Mundo de ficçãoIniciar sessãoDulce sempre viveu à sombra da irmã perfeita. Discreta, apagada e apaixonada em silêncio por Dário Garcia, ela foi obrigada a se casar com ele depois que sua meia-irmã fugiu no dia do casamento. Durante cinco anos, viveu presa em um casamento frio, sustentado apenas por contratos e aparências… até descobrir a traição entre Dário e sua própria irmã. Destruída, Dulce acaba vivendo uma noite impulsiva com um homem misterioso durante um baile de máscaras nas Bahamas. O que ela não imaginava era que ele fosse Damião Guerra, o CEO playboy de uma das maiores empresas de perfumes do país. Quando um escândalo ameaça destruir a reputação de Damião e abalar o império da Guerra Essence, ele precisa urgentemente de uma esposa de fachada para limpar sua imagem diante da mídia. Ela precisa recomeçar. Ele precisa de um contrato. Mas nenhum dos dois estava preparado para o que aconteceria quando sentimentos reais começassem a escapar das cláusulas.
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Há 5 anos atrás...
Hoje poderia ser o melhor dia da minha vida, se o homem que eu amo desde que me entendo por gente tivesse me escolhido por livre e espontânea vontade.
— Você nunca vai ser ela, Dulce.
A voz da minha mãe não veio como conselho, veio como sentença, e eu permaneci sentada diante do espelho do quarto de noiva daquele salão absurdamente chique enquanto duas costureiras me puxavam, apertavam e alfinetavam dentro de um vestido que não era meu. Meus óculos escorregavam pela ponte do nariz, minhas mãos tremiam no colo, e o tecido — feito sob medida para o corpo mais esguio de Maria — insistia em não me caber como deveria.
— Encolhe a barriga! — minha mãe disse rispidamente, impaciente, observando cada ajuste como se eu fosse um problema técnico.
— Está apertado… — reclamei, sentindo a costura pressionar minhas costelas.
— Beleza custa caro — ela respondeu sem sequer me olhar de verdade. — Mesmo quando não há muito o que valorizar.
As costureiras trocaram olhares rápidos, desconfortáveis, mas continuaram o trabalho, puxando o tecido, tentando moldar em mim algo que claramente não me pertencia.
— Mãe, eu não posso fazer isso… — tentei novamente, fungando, a voz falhando enquanto uma delas ajustava a parte das costas com força demais. — Esse é o lugar da Maria.
— Maria não está aqui — ela retrucou, fria. — E alguém precisa estar. Então considere isso uma sorte grande que caiu do céu.
— Mas não precisa ser eu…
— Precisa, sim — ela cortou, finalmente me encarando. — Você acha que eu vou permitir que tudo desmorone por causa de um capricho seu? acha que eu vou deixar nossa família virar motivo de piada e escândalo?
— Eu não pedi isso…- balancei a cabeça em negativa com minha visão borrada pelo choro contínuo.
— Mas sempre quis — ela rebateu, baixa, cortante. — Não finja que não.
Me sentia patética e previsível.
Para todos é nítido que sempre fui louca por Dário.
— Eu nunca quis assim…
— Não importa como você quis — ela disse, aproximando-se o suficiente para que só eu ouvisse. — Você vai entrar naquele altar, vai sorrir, vai dizer sim, e vai agradecer por, pela primeira vez na vida, estar ocupando um lugar que chama atenção.
Eu engoli em seco.
— Você sabe bem que não é páreo para sua irmã — repetiu, agora mais baixo, usando um tom cruel. — Mas hoje… vai ter que servir.
Nós três crescemos juntos. Eu, Dário e Maria. Nossas famílias sempre foram próximas, presentes, entrelaçadas o suficiente para que nossas histórias se confundissem desde cedo. E foi nesse convívio constante que eu comecei a sentir — primeiro de forma tímida, depois inevitável — algo por ele que nunca teve retorno. Eu sempre soube disso. Sempre vi. Porque enquanto eu aprendia a amá-lo em silêncio, Dário só tinha olhos para Maria. E ela… ela o esnobava com uma naturalidade quase cruel, como se o amor dele fosse apenas mais um detalhe descartável em meio a tudo que ela já recebia sem esforço.
Houve uma vez em que eu, estupidamente, acreditei que poderia ser diferente.
Eu me declarei para ele.
Lembro de cada detalhe com uma clareza que me irrita, como se meu próprio fracasso tivesse sido cuidadosamente preservado dentro de mim. Dário foi gentil — e talvez isso tenha sido o pior — porque não houve dureza, não houve desprezo naquele momento, apenas uma recusa tranquila, quase cuidadosa, como se estivesse lidando com algo frágil demais para ser quebrado de forma brusca. E ainda assim… quebrou. Eu me senti pequena, exposta, ridícula.
Passei noites chorando, tentando entender onde havia errado, tentando aceitar algo que, no fundo, eu já sabia.
Depois disso, comecei a evitá-lo sempre que ele aparecia em casa, desviava, sumia, me escondia como se a distância pudesse proteger o pouco que restava de mim. Mas não demorou para perceber que eu já era invisível de qualquer maneira, com ou sem esforço.
E, ainda assim, a ideia de ficar longe dele era insuportável.
— Recompõe esse rosto — minha mãe Ofélia continuou, fria, já se afastando. — Quando eu voltar, não quero ver você com essa cara de choro.
Eu não respondi, nem consegui.
— Façam um milagre! — ela ordenou às maquiadoras com impaciência antes de sair porta afora, como se estivesse descartando um problema temporário.
As mulheres se aproximaram imediatamente, com pincéis, esponjas, produtos caros, mãos treinadas para esconder imperfeições, mas eu recuei.
— Não — murmurei, quase sem voz. Elas hesitaram.
— A senhora pediu...
— Eu disse não.
Foi a única coisa que consegui controlar naquele dia.
No fim, cederam parcialmente: uma base leve para esconder o inegável, um brilho labial discreto. Nada além disso. Eu não queria parecer outra pessoa. Já estavam tirando de mim coisas demais.
Quando finalmente me deixaram sozinha, o silêncio do quarto caiu pesado, quase opressor. Eu respirei fundo, me levantei devagar e fui até o frigobar embutido na parede. Minhas mãos ainda tremiam quando peguei uma garrafa de água e bebi direto, sem cerimônia, sentindo o líquido descer como se pudesse apagar o incêndio dentro de mim.
Eu precisava falar com Dário.
Precisava explicar. Talvez — estupidamente — ainda acreditasse que ele me ouviria.
Saí do quarto, e caminhei pelo corredor reservado aos noivos, mais silencioso que o restante do salão, mas carregado de tensão.
Foi então que ouvi vozes vindo de um dos quartos.
— Isso não pode acontecer agora… — a voz da minha mãe soava controlada, mas à beira de perder a compostura.
— Eu quero saber onde ela está! — a voz dele veio firme, dura, diferente de tudo que eu já tinha ouvido.
Dário.
A acústica não ajudava, as palavras vinham truncadas, quebradas, mas havia algo errado demais naquela conversa. Eu dei um passo mais perto, quase sem perceber, como se fosse puxada por algo maior do que eu mesma.
— …controle a situação…- minha mãe disse rispidamente
— …isso é ridículo…- identifiquei a voz de Dário em um rosnado irritado
— …não é o momento… - Minha mãe disse em um tom controlador.
E então a porta se abriu. Não houve tempo para nada.
Eu fiquei parada, exposta, flagrante em uma cena que eu não deveria testemunhar.
O silêncio caiu pesado entre nós três.
Minha mãe foi a primeira a reagir, e o olhar que ela me lançou carregava uma fúria camuflada, como se no rosto dela estivesse escrito exatamente aquilo que ela não disse em voz alta:
O que você está fazendo aqui, Dulce?
Mas quando meus olhos saíram dela e encontraram os dele…
Dário não parecia surpreso.
Ele parecia confirmar algo.
Como se eu tivesse acabado de provar uma suspeita antiga.
E o que havia ali… era desprezo.
— Os noivos têm muito o que conversar — minha mãe disse, mudando o tom com uma facilidade assustadora ao olhar para ele, como se ainda estivesse no controle de tudo.
‘’ Noivos. ‘’
A palavra soou deslocada dentro do meu interior.
Ela passou por mim e, ao fazê-lo, inclinou-se o suficiente para sussurrar entre os dentes:
— Comporte-se.
Um nó subiu pela minha garganta, pesado, sufocante.
E eu entrei.
A porta se fechou atrás de mim com um som seco, definitivo, como se selasse algo que eu não teria mais como desfazer.
Eu tentei falar.
— Dário quero dizer que…
— Onde está a Maria? — ele perguntou imediatamente, sem rodeios, sem qualquer tentativa de suavizar o momento.
Meu coração disparou.
Claro que eu sabia a verdade, sabia que Maria havia fugido e que tudo aquilo era uma farsa montada às pressas, mas também sabia o que aconteceria se eu dissesse.
Minha mãe me odiaria para sempre.
— Eu… não sei — respondi, e a mentira queimou na minha garganta.
Os olhos dele se estreitaram.
— Não sabe?
— Ela saiu… eu não sei o que aconteceu — tentei sustentar, mesmo sentindo que cada palavra me afundava mais.
Ele soltou uma respiração desacreditada. — Claro.
Eu dei um passo à frente, desesperada por um espaço que nunca me foi dado.
— Dário, eu posso explicar...
— Não.
A interrupção veio fria, definitiva. — Eu acho que não precisa.
— Não foi o que você está pensando…
— Sério? E o que estou pensando exatamente Dulce? — ele inclinou levemente o rosto, e o desprezo ali era quase palpável. — Que você fez a cabeça da sua irmã para ela me abandonar? Porque parece exatamente o tipo de coisa que você faria.
Suas palavras me atingiu com precisão.
— Eu não fiz nada… eu não sabia… — minha voz saiu baixa, fraca.
— Claro que não sabia — ele respondeu. — Você sempre foi muito discreta, não é? Invisível… até o momento certo.
Meu peito apertou.
— Isso não é justo…
— Justo? — ele soltou um riso sem humor. — Você realmente quer falar de justiça?
Eu não tinha resposta.
Ele se aproximou um pouco mais, o suficiente para que cada palavra fosse uma lâmina.
— Parabéns, Dulce. Você conseguiu.
Conseguiu.
Como se fosse uma conquista.
— Mas não se engane… isso aqui nunca vai ser real.
Eu senti meus olhos arderem.
— Dário…
— Meu coração sempre foi dela — ele disse, sem hesitar, e então, mais baixo, como uma sentença final — E sempre vai ser.
Algo dentro de mim se partiu naquele instante, de forma silenciosa e irreversível.
A cerimônia aconteceu como um borrão depois disso.
Eu disse “sim” sem reconhecer minha própria voz, assinei sem sentir minhas mãos, sorri sem saber como, e quando a noite chegou, com ela veio a confirmação de tudo aquilo que já estava implícito desde antes mesmo de eu ocupar aquele lugar.
*****
O caminho até o duplex de Dário foi silencioso de uma maneira sufocante.
Um silêncio tão espesso que parecia ocupar cada espaço entre nós, pressionando meus pulmões toda vez que eu tentava respirar fundo.
Eu mantinha as mãos apertadas sobre o colo, observando as luzes da cidade atravessarem o vidro do carro como manchas borradas através dos meus óculos levemente embaçados.
Meu vestido ainda me apertava, meus pés doíam, minha maquiagem simples já devia estar arruinada depois de tantas lágrimas silenciosas engolidas ao longo da noite, mas nada disso parecia pior do que a forma como Dário evitava sequer olhar para mim.
Ele dirigia com uma rigidez quase cruel, os dedos longos presos ao volante, o maxilar travado, os olhos fixos na estrada como se eu não existisse no banco ao lado.
Talvez fosse exatamente isso. Para ele, eu realmente não existia.
Possivelmente eu fosse apenas um erro sentado perto demais.
Quando o carro finalmente entrou no condomínio onde Dário morava, me senti ansiosa , uma vez em que meu coração ficava receoso – se tratava de uma contradição e tanta.
Dário estacionou sem dizer uma única palavra.
Eu esperei, por qualquer coisa. Quem sabe até uma palavra de boas-vindas.
Contudo estava querendo enganar a quem?
Mas ele apenas saiu do carro.
Engoli em seco antes de fazer o mesmo.
O elevador subiu em silêncio, e eu me senti estranhamente pequena ao lado dele.
O reflexo metálico das portas nos devolvia uma imagem desconfortável: ele impecável dentro do terno escuro, bonito de um jeito quase irritante, e eu deslocada, usando o vestido da minha irmã e ocupando um lugar que nunca foi meu, me sentia uma usurpadora.
Quando as portas do elevador se abriram, fui atingida pela visão do duplex.
Era lindo!
Dolorosamente lindo.
Os móveis tinham tons sofisticados, a iluminação era aconchegante, havia enormes janelas de vidro mostrando a cidade iluminada ao fundo.
Foi impossível não perceber as flores espalhadas pela sala, velas aromáticas, taças posicionadas sobre a bancada de mármore.
E então meus olhos encontraram as iniciais.
M & D - bordadas nas almofadas, gravadas em pequenas plaquinhas decorativas. Maria e Dário.
Meu peito queimou, como se alguém tivesse jogado ácido no meu interior.
Aquilo nunca foi preparado para mim, nem por um segundo, mas sim para minha meia-irmã.
A mulher que Dário sempre amou.
— Só tenho uma coisa para te dizer. – seu olhar era frio e cortante — Não toque em mim. — foram as primeiras palavras dele quando ficamos sozinhos.
E assim começou o meu casamento.
BÔNUS - MARIA Algumas semanas atrás... Eu nunca tinha sentido tanto ódio de alguém quanto sentia de Anthony.Depois do que ele havia feito comigo, depois de ter ultrapassado todos os limites e me violentado, alguma coisa dentro de mim havia mudado para sempre.Durante meses, eu carreguei aquela lembrança como uma ferida aberta.Não conseguia esquecer a maneira como ele havia me tratado. Não conseguia esquecer o medo, a humilhação e, principalmente, a sensação de impotência.Anthony havia acreditado que poderia fazer qualquer coisa comigo.Que eu continuaria obedecendo.Que bastava uma ameaça, uma ligação ou aquele maldito tom de voz para me colocar novamente sob o controle dele.Mas ele havia cometido um erro.Havia me dado um motivo para querer destruí-lo.E, depois de algum tempo, surgiu a oportunidade perfeita.Durante um dos inúmeros encontros que tive com Anthony, ouvi uma conversa que, na época, não imaginei que pudesse ser útil.Ele estava falando com uma empregada que havia
DULCE Depois da França, Esmeralda nunca mais tocou no assunto Laurent.E nós também não.Não porque tivéssemos esquecido, muito menos porque aquilo tivesse deixado de importar. Simplesmente entendemos que havia feridas que não precisavam ser cutucadas todos os dias para continuar doendo.Ela continuava sendo a mesma Esmeralda de sempre por fora. Fazia piadas, reclamava dos horários, implicava com Fabian, discutia com Joaquina por coisas absolutamente insignificantes e conseguia rir até das situações mais absurdas.Mas eu a conhecia.Sabia que aquele jeito aparentemente despreocupado era uma espécie de armadura.Por dentro, ela ainda sofria.E nós respeitamos.Depois da França, seguimos viagem pela Alemanha e pelos demais países que ainda faziam parte da turnê da Guerra Essence. Foram aproximadamente três meses longe de casa. Três meses de aeroportos, hotéis, eventos, entrevistas, reuniões, campanhas, fotografias e uma quantidade de champanhe que provavelmente daria para abastecer uma
BÔNUS - LAURENT MOUSE Depois que Esmeralda saiu pela porta, eu permaneci imóvel no meio da sala, encarando o espaço vazio onde ela esteve segundos antes.Meu primeiro impulso foi correr atrás dela.Meu corpo praticamente se moveu sozinho em direção à porta, mas parei antes de alcançá-la.O que eu diria?Que ela havia entendido tudo errado?Que aquilo que ouviu não significava o que parecia?Eu poderia mentir novamente.Era exatamente isso que eu vinha fazendo desde o começo.Mas, dessa vez, eu não consegui.Porque a verdade era muito pior.Eu havia me aproximado dela por interesse. Havia planejado usar a confiança daquela mulher para chegar à Guerra Essence e, consequentemente, atingir Damião.Só que eu não havia planejado o que aconteceu depois.Não havia planejado gostar dela.Não havia planejado esperar pelas mensagens dela.Nem sorrir feito um idiota quando ela aparecia.Muito menos sentir aquele vazio absurdo agora que ela tinha ido embora.Passei as duas mãos pelos cabelos.— M
DAMIÃO GUERRAEu deixei Esmeralda no quarto com Dulce e Joaquina, fechei a porta atrás de mim com uma calma que não combinava nem um pouco com o que estava acontecendo dentro da minha cabeça.Eu estava furioso.Não era aquela raiva comum que passava depois de alguns minutos. Era algo mais profundo, mais escuro. Uma vontade quase primitiva de encontrar Laurent e fazê-lo pagar por cada lágrima que tinha arrancado de Esmeralda.Caminhei pelo corredor do hotel com o punho cerrado até encontrar Fabian alguns metros adiante. Ele me conhecia o suficiente para saber que alguma coisa estava prestes a acontecer.— Damião...— Não começa.Ele me encarou.— Eu nem disse nada.— Mas vai dizer. Vai me pedir para pensar antes de fazer alguma coisa.Fabian soltou o ar lentamente.— Porque é exatamente isso que você precisa fazer.Passei a mão pelo rosto, tentando controlar a respiração.Eu sabia que as coisas poderiam chegar àquele ponto.Desde criança, eu conhecia Esmeralda. Sabia o tamanho do cora





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