Narrado por Lisa Deluca
O cansaço não chegou de repente.
Ele foi se deitando sobre mim aos poucos, como uma manta pesada colocada com cuidado demais para não assustar. Primeiro nos ossos. Depois nos músculos. Por fim, na alma. Um cansaço que não dói, não grita, não pede socorro. Apenas avisa, com gentileza cruel, que o corpo já fez tudo o que podia.
Estou acordada.
Ou talvez não completamente.
O quarto respira num ritmo que não é o meu. O som distante das máquinas, o murmúrio baixo de vozes que