Narrado por Alejandro Serrano
Eu fiquei sentado na mesma cadeira por horas depois que todos foram embora.
A casa da nonna, que durante dias havia sido tomada por passos apressados, vozes sussurradas, orações improvisadas e choros contidos, agora estava vazia demais. Cruelmente vazia. O tipo de vazio que ecoa. Que responde quando você respira. Que devolve cada pensamento como um soco.
Lisa estava morta.
Eu repetia isso mentalmente como quem tenta aprender uma língua impossível. As palavras não se encaixavam. Não formavam sentido. Lisa morta. Lisa não rindo. Lisa não abrindo os olhos. Lisa não chamando meu nome com aquela voz fraca, mas ainda viva.
Eu não chorei no funeral.
Não porque não doía. Doía tanto que meu corpo parecia anestesiado. Como se a dor fosse grande demais para caber em lágrimas.
Eu observei tudo como um homem fora do próprio corpo. Don Marcello firme, devastado por dentro. Vittorio quebrado. Elena em pé por pura força de vontade. A terra cobrindo o caixão. O mundo segu