A casa estava silenciosa, mas não da forma tranquila que vinha depois de um dia comum. Era um silêncio atento, como se tudo ali estivesse em alerta, esperando o próximo movimento. Passei a manhã com Lily entre leitura e escrita, mantendo o ritmo do dia anterior. Sem forçar, sem invadir, mas também sem permitir que ela se escondesse completamente atrás do silêncio. — Pode escolher outra palavra hoje — falei, deslizando o caderno até ela. Lily segurou o lápis, pensou por alguns segundos, depois balançou a cabeça. — Depois. Assenti. Ela ainda não estava pronta. E, dessa vez, eu não tentei apressar. O som de vozes subindo pelo vão da escada chamou atenção pouco depois. Graves, controladas, acompanhadas pelo eco de passos firmes no piso do térreo. Lily parou imediatamente. — Tem gente. — Tem. Ela olhou para a porta. — Papai? — Está trabalhando. Ela assentiu, mas o corpo ficou mais rígido. — A gente vai almoçar? — perguntou. — Vamos. Levantei. Ela fez o mesmo. Descemos ju
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