O quarto estava mergulhado em um silêncio quase absoluto, interrompido apenas pelo sussurro do monitor cardíaco que registrava cada batida fraca do coração de Lisa. A luz suave da manhã entrava pelas cortinas semiabertas, delineando partículas de poeira que dançavam lentamente no ar. Eu permanecia sentado em uma cadeira rígida ao lado da cama, os braços cruzados sobre o peito, os olhos fixos nela, mas de alguma forma tentando não olhar demais. Cada detalhe, cada suspiro, cada movimento dela parecia gravado em minha memória.
Lisa dormia profundamente, mas de forma inquieta. Seus lábios se mexiam levemente, como se falassem com o mundo em sonhos que eu não podia compreender. Meu corpo estava tenso, rígido, e minha mente girava em um turbilhão de lembranças, medos e promessas. Eu havia prometido a ela que não a veria morrer, que estaria ali apenas como sombra, como guardião silencioso, sem interferir nos momentos que restavam. Mas já sabia que essa promessa seria impossível de cumprir. M