Levantei da cadeira ao lado da cama do meu pai ainda com o peso da conversa com o médico pressionando meu peito. Minha mãe continuava sentada ali, os olhos presos no rosto dele como se qualquer mudança, por menor que fosse, pudesse acontecer a qualquer momento.Por um instante pensei em dizer alguma coisa, qualquer coisa que quebrasse aquele silêncio pesado. Mas nenhuma palavra parecia suficiente depois de ouvir aquele valor ser dito com tanta naturalidade.Peguei minha bolsa.— Você já vai? — minha mãe perguntou, levantando os olhos.— Preciso resolver algumas coisas.Ela me observou por alguns segundos, tentando entender aquela resposta.— Elena… — chamou de novo, mais devagar. — O que você está aprontando?Meu coração apertou. Minha mãe sempre teve essa capacidade irritante de perceber quando eu escondia alguma coisa. Se eu explicasse agora, ela tentaria me impedir. Diria que não era hora de pensar em viagem, que a gente daria um jeito, que alguma coisa apareceria.Mas a verdade er
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