Capítulo 9

Renata

O sábado chegou antes de eu estar preparada.

Acordei com o coração acelerado, aquela mistura de ansiedade, medo e… um fiozinho de força que eu nem sabia que existia.

O sol atravessava a cortina do quarto da Ana Júlia, iluminando tudo com um tom dourado que parecia combinar com o meu vestido. Um presságio.

Ana bateu na porta com energia de quem nunca acorda mal-humorada.

— Bom dia, minha deusa jambo! ela cantou. Hoje é dia de calar a boca de meio mundo. Levanta!

Eu enterrei o rosto no travesseiro.

— Eu podia fingir que morri?

— Pode sim. Depois do casamento. Ela puxou o cobertor de cima de mim. Anda. Banho, café e preparação de diva. Temos muito trabalho.

Suspirei fundo.

Era hoje.

O dia que eu mais temia… mas também o dia em que eu iria mostrar que sobrevivi.

CAFÉ DA MANHÃ

Enquanto eu tomava banho, Ana preparou um café reforçado com a seriedade de uma estilista montando um desfile.

Quando saí, havia:

Torradas

Café fresquinho

Morangos com açúcar

E uma vitamina de banana que ela jurou ser “poder líquido”.

— Precisa de energia pra não desmaiar na frente daquela gente ela comentou, empurrando o copo na minha mão.

— Você fala como se eu fosse uma gladiadora indo pra arena.

Ela deu de ombros.

— E não é?

Eu ri. Nervosa, mas ri.

COMEÇANDO A SE ARRUMAR

Ana colocou uma playlist animada para “espantar energia ruim”.

Depois espalhou tudo sobre a cama: maquiagem, creme, produtos para cabelo, acessório, grampo, e o vestido dobrado feito tesouro.

— Vamos começar pela pele ela decretou.

Eu sentei na cadeira improvisada enquanto ela passava:

Hidratante

Primer

Um sérum que cheirava a pêssego

E um creme gelado que acordou até minha alma

Você vai brilhar tanto que até o lustre do salão vai pedir licença Ana falou, concentrada.

Eu fechei os olhos, sentindo aquela sensação de cuidado… algo que eu não recebia há muito tempo.

A MAQUIAGEM

Ana fazia tudo com calma.

Delicadeza.

Como se cada pincelada fosse um remendo na minha autoestima.

Ela escolheu uma maquiagem quente:

Sombra dourada suave

Marrom esfumado no canto

Iluminador no alto da bochecha

Batom nude com fundo pêssego

E cílios que deixavam meus olhos expressivos

Quando abriu o espelho na minha frente, eu prendi a respiração.

— Ana… eu tô bonita demais.

Ela sorriu orgulhosa.

— Não. Você está exatamente como sempre deveria ter se visto.

O CABELO

— Agora o cabelo ela disse, esfregando as mãos animada.

Secou devagar, modelou as mechas, deixou ondas largas caindo sobre os ombros.

Depois separou duas mechinhas finas na frente, criando um contorno suave no rosto.

— Pronto. Você tá parecendo protagonista de filme caro.

Eu ri, corando.

O VESTIDO

O momento de vestir o vestido chegou.

E só de olhar pra ele, meu coração apertou.

— Respira fundo Ana murmurou.

Eu entrei no tecido champagne como quem veste coragem.

O caimento abraçou meu corpo novamente, quente e perfeito, como se me conhecesse.

Quando saí do banheiro, Ana levou a mão à boca.

— Meu Deus do céu, Renata… ela girou ao meu redor. Se esse vestido tivesse vida, ele se ajoelhava pra você.

Eu ri, sem saber onde colocar as mãos.

AS JOIAS

Com cuidado, ela colocou os brincos longos.

Eles balançaram devagar, refletindo luz.

Depois o colar fininho.

A pulseira no pulso esquerdo.

Cada peça parecia completar um pedacinho do que faltava.

A SANDÁLIA

Eu sentei e calcei a sandália dourado-nude.

Quando levantei, fiquei ainda mais alta.

Mais forte.

Mais eu.

Ana fungou, emocionada.

— Amiga… você está perfeita. Nem em novela das nove eles conseguem montar alguém assim com tanto significado.

Eu desci o olhar, segurando o nó na garganta.

— Eu tô com medo, Ana.

Ela segurou minhas mãos.

— Eu sei. Mas hoje… hoje você vai entrar naquele casamento não como a menina que foi humilhada. Mas como a mulher que renasceu. E eu vou estar do seu lado o tempo todo.

Apertei seus dedos.

— Obrigada.

Ela sorriu.

Depois que ela terminou meu cabelo e maquiagem, Ana deu um pulinho animado.

— Agora é minha vez! Porque eu não vou do seu lado parecendo uma figurante, né?

Ela abriu o guarda-roupa com força dramática e puxou um vestido azul royal que parecia feito de céu noturno.

O tecido era leve, brilhava sem exagero, e tinha um caimento perfeito na cintura.

— Você vai com esse? perguntei, surpresa. Ele é lindo!

— Óbvio! ela girou com o vestido no braço. Hoje ninguém vai poder dizer que você chegou sozinha. Eu vou ser o seu escudo azul turquesa.

Ela entrou no banheiro e, em menos de dez minutos, reapareceu de cabelo arrumado em ondas suaves, como se tivesse acabado de sair de um salão.

Depois começou a se maquiar com a mesma habilidade com que tinha feito a minha porém muito mais rápida.

Passou:

• uma sombra azul acinzentada,

• iluminador na pontinha do nariz,

• blush suave,

• e um batom rosado que deixou os lábios dela perfeitos.

Eu fiquei olhando fascinada.

— Como você consegue fazer isso tão rápido? falei rindo.

— Talento natural, meu amor respondeu, piscando. Quando a gente vive correndo da vida, a gente aprende a se montar em cinco minutos.

Ela colocou um par de brincos prateados, ajeitou o vestido no corpo e se virou para mim.

Era um espetáculo.

O azul destacava a pele clara dela, os olhos brilhavam, o sorriso parecia ainda mais largo.

— Ana… você está maravilhosa. falei, com sinceridade.

— E você está um sonho. Ela tocou meu braço. Olha a gente… duas deusas prontas pra humilhar meio mundo sem fazer esforço.

Ela me puxou para frente do espelho grande do quarto.

Ali estávamos nós:

Eu, no champagne dourado que me fazia renascer…

Ela, no azul que iluminava tudo ao redor.

Lado a lado.

Fortes.

Unidas.

Ana colocou a mão na cintura e decretou:

— Agora vamos, porque se a gente atrasar, sua irmã ainda vai usar isso pra dizer que você faz drama.

Peguei minha bolsa.

Ela pegou as chaves.

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