Amélia ClarkA morte realmente é silenciosa e eu descobri isso em um consultório e não no meu enterro.Eu sempre achei que a vida tivesse um som.Em alguns dias, era o caos das buzinas, passos apressados, risadas de desconhecidos atravessando ruas como se tivessem pressa de existir. Um ruído vivo, quente, irritante e, ainda assim, reconfortante.Em outros, era quase uma música: uma chaleira velha apitando no fogão, o vento batendo nas janelas do meu pequeno apartamento em Nova York, o som familiar das páginas de um livro sendo viradas devagar, como se o tempo pudesse ser convencido a esperar.Mas naquele consultório branco, frio e limpo demais, a vida não tinha som nenhum. Era como se o silêncio tivesse dentes e estivesse mastigando tudo.O relógio na parede marcava o tempo com precisão cruel, mas eu não o escutava. A caneta do médico batia ritmadamente contra o bloco de notas, mas parecia distante, como se aquilo estivesse acontecendo em outra realidade.Ele falava enquanto sua boca
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