Narrado por Vittorio Deluca
Eu sempre acreditei que força fosse algo barulhento.
Punhos cerrados. Mandíbulas travadas. Silêncio duro. Aquele tipo de homem que não cai, não treme, não chora. Cresci aprendendo que ser um Deluca significava sustentar o mundo nas costas mesmo quando ele nos esmagava.
Então Lisa morreu.
E eu descobri que força, às vezes, é só não morrer junto.
Quando tudo acabou na casa da nonna, quando levaram o corpo dela e a porta se fechou, eu permaneci ali parado por tempo demais. As pessoas falavam comigo. Eu via os lábios se moverem, ouvia sons distantes, mas nada entrava. Era como se alguém tivesse desligado o mundo por dentro e deixado apenas o casco funcionando.
Fui o último a sair do quarto.
Não porque eu queria ficar. Mas porque minhas pernas não obedeciam.
A cama ainda estava desfeita. O lençol tinha marcas que meu cérebro insistia em reconhecer como o peso dela, mesmo sabendo que aquilo era impossível. Toquei o colchão. Frio. Ridiculamente frio.
Foi ali que e