Narrativa: Elena
Um ano se passou. Um ano inteiro desde que Lisa partiu, desde que o silêncio e a ausência tomaram a casa da nonna, a Toscana, e os nossos corações. Um ano de noites mal dormidas, de lembranças que insistiam em aparecer nos momentos mais inapropriados, de sorrisos falsos que tentavam esconder a saudade que nunca diminuiu.
Durante esses meses, tentei me manter ocupada, mergulhar no trabalho da família, apoiar o que restava da nossa história, mas nada preenchia o vazio. Até que, aos poucos, encontrei uma forma de seguir em frente. Pietro, o irmão mais novo de Lisa, esteve sempre ao meu lado. Ele também sofreu em silêncio, carregando a dor da perda de sua gêmea, e aos poucos, nosso vínculo se fortaleceu. Hoje, um ano depois, posso dizer que estamos juntos, oficialmente, e que esse amor — por mais doloroso que tenha surgido — me dá alguma esperança de dias melhores.
Mas hoje não vim aqui para falar de mim. Hoje vim à casa da nonna, o refúgio que sempre foi de Lisa, o lugar