A tarde não passava.
Não avançava, não mudava, não dava trégua. Ficava ali, grudada em mim, pesada, como se o tempo tivesse decidido me provocar só pra ver até onde eu aguentava fingir que estava tudo bem. Eu tentei me ocupar, juro que tentei. Mexi em coisa que não precisava, arrumei o que já estava arrumado, passei pano onde já estava limpo, fui de um lado pro outro sem motivo real.
Mas nada ficava.
Nada me prendia.
Porque sempre voltava.
Pra mesma coisa.
A porta.
Não como um pensamento qualqu