Narrativa: Sofia Deluca
Três meses.
Três meses correndo como um animal encurralado, trocando de hotéis baratos, nomes falsos, roupas que não me pertenciam. Três meses dormindo com o coração disparado, ouvindo passos que não existiam, imaginando sombras atrás de cada esquina. Três meses acreditando, ingenuamente, que eu conseguiria fugir do peso do meu próprio sobrenome.
Mas o nome Deluca nunca foi uma proteção.
Sempre foi uma sentença.
Eles me encontraram em uma manhã cinzenta, quando eu já não