Narrado por Lisa Deluca
O cansaço não chegou de repente.
Ele foi se deitando sobre mim aos poucos, como uma manta pesada colocada com cuidado demais para não assustar. Primeiro nos ossos. Depois nos músculos. Por fim, na alma. Um cansaço que não dói, não grita, não pede socorro. Apenas avisa, com gentileza cruel, que o corpo já fez tudo o que podia.
Estou acordada.
Ou talvez não completamente.
O quarto respira num ritmo que não é o meu. O som distante das máquinas, o murmúrio baixo de vozes que tentam não existir, a luz suave que nunca se apaga por inteiro. Tudo parece suspenso, como se o mundo estivesse com medo de seguir em frente sem mim.
Meu corpo pesa.
Não como antes, quando a dor vinha afiada, mordendo por dentro. Agora é diferente. É um peso macio, profundo. Como afundar lentamente em água morna. Não há urgência. Não há pânico. Apenas a sensação de que sustentar os olhos abertos exige mais esforço do que vale a pena.
Eu sei.
Sei que estou indo.
Não porque alguém me disse. Não p