Mundo de ficçãoIniciar sessãoAngeline Conti sempre foi a “ovelha negra” da alta sociedade de Verona. Alegre, ousada e incapaz de se calar quando deveria, é tudo o que a madrasta Veronica despreza e, ironicamente, tudo o que seu pai, Rubens Conti, precisa para se aproximar da máfia: uma filha para vender em casamento. O pretendente? Marco Mancini, herdeiro do império mais temido de Verona. Cruel, arrogante e acostumado a ter tudo o que quer, inclusive Angeline. Forçada pelo pai e sufocada pelas investidas do noivo, ela nunca correspondeu aos sentimentos de Marco. E quando o vê aos beijos com sua prima Judite, entende que o destino acaba de lhe abrir a porta perfeita para escapar. Fugindo dos homens de seu pai e de Marco, Angeline embarca em um trem rumo a Milão. É lá que cruza o caminho de Dante Laporte, um forasteiro de passado sombrio, olhar frio e sorriso atrevido, que carrega nas mãos o peso da própria vingança. Cercado por homens armados e agentes, após ajustar contas com um inimigo antigo, Dante invade a cabine onde Angeline se esconde e, sem pensar, a beija, simulando um encontro romântico para despistar os agentes. A encenação funciona. Mas o que começa como um disfarce se transforma em uma perigosa atração. Um criminoso com feridas no passado. Uma mulher cansada de ser manipulada. Entre perseguições, alianças improváveis e beijos que queimam mais do que balas, Angeline vai descobrir que estar nas mãos do inimigo pode ser o mais provocante e irresistível risco de sua vida.
Ler maisA penumbra caiu lentamente sobre o haras.O céu tornou-se um azul profundo, quase negro. As luzes externas começaram a acender, criando zonas de sombra ainda mais densas entre os galpões.As três equipes estavam posicionadas.Silenciosas.Esperando apenas o sinal.Um dos carros que havia saído mais cedo fora interceptado quilômetros adiante. Nenhum sobrevivente. Nenhuma comunicação retornaria à base.Lian não deixaria rastros.Outro veículo entrou pelo portão principal pouco antes do anoitecer e foi conduzido para dentro do galpão maior.Portas fechadas.Movimento interno.Lian observava tudo pelo binóculo.Respiração estável.— Vamos lá. Ele baixou o binóculo e apontou para dois homens ao seu lado, ambos com armas curtas e supressores. — Desçam vocês dois.Eram os melhores em infiltração.Rápidos.Silenciosos.Virou-se para o terceiro.— E você os cubra.O homem apenas assentiu. Ex-atirador de elite do exército dos EUA. Já estava deitado em posição elevada, rifle ajustado, lente cal
O dia amanheceu tenso.Quando Angeline acordou, a cama ao lado já estava vazia. O cheiro de café recém-passado vinha da cozinha.Ela o encontrou ali, concentrado, fatiando presunto com precisão quase cirúrgica. Os movimentos eram firmes, controlados. O rosto parecia mais tranquilo do que na noite anterior.— Está tudo bem? Ela perguntou, encostando-se ao balcão.— Está, sim.Ela se aproximou e roubou um pedaço de presunto antes que ele terminasse o corte.— Ontem você parecia preocupado.— Trabalho. Você sabe como é.— Posso ajudar.Dante deixou o fatiador com calma e se virou para ela.— Não dá. É algo que precisa ser feito por outra pessoa. Ele se aproximou, encurralando-a suavemente no canto do balcão. As mãos pousaram em sua cintura. — Você me ajuda ficando aqui. Do meu lado. Cuidando do nosso filho.A mão dele deslizou até o ventre dela.Depois, a beijou.Quando ele se afastou, Angeline sentia o corpo aquecido, a respiração alterada. Não sabia explicar o efeito que ele tinha so
O ronco do motor foi a primeira coisa que Luca reconheceu ao despertar.Grave. Contínuo. Vibrando contra o assoalho metálico do furgão.O frio subia pelo corpo como uma lâmina.Suas mãos estavam presas para trás. Os pulsos ardiam. Ele tentou se mover, mas o impacto das irregularidades da estrada fazia seu corpo bater contra a lateral do veículo.Ao lado, seu motorista jazia imóvel.Rosto ensanguentado.Olhos fechados.Luca puxou o ar pelo nariz. O cheiro de ferro e diesel misturava-se ao frio cortante.“Espero que Dante descubra logo o que aconteceu… e venha me tirar daqui.”Não sabia quanto tempo havia passado.Minutos.Horas.A única referência era a luz que entrava por uma fresta na porta traseira. O tom já não era claro. Estava escurecendo.O motorista gemeu.— Você está bem? Luca perguntou, baixo.O homem assentiu, com dificuldade.Luca sentiu falta do carro que vinha atrás.Dos outros homens.O pensamento veio como um golpe.Será que os haviam executado?Uma irritação profunda t
Assim que Andrey saiu, Angeline levantou-se.Agnes fez o mesmo.Sem dirigir mais uma palavra a Rubens, Margaret ou Verônica, as duas passaram por eles como se fossem parte da mobília.Ignorá-los era mais eficaz do que qualquer confronto.A porta da sala fechou-se atrás delas sem qualquer barulho.Rubens ficou parado por alguns segundos, absorvendo não apenas a exclusão… mas a mudança de postura.Ela o chamara de Rubens.Não de pai.Enquanto isso, Dante e Luigi acompanhavam os trabalhos do resgate de Luca tudo à distância.Os mapas digitais estavam abertos na tela. Rastreamento por satélite. Comunicação criptografada. Atualizações da equipe de campo.Dante mantinha o maxilar tensionado.Ele não queria se envolver diretamente.Mas não podia correr o risco de algo sair errado.Se Lian falhasse… Poderia acontecer o pior e Dante o tinha como um irmão e mesmo com tudo o que acontecera Dante não queria que o pior acontecesse a Luca.E mais do que isso, quem ousara fazer aquilo não era apena
Quando Angeline despertou, a cama ao lado já estava vazia.O lençol ainda morno indicava que Dante saíra há pouco, mas ela não o ouvira levantar. Estranhou.Vestiu um robe leve e desceu as escadas.Na cozinha, o café já estava posto à mesa. Duas xícaras. Torradas ainda cobertas com um pano para manter o calor.Mas ele não estava ali.Pela janela, ela o viu no jardim.Dante já estava vestido para o trabalho. Calça preta perfeitamente ajustada, camisa azul-marinho com as mangas dobradas até os antebraços. No pulso, o relógio de couro marrom. Postura ereta. O telefone na mão.Falava baixo.Sério.O vento da manhã agitava levemente as àrvores.Angeline apoiou a mão no vidro e o observou por alguns segundos.Lembrou-se da noite anterior.Do riso.Da intimidade.A emoção com ele nunca se tornava comum. Era sempre como a primeira vez, intensa, nova, elétrica.Mas naquela manhã havia algo diferente.Ele não estava distraído.Estava concentrado.Na casa de Agnes, o cenário era semelhante.Ela
Luca respirou fundo.Era seu fim?Ali? Perdido no meio do nada, cercado por homens que ele não conhecia, numa estrada congelada próxima à divisa com a Bielorrússia?Não.Ele ergueu o queixo, apesar do sangue escorrendo pela testa.— Quem são vocês? O que querem?Um dos homens se aproximou. Os olhos mal eram visíveis sob a aba do chapéu.— Você estava com Sergei?Luca estreitou o olhar.— Ele os enviou?Os homens gargalharam. Um riso seco, curto.— Senhor Barcello… estamos atrás de você desde que saiu da Bélgica. Passou pelo nosso território. Anda fuçando onde não deve, hã?O sotaque era estranho. Não russo. Não alemão.Algo do Leste.— Eu não sei do que estão falando. Luca tentou manter a voz firme. — Que território?Um chute violento atingiu suas costelas. Ele nem viu de onde veio.O ar saiu dos pulmões.Seu corpo tombou contra o asfalto congelado. A pele queimava de frio e dor.Mãos o agarraram pelos braços.O mundo começou a escurecer nas bordas.Milão.Oton dormia quando o telefon
Último capítulo