CAPÍTULO 10

GISELE NARRANDO:

Os últimos meses foram uma verdadeira montanha-russa emocional. Rodriguinho, meu filho, era o centro do meu mundo. Ele estava crescendo tão rápido, cada dia mais inteligente e com uma curiosidade infinita. Às vezes, eu me pegava encarando seu rostinho, percebendo como ele herdava os traços do pai. Os olhos castanhos profundos, a linha do queixo... era impossível não pensar em Rodrigo, mesmo que, até então, ele fosse apenas uma memória distante.

A verdade, no entanto, era que a maternidade não era fácil. Na teoria, eu sabia que seria difícil, mas nada me preparou para a realidade de criar um bebê sozinho. O custo de cuidar de um recém-nascido era maior do que eu imaginava. Minhas economias foram sumindo como areia entre os dedos.

Aluguel, contas de luz, água, fraldas, remédios, roupinhas... A cada mês, Rodriguinho crescia, e eu particularmente comprava mais coisas.

Quando ele completou cinco meses, passei por mais um obstáculo: meu leite secou. Foi um choque. Eu havia tentado de tudo para continuar amamentando, mas meu corpo simplesmente não conseguia produzir o suficiente. Tive que recorrer às fórmulas, o que aumentou ainda mais os gastos. Era mais um item na lista interminável de despesas.

Eu me senti culpada, frustrada, mas não tinha escolha.

Foi aí que minha vizinha, dona Sueli, entrou mais uma vez na minha vida como um verdadeiro anjo.

Ela era uma senhora aposentada, com um coração imenso. Desde que me tornei mãe, ela demonstrou um carinho especial por mim e por Rodriguinho. Sempre contava que havia criado o filho sozinho, um homem de quarenta anos que ainda morava com ela e trabalhava à noite em construções de estradas. Dona Sueli se ofereceu para cuidar de Rodriguinho para que eu pudesse encontrar um emprego.

Suas palavras foram de um conforto imenso.

— Gisele, minha filha, vai lá e arruma um trabalho. Eu cuido do Rodriguinho como se fosse meu netinho, sei o que você está passando. Já passei por isso.

Com essa oferta generosa, comecei a procurar emprego. Fiz algumas entrevistas, mas, no fundo, o nervosismo me consumia. O medo de não conseguir dar conta do trabalho e da maternidade me acompanhava em cada entrevista, mas eu sabia que não poderia desistir.

Então, um dia, recebi uma ligação de um lugar chamado “Bar do Urso”. Ficava no centro da cidade, próximo à faculdade particular mais cara e no meio do bairro nobre. Fui para a entrevista com o coração na mão, mas a necessidade me impulsionou.

O dono, era um jovem simpático e muito acessível, ele se chamava Afonso, e me recebeu com um sorriso caloroso. Conversamos, e ele me explicou tudo: o bar funcionava todos os dias, e ele precisava de alguém para o turno da noite, como bartender.

Ele falou sobre o salário, o adicional noturno, o vale-transporte, o vale-refeição e as gorjetas, que, segundo ele, eram generosas.

— Vamos fazer um teste, Gisele. Preciso ver como você está atrás do balcão. Pode me preparar uma bebida? — ele disse, com uma voz encorajadora.

Eu já tinha alguma experiência com coquetéis, então, sem hesitar, fui até o balcão e decidi preparar um “Mojito”.

Peguei o rum, a hortelã fresca, o açúcar, o suco de limão, e adicionei gelo picado, finalizando com água com gás. Caprichei no sabor, garantindo que o equilíbrio entre o doce e o ácido fosse perfeito.

Afonso aprovou e mostrou-se satisfeito.

— Isso é exatamente o que eu estava procurando. Quando você pode começar?

Eu mal podia acreditar. O trabalho seria de domingo a domingo, com uma folga por semana, das cinco da tarde às quatro da manhã nos finais de semana, e podendo sair mais cedo em dias normais. Era pesado, mas o salário valia a pena, e eu não hesitei em aceitar.

— Posso começar imediatamente! — respondi, sem pensar duas vezes.

Era o início de uma nova fase. Mesmo com o cansaço que sabia que viria, não pude negar a gratidão que senti por ter encontrado um emprego que garantiria o sustento de Rodriguinho.

Estava pronta para enfrentar essa nova rotina, com a certeza de que, por ele, eu faria qualquer sacrifício.

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