido.

Respirei fundo e cliquei no link da reunião.

A tela ficou preta por alguns segundos enquanto a conexão carregava.

Então minha própria imagem apareceu. Meu reflexo me encarava pela câmera.

Por instinto passei a mão pelo cabelo, puxando uma mecha para trás da orelha e ajeitando a postura na cadeira. Minhas mãos estavam frias, então esfreguei os dedos discretamente um no outro antes de respirar fundo.

Eu parecia nervosa.

E provavelmente estava mesmo.

Endireitei os ombros tentando parecer mais segura do que me sentia.

Então a imagem mudou.

Uma mulher apareceu do outro lado da chamada.

Ela parecia ter cerca de quarenta anos, postura elegante, cabelo preso em um coque impecável. Atrás dela havia um escritório amplo e bem iluminado, com uma janela grande mostrando parte dos prédios altos da cidade.

Ela sorriu com gentileza.

— Senhorita Elena Duarte?

Engoli em seco antes de responder.

— Sim.

— Prazer. Meu nome é Victoria. Sou da agência que intermediou a vaga.

Assenti devagar.

— Muito obrigada por participar da entrevista.

— Eu que agradeço pela oportunidade.

Victoria fez uma pequena anotação em um tablet à sua frente antes de continuar.

— Imagino que tenha sido tudo um pouco rápido, então vamos começar com algumas perguntas simples.

A tensão nos meus ombros diminuiu um pouco.

— Claro.

— Você já trabalhou como babá antes?

— Já sim. Cuidei de duas crianças por quase um ano. Um menino de cinco anos e uma menina de três.

Victoria assentiu com interesse.

— E como era sua rotina com eles?

— Eu ajudava com alimentação, brincadeiras, banho, organização dos horários e também acompanhava algumas atividades da escola.

Ela anotou algo novamente.

— Parece que você tem bastante experiência prática.

— Eu gosto muito de trabalhar com crianças.

— E você tem alguma formação na área?

— Eu cursei pedagogia por um período. Precisei trancar por questões familiares, mas pretendo retomar assim que possível.

O sorriso dela se ampliou.

— Isso é excelente.

Conversamos por alguns minutos. As perguntas continuaram simples, quase como uma conversa normal. Aos poucos senti meus ombros relaxarem e minha respiração voltar ao ritmo natural.

Talvez aquela entrevista não fosse tão assustadora quanto eu tinha imaginado.

Então uma pequena notificação piscou no canto da tela.

Victoria olhou rapidamente para o canto do monitor.

— Certo… mais uma pessoa vai entrar na chamada.

Meu estômago se apertou de novo.

Poucos segundos depois uma segunda câmera se conectou.

A mulher que apareceu era completamente diferente de Victoria. O cabelo escuro estava perfeitamente alinhado, a postura rígida e a expressão séria. Parecia jovem, talvez por volta de vinte e sete ou vinte e oito anos, mas não havia qualquer sinal de simpatia no rosto dela

Instintivamente endireitei ainda mais as costas na cadeira.

— Senhorita Duarte — ela disse diretamente. — Sou Verônica, secretária do senhor Gray.

— Prazer — respondi, sentindo a garganta um pouco seca.

Ela não sorriu.

Apenas abriu um documento na frente dela.

— Vamos continuar.

Victoria manteve a expressão gentil, mas recostou um pouco na cadeira, deixando claro que agora a condução da entrevista estava com a outra mulher.

Verônica levantou os olhos para a câmera.

— Você entende que esta vaga exige dedicação integral?

— Sim.

— A criança tem uma rotina rígida. Horários definidos, atividades específicas e acompanhamento constante.

— Eu entendo.

Ela continuou me observando por alguns segundos, avaliando cada detalhe.

— Muitas candidatas já passaram por essa posição — disse por fim. — Nenhuma permaneceu por muito tempo.

Minha mão apertou a borda da mesa.

— Mesmo assim você acredita que consegue lidar com isso?

Respirei fundo.

— Eu não posso perder essa oportunidade.

As palavras saíram antes que eu pudesse pensar muito.

— Talvez seja uma oportunidade grande demais para mim… mas às vezes a chance da nossa vida aparece só uma vez. Mesmo com medo, às vezes a gente precisa tentar.

O silêncio que se seguiu pareceu mais longo do que o normal.

Merda.

Talvez eu não devesse ter falado daquele jeito.

Aquilo soava mais desesperado do que profissional.

Foi então que outra notificação piscou na tela.

A terceira câmera começou a se conectar.

Meu coração disparou de novo.

A imagem carregou devagar.

E então ele apareceu.

Sebastian Gray.

Uma tensão inesperada apertou meu estômago, tão repentina que por um instante minha respiração falhou, como se meu corpo tivesse entendido o peso daquela presença antes mesmo da minha mente.

Ele não disse nada.

Apenas levantou os olhos para a câmera.

E, de repente, tive a nítida sensação de que estava sendo observada de verdade.

O homem que, sem mover um único músculo do rosto, parecia ter tomado o controle da sala inteira.

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