CAPÍTULO 2

RODRIGO NARRANDO:

Precisava me esconder. Se Renan me visse, faria um escândalo e tudo estaria acabado. Por sorte, a bartender bonita fez um sinal para eu me abaixar e abriu uma porta lateral do bar.

Rapidamente me escondi no vão, ouvindo claramente a discussão.

— Cadê ele? Você acha que sou estúpido? Que viajei por quatorze horas sem saber que ia te encontrar aqui com seu amante? Eu já sei que está me traindo, Micaela! — Renan gritava.

— Não faça escândalo. Estou sozinha, não estou com ninguém. Você não vê? Está agindo como um louco. Eu disse que precisava de espaço e não estava brincando!— Micaela retrucou.

Senti-me péssimo.

— Eu vi que tinha um copo junto com o seu. Onde está? Você guardou, garçonete? Está ajudando essa vadia? — Renan rosnou para a bartender, que se manteve firme.

— Se o senhor continuar causando tumulto, vou chamar os seguranças — a jovem respondeu, apertando um botão vermelho próximo à pia.

Senti-me um covarde por estar escondido, mas não queria expor Micaela.

— Estou pouco me fodendo para o tumulto. Eu quero saber quem era o homem que estava com minha mulher aqui nesse bar! — Renan gritou.

Escutei as vozes de alguns homens se aproximando.

Olhei pelo vão e vi que eram os seguranças do resort.

— Senhor, o que está acontecendo? — um dos seguranças perguntou.

— Renan, por favor, vamos conversar no meu quarto, querido,— Micaela disse.

— Não é problema de vocês,— Renan disse aos seguranças.

— O senhor está incomodando os demais hóspedes, então se tornou um problema nosso. Estamos com alerta para um furacão que está crescendo para nível cinco, se aproximando do resort. É melhor voltarem para seus quartos — o segurança mais alto disse.

— Vamos, Micaela. Isso é problema entre marido e mulher. Não se metam — Renan disse, puxando Micaela pelo braço.

Pensei em ir atrás deles, preocupado com o que ele poderia fazer, mas ela sempre dizia que sabia lidar com Renan sozinha.

— Gisele, feche o bar e procure um lugar seguro. Estamos todos em alerta! Agora!— o segurança mais alto ordenou a bartender.

— Claro, vou fazer isso agora,— ela disse, recolhendo a porção de camarão e o drink de Micaela.

Os seguranças se afastaram, discutindo questões emergenciais pelo rádio.

A bartender começou a fechar a tenda do bar rapidamente. Levantei-me para ajudá-la, acabando por nos molhar um pouco.

Ela então disse:

— Olha, você precisa pagar a conta que ficou em aberto.

— Claro, não esqueci de propósito. Pode cobrar no débito,— respondi, pegando meu cartão.

Ela tentou passar na máquina, mas estava sem sinal.

— Você não tem em dinheiro? Ficou oitocentos dólares, — ela disse.

— Não vi que tomamos tudo isso,— falei, pegando as notas na carteira e entregando a ela.

— Somos o resort mais caro da ilha, senhor, pode escolher outro bar na próxima— ela respondeu, abrindo o caixa, separando as notas em um saco e guardando sob a blusa e no short.

Muito abusada!

— Está roubando? — questionei.

— Não, meu chefe não vem buscar por causa do furacão. Vou entregar a ele amanhã, não sou nenhuma ladra ou idiota como você,— ela disse, fechando o caixa rapidamente.

— Como assim sou idiota? — perguntei.

— Acha que não sei que você e aquela mulher têm um caso? E ela é casada? — ela disse.

— Isso não é da sua conta, — respondi, incomodado.

— Tem razão, não é da minha conta — ela disse irritada.

Então as luzes se apagaram e um trovão enorme ecoou.

— Merda, vamos sair daqui,— falei, preocupado.

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