Mundo de ficçãoIniciar sessãoRODRIGO NARRANDO:
Ignorei todos os alertas de furacão quando embarquei para Cancun. A sirene de emergência soava alto, mas nada importava mais para mim do que estar com Micaela, e eu estava preocupado do que Renan pudesse fazer com ela. O resort estava em alerta máximo, com hóspedes sendo levados para os bunkers e equipes de emergência correndo de um lado para o outro. Eu e a garota do bar corremos pela parte coberta do hotel, onde o chão já começava a ficar alagado. Pequenas correntes de água formavam poças profundas enquanto a chuva batia furiosamente contra as janelas. O vento era implacável, tão forte que parecia querer nos arrastar para longe. Por mais que tentássemos nos abrigar, a chuva entrava pelas janelas quebradas, molhando nossas roupas e nos deixando ensopados. No meio da correria, ouvi um estalo e, em questão de segundos, o vidro de uma das janelas explodiu ao nosso lado. Estilhaços voaram para todos os lados, e, antes que pudesse reagir, vi Gisele ao meu lado tentando se proteger com os braços. Um pedaço de vidro cortou sua mão, e ela quase perdeu o equilíbrio. Eu a segurei antes que ela caísse. — Gracias — disse ela, ofegante, segurando a mão ferida. — Vamos! — respondi, puxando-a para continuar correndo. Finalmente, encontramos uma sala segura, um dos bunkers que o resort tinha preparado para emergências como furacões que costumam acontecer nessa época do ano. Quando entramos, percebi que estávamos sozinhos, o que, de certo modo, foi um alívio. Lá dentro, o som do vento e da chuva era abafado, mas a tensão não diminuía. Peguei meu celular e tentei verificar a situação, mas, como esperado, não havia sinal. O de Gisele também estava sem serviço. Tínhamos apenas as lanternas de emergência, algumas barras de cereais, água e um kit de primeiros socorros. Senti o peso da situação cair sobre meus ombros, mas tentei manter a calma. — É melhor esperarmos aqui a tempestade passar — ela disse, com a voz trêmula, os olhos buscando alguma segurança. — Sim, estamos seguros agora — respondi, tentando esconder a preocupação que começava a tomar conta de mim. A tensão entre nós crescia. Gisele estava completamente molhada, sua blusa grudada em seu corpo exibindo seu decote com seios médios, e o frio no bunker a fazia tremer levemente. Seus olhos, de um castanho cor de mel, me encaravam com uma mistura de curiosidade e algo mais. Eu podia sentir a atração entre nós crescendo com cada segundo. — Você está bem? — perguntei, notando que ela pressionava a mão contra o peito, incomodada. — Não, cortei a mão com o vidro... está doendo muito — ela respondeu, estendendo a mão para que eu pudesse ver o ferimento. O corte era mais profundo do que eu imaginava. Não parecia haver nenhum pedaço de vidro preso, mas o sangue escorria lentamente, e a dor era visível no rosto dela. Preocupado, ajoelhei-me à sua frente e abri o kit de primeiros socorros. Sabia que precisava agir rápido para estancar o sangramento. Com cuidado, limpei o ferimento e procurei algo para fazer um curativo improvisado. Peguei o lenço branco que sempre carregava no bolso, com minhas iniciais "R.C." bordadas em um canto. Amarrei o lenço ao redor da mão dela, com o tecido macio absorvendo o sangue e estancando o ferimento. Quando me aproximei para ajustar o nó, senti o perfume suave que ela usava. Era delicado, com um toque floral que me envolveu. — Isso deve ajudar a parar o sangramento por enquanto — falei, tentando me concentrar no que estava fazendo, mas a proximidade dela me deixava distraído. — Obrigada, qual é o seu nome? — Ela perguntou, me fazendo lembrar que eu ainda não havia me apresentado. — Rodrigo — Obrigada Rodrigo, o meu é Gisele — Ela disse — Eu sei, escutei o segurança falar com você no bar, muito prazer — Respondi terminando de amarrar o meu lenço em sua mão macia. — Prazer — Ela respondeu timidamente Nossos olhares se encontraram, e, naquele momento, percebi a intensidade nos olhos dela. Aquele olhar de mel parecia prender o meu, como se estivesse me puxando para mais perto. Não consegui resistir. E, então, nossos lábios se encontraram. O beijo foi intenso, como se todas as emoções contidas explodissem de uma vez. Minhas mãos subiram até seu rosto, acariciando sua pele enquanto nossos lábios se moviam com urgência e desejo. Gisele relaxou contra mim, com seus braços envolvendo meu pescoço, e, por um momento, o som do furacão lá fora desapareceu. Havia apenas o som de nossas respirações, rápidas e entrecortadas, e o bater acelerado de nossos corações.






