Mais sacrifícios. Mais mentiras.
As semanas haviam trazido uma rotina morna, feita de pequenos passos e cuidados contínuos. A mamma estava de volta em casa, amparada entre almofadas e cobertores, com o sol da janela aquecendo seus pés e o cheiro de manjericão vindo da cozinha. À noite, eu dormia leve — ou fingia dormir. Cada barulho me fazia abrir os olhos.
Naquela madrugada, um grito rasgou o silêncio da casa.
Sentei na cama num pulo, o coração disparado. O segundo grito veio mais fraco, como um gemido abafado.
— Mamma?
Salte