A  EX- ESPOSA SUBSTITUTA E O CEO QUE NÃO SABIA  AMAR

A EX- ESPOSA SUBSTITUTA E O CEO QUE NÃO SABIA AMARPT

Romance
Última atualização: 2026-05-19
Ana Victória  Atualizado agora
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Índice

Dulce sempre viveu à sombra da irmã perfeita. Discreta, apagada e apaixonada em silêncio por Dário Garcia, ela foi obrigada a se casar com ele depois que sua meia-irmã fugiu no dia do casamento. Durante cinco anos, viveu presa em um casamento frio, sustentado apenas por contratos e aparências… até descobrir a traição entre Dário e sua própria irmã. Destruída, Dulce acaba vivendo uma noite impulsiva com um homem misterioso durante um baile de máscaras nas Bahamas. O que ela não imaginava era que ele fosse Damião Guerra, o CEO playboy de uma das maiores empresas de perfumes do país. Quando um escândalo ameaça destruir a reputação de Damião e abalar o império da Guerra Essence, ele precisa urgentemente de uma esposa de fachada para limpar sua imagem diante da mídia. Ela precisa recomeçar. Ele precisa de um contrato. Mas nenhum dos dois estava preparado para o que aconteceria quando sentimentos reais começassem a escapar das cláusulas.

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Capítulo 1

CAPÍTULO 1 - O LUGAR QUE NUNCA FOI MEU

DULCE

Há 5 anos atrás...

Hoje poderia ser o melhor dia da minha vida, se o homem que eu amo desde que me entendo por gente tivesse me escolhido por livre e espontânea vontade.

 — Você nunca vai ser ela, Dulce.

A voz da minha mãe não veio como conselho, veio como sentença, e eu permaneci sentada diante do espelho do quarto de noiva daquele salão absurdamente chique enquanto duas costureiras me puxavam, apertavam e alfinetavam dentro de um vestido que não era meu. Meus óculos escorregavam pela ponte do nariz, minhas mãos tremiam no colo, e o tecido — feito sob medida para o corpo mais esguio de Maria — insistia em não me caber como deveria.

— Encolhe a barriga! — minha mãe disse rispidamente, impaciente, observando cada ajuste como se eu fosse um problema técnico.

 — Está apertado… — reclamei, sentindo a costura pressionar minhas costelas.

— Beleza custa caro — ela respondeu sem sequer me olhar de verdade. — Mesmo quando não há muito o que valorizar.

As costureiras trocaram olhares rápidos, desconfortáveis, mas continuaram o trabalho, puxando o tecido, tentando moldar em mim algo que claramente não me pertencia.

 — Mãe, eu não posso fazer isso… — tentei novamente, fungando, a voz falhando enquanto uma delas ajustava a parte das costas com força demais. — Esse é o lugar da Maria.

— Maria não está aqui — ela retrucou, fria. — E alguém precisa estar. Então considere isso uma sorte grande que caiu do céu.

— Mas não precisa ser eu…

 — Precisa, sim — ela cortou, finalmente me encarando. — Você acha que eu vou permitir que tudo desmorone por causa de um capricho seu? acha que eu vou deixar nossa família virar motivo de piada e escândalo?

— Eu não pedi isso…- balancei a cabeça em negativa com minha visão borrada pelo choro contínuo.

— Mas sempre quis — ela rebateu, baixa, cortante. — Não finja que não.

Me sentia patética e previsível.

 Para todos é nítido que sempre fui louca por Dário.

 — Eu nunca quis assim…

— Não importa como você quis — ela disse, aproximando-se o suficiente para que só eu ouvisse. — Você vai entrar naquele altar, vai sorrir, vai dizer sim, e vai agradecer por, pela primeira vez na vida, estar ocupando um lugar que chama atenção.

 Eu engoli em seco.

— Você sabe bem que não é páreo para sua irmã — repetiu, agora mais baixo, usando um tom cruel. — Mas hoje… vai ter que servir.

Nós três crescemos juntos. Eu, Dário e Maria. Nossas famílias sempre foram próximas, presentes, entrelaçadas o suficiente para que nossas histórias se confundissem desde cedo. E foi nesse convívio constante que eu comecei a sentir — primeiro de forma tímida, depois inevitável — algo por ele que nunca teve retorno. Eu sempre soube disso. Sempre vi. Porque enquanto eu aprendia a amá-lo em silêncio, Dário só tinha olhos para Maria. E ela… ela o esnobava com uma naturalidade quase cruel, como se o amor dele fosse apenas mais um detalhe descartável em meio a tudo que ela já recebia sem esforço.

Houve uma vez em que eu, estupidamente, acreditei que poderia ser diferente.

Eu me declarei para ele.

Lembro de cada detalhe com uma clareza que me irrita, como se meu próprio fracasso tivesse sido cuidadosamente preservado dentro de mim. Dário foi gentil — e talvez isso tenha sido o pior — porque não houve dureza, não houve desprezo naquele momento, apenas uma recusa tranquila, quase cuidadosa, como se estivesse lidando com algo frágil demais para ser quebrado de forma brusca. E ainda assim… quebrou. Eu me senti pequena, exposta, ridícula.

Passei noites chorando, tentando entender onde havia errado, tentando aceitar algo que, no fundo, eu já sabia.

Depois disso, comecei a evitá-lo sempre que ele aparecia em casa, desviava, sumia, me escondia como se a distância pudesse proteger o pouco que restava de mim. Mas não demorou para perceber que eu já era invisível de qualquer maneira, com ou sem esforço.

 E, ainda assim, a ideia de ficar longe dele era insuportável.

 — Recompõe esse rosto — minha mãe Ofélia continuou, fria, já se afastando. — Quando eu voltar, não quero ver você com essa cara de choro.

 Eu não respondi, nem consegui.

— Façam um milagre! — ela ordenou às maquiadoras com impaciência antes de sair porta afora, como se estivesse descartando um problema temporário.

As mulheres se aproximaram imediatamente, com pincéis, esponjas, produtos caros, mãos treinadas para esconder imperfeições, mas eu recuei.

 — Não — murmurei, quase sem voz. Elas hesitaram.

— A senhora pediu...

— Eu disse não.

Foi a única coisa que consegui controlar naquele dia.

No fim, cederam parcialmente: uma base leve para esconder o inegável, um brilho labial discreto. Nada além disso. Eu não queria parecer outra pessoa. Já estavam tirando de mim coisas demais.

Quando finalmente me deixaram sozinha, o silêncio do quarto caiu pesado, quase opressor. Eu respirei fundo, me levantei devagar e fui até o frigobar embutido na parede. Minhas mãos ainda tremiam quando peguei uma garrafa de água e bebi direto, sem cerimônia, sentindo o líquido descer como se pudesse apagar o incêndio dentro de mim.

 Eu precisava falar com Dário.

Precisava explicar. Talvez — estupidamente — ainda acreditasse que ele me ouviria.

 Saí do quarto, e caminhei pelo corredor reservado aos noivos, mais silencioso que o restante do salão, mas carregado de tensão.

Foi então que ouvi vozes vindo de um dos quartos.

— Isso não pode acontecer agora… — a voz da minha mãe soava controlada, mas à beira de perder a compostura.

— Eu quero saber onde ela está! — a voz dele veio firme, dura, diferente de tudo que eu já tinha ouvido.

Dário.

A acústica não ajudava, as palavras vinham truncadas, quebradas, mas havia algo errado demais naquela conversa. Eu dei um passo mais perto, quase sem perceber, como se fosse puxada por algo maior do que eu mesma.

 — …controle a situação…- minha mãe disse rispidamente

— …isso é ridículo…- identifiquei a voz de Dário em um rosnado irritado

— …não é o momento… - Minha mãe disse em um tom controlador.

E então a porta se abriu. Não houve tempo para nada.

Eu fiquei parada, exposta, flagrante em uma cena que eu não deveria testemunhar.

 O silêncio caiu pesado entre nós três.

Minha mãe foi a primeira a reagir, e o olhar que ela me lançou carregava uma fúria camuflada, como se no rosto dela estivesse escrito exatamente aquilo que ela não disse em voz alta:

 O que você está fazendo aqui, Dulce?

Mas quando meus olhos saíram dela e encontraram os dele…

Dário não parecia surpreso.

Ele parecia confirmar algo.

Como se eu tivesse acabado de provar uma suspeita antiga.

E o que havia ali… era desprezo.

— Os noivos têm muito o que conversar — minha mãe disse, mudando o tom com uma facilidade assustadora ao olhar para ele, como se ainda estivesse no controle de tudo.

‘’ Noivos. ‘’

A palavra soou deslocada dentro do meu interior.

 Ela passou por mim e, ao fazê-lo, inclinou-se o suficiente para sussurrar entre os dentes:

 — Comporte-se.

Um nó subiu pela minha garganta, pesado, sufocante.

 E eu entrei.

A porta se fechou atrás de mim com um som seco, definitivo, como se selasse algo que eu não teria mais como desfazer.

Eu tentei falar.

— Dário quero dizer que…

 — Onde está a Maria? — ele perguntou imediatamente, sem rodeios, sem qualquer tentativa de suavizar o momento.

 Meu coração disparou.

Claro que eu sabia a verdade, sabia que Maria havia fugido e que tudo aquilo era uma farsa montada às pressas, mas também sabia o que aconteceria se eu dissesse.

Minha mãe me odiaria para sempre.

— Eu… não sei — respondi, e a mentira queimou na minha garganta.

Os olhos dele se estreitaram.

— Não sabe?

— Ela saiu… eu não sei o que aconteceu — tentei sustentar, mesmo sentindo que cada palavra me afundava mais.

 Ele soltou uma respiração desacreditada. — Claro.

Eu dei um passo à frente, desesperada por um espaço que nunca me foi dado.

— Dário, eu posso explicar...

 — Não.

A interrupção veio fria, definitiva. — Eu acho que não precisa.

 — Não foi o que você está pensando…

— Sério? E o que estou pensando exatamente Dulce? — ele inclinou levemente o rosto, e o desprezo ali era quase palpável. — Que você fez a cabeça da sua irmã para ela me abandonar? Porque parece exatamente o tipo de coisa que você faria.

Suas palavras me atingiu com precisão.

— Eu não fiz nada… eu não sabia… — minha voz saiu baixa, fraca.

— Claro que não sabia — ele respondeu. — Você sempre foi muito discreta, não é? Invisível… até o momento certo.

Meu peito apertou.

— Isso não é justo…

— Justo? — ele soltou um riso sem humor. — Você realmente quer falar de justiça?

Eu não tinha resposta.

 Ele se aproximou um pouco mais, o suficiente para que cada palavra fosse uma lâmina.

— Parabéns, Dulce. Você conseguiu.

Conseguiu.

 Como se fosse uma conquista.

 — Mas não se engane… isso aqui nunca vai ser real.

 Eu senti meus olhos arderem.

 — Dário…

— Meu coração sempre foi dela — ele disse, sem hesitar, e então, mais baixo, como uma sentença final — E sempre vai ser.

Algo dentro de mim se partiu naquele instante, de forma silenciosa e irreversível.

A cerimônia aconteceu como um borrão depois disso.

 Eu disse “sim” sem reconhecer minha própria voz, assinei sem sentir minhas mãos, sorri sem saber como, e quando a noite chegou, com ela veio a confirmação de tudo aquilo que já estava implícito desde antes mesmo de eu ocupar aquele lugar.

*****

O caminho até o duplex de Dário foi silencioso de uma maneira sufocante.

Um silêncio tão espesso que parecia ocupar cada espaço entre nós, pressionando meus pulmões toda vez que eu tentava respirar fundo.

Eu mantinha as mãos apertadas sobre o colo, observando as luzes da cidade atravessarem o vidro do carro como manchas borradas através dos meus óculos levemente embaçados.

Meu vestido ainda me apertava, meus pés doíam, minha maquiagem simples já devia estar arruinada depois de tantas lágrimas silenciosas engolidas ao longo da noite, mas nada disso parecia pior do que a forma como Dário evitava sequer olhar para mim.

Ele dirigia com uma rigidez quase cruel, os dedos longos presos ao volante, o maxilar travado, os olhos fixos na estrada como se eu não existisse no banco ao lado.

Talvez fosse exatamente isso. Para ele, eu realmente não existia.

Possivelmente eu fosse apenas um erro sentado perto demais.

Quando o carro finalmente entrou no condomínio onde Dário morava, me senti ansiosa , uma vez em que meu coração ficava receoso – se tratava de uma contradição e tanta.

Dário estacionou sem dizer uma única palavra.

Eu esperei, por qualquer coisa. Quem sabe até uma palavra de boas-vindas.

Contudo estava querendo enganar a quem?

Mas ele apenas saiu do carro.

Engoli em seco antes de fazer o mesmo.

O elevador subiu em silêncio, e eu me senti estranhamente pequena ao lado dele.

O reflexo metálico das portas nos devolvia uma imagem desconfortável: ele impecável dentro do terno escuro, bonito de um jeito quase irritante, e eu deslocada, usando o vestido da minha irmã e ocupando um lugar que nunca foi meu, me sentia uma usurpadora.

Quando as portas do elevador se abriram, fui atingida pela visão do duplex.

Era lindo!

Dolorosamente lindo.

Os móveis tinham tons sofisticados, a iluminação era aconchegante, havia enormes janelas de vidro mostrando a cidade iluminada ao fundo.

Foi impossível não perceber as flores espalhadas pela sala, velas aromáticas, taças posicionadas sobre a bancada de mármore.

E então meus olhos encontraram as iniciais.

M & D - bordadas nas almofadas, gravadas em pequenas plaquinhas decorativas. Maria e Dário.

Meu peito queimou, como se alguém tivesse jogado ácido no meu interior.

Aquilo nunca foi preparado para mim, nem por um segundo, mas sim para minha meia-irmã.

A mulher que Dário sempre amou.

— Só tenho uma coisa para te dizer. – seu olhar era frio e cortante — Não toque em mim. — foram as primeiras palavras dele quando ficamos sozinhos.

 E assim começou o meu casamento.

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CAPÍTULO 2 - A ÚLTIMA LANÇA
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CAPÍTULO 4 - AS BAHAMAS NÃO SALVAM CASAMENTOS
CAPÍTULO 5 - DECISÕES IMPULSIVAS
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