CAPÍTULO 7

GISELE NARRANDO:

Faz semanas que tento encontrar algum vestígio de Rodrigo, mas parece que ele é um fantasma. Procurei ajuda de um colega que trabalha na recepção do resort, mas não havia nenhum hóspede registrado com esse nome naquela noite.

Nenhum Rodrigo, nenhum Rafael, nenhum Rodolfo, nenhuma pista que me levasse a ele, apenas um lenço com as iniciais "R.C" que ele deixou comigo.

Como ele foi capaz de mentir sobre o próprio nome? O canalha me enganou e agora me sinto tão burra. Não sei de onde ou que cidade ele veio, qual seu sobrenome, nem mesmo seu número de telefone, parecia ser mexicano pelo sotaque e eu pensava de qual parte. Pela primeira vez, sinto-me verdadeiramente irresponsável.

O que vou dizer ao meu filho quando ele me perguntar sobre o pai? Que me entreguei a um homem que mal conhecia... Um filho de um estranho. Como eu explicaria isso para o meu filho um dia?

Minha primeira vez foi com um mentiroso. Eu me culpei tanto no começo, mas quem nunca errou nessa vida, não é? Ninguém poderia me julgar. Um bebê é uma benção, e pelo menos eu não estaria mais sozinha nesse mundo.

Seis meses se passaram desde que descobri que estava grávida. Continuei trabalhando no resort, pois preciso mais do que nunca de dinheiro.

Comecei meu pré-natal logo após a descoberta, mas como as coisas pequenas em vilas sempre se espalham rápido, logo todos os vizinhos souberam da minha gravidez. Os olhares de julgamento me acompanharam por onde eu ia. As fofocas eram implacáveis.

Quem seria o pai? Eu nunca confirmei nada.

Apenas comecei a usar roupas mais largas para evitar os olhares curiosos.

Meu chefe, no entanto, não ignorou os rumores por muito tempo. Um dia, fui chamada à sala dele.

Ele parecia desconfortável, como se quisesse dizer algo delicado. Após alguns rodeios, ele finalmente disse:

— Gisele, não sei se você está ciente, mas sua gravidez pode causar complicações para a imagem do resort. Já que você trabalha no bar preparando bebidas alcoólicas até de madrugada. Sabe como são os hóspedes... Eu lamento muito, mas acho melhor encerrar nosso contrato.

Fiquei em choque, mas não contestei. Eu sabia que discutir ali não mudaria nada. Ao menos, recebi uma boa quantia na rescisão, o que me daria algum tempo para respirar e planejar o futuro.

Agora, sem emprego e com a barriga crescendo, percebi que a villa não tinha mais nada para me oferecer. Decidi que venderia minha casa e a da minha madrinha. Isso me permitiria recomeçar em algum lugar novo, talvez na capital, onde eu pudesse ter mais oportunidades de trabalho e um hospital melhor para o nascimento do meu filho.

Contratei um advogado conhecido na vila para lidar com a documentação da venda das casas.

Fiz fotos dos imóveis e postei alguns anúncios na internet. Era tudo o que eu podia fazer naquele momento. Comecei a arrumar minhas malas, separando o que levaria e o que deixaria para trás.

O aluguel na capital não era barato, e ainda preciso pensar no enxoval do bebê, que senti ser um menino.

Comecei a chamá-lo de Rodriguinho, em homenagem ao único nome que conhecia de seu pai mentiroso. Todos os dias eu conversava com ele, acariciando minha barriga, desabafando sobre minhas preocupações, minhas inseguranças, e até minhas esperanças. Ao mesmo tempo que me arrependia do erro, me confortava pensando que um bebê é uma vitória.

A Virgenzinha de Guadalupe deve ter-me enviado esse presente para que eu nunca esquecesse de ser mais cuidadosa no futuro.

Deixaria os móveis na casa para valorizar mais o imóvel, levando comigo apenas o rádio antigo que era do meu pai. Felizmente, não demorou muito até aparecer um comprador interessado, e com a ajuda do advogado, consegui vender as casas por um bom preço. A quantidade foi depositada diretamente na minha conta, e depois de revisar toda a documentação, era como se eu estivesse começando uma nova aventura.

Tudo o que eu tinha era o bebê na barriga e o dinheiro no banco.

Terminei de arrumar as malas para a mudança para a capital, com a venda finalizada e tudo organizado, eu só preciso me despedir do lugar onde cresci, da casa que guardei tantas memórias. Caminhei pelos cômodos uma última vez, acariciando minha barriga.

— Rodriguinho, estamos prontos para a nossa nova vida.

Depois que entreguei as chaves para o meu advogado, fui para o aeroporto e viajei de classe econômica pela primeira vez saindo de Cancún para a Cidade do México. Era uma sensação estranha, mas reconfortante. Escolhi um assento na janela e, durante o voo, passei a maior parte do tempo olhando para o horizonte, acariciando minha barriga. O vestido longo que usei, apesar de confortável, não disfarçava a minha barriga que crescia mais a cada dia.

Olhando para o reflexo da janela, eu sorria sozinha

— Parece que comi duas melancias, Rodriguinho!

Quando o avião pousou, sentiu a mudança de clima e o caos da capital. O aeroporto era gigantesco, com pessoas correndo de um lado para o outro. Peguei minhas malas e fui em direção à fila de táxis. O taxista que me atendeu, um senhor de aparência simpática, logo se apressou em me ajudar com as malas.

— Obrigada! — eu disse, enquanto ele as colocava no porta-malas.

— Não tem de quê, senhorita. Está com pressa ou tranquilo?

— Só estou cansada, na verdade — sorri, tocando a barriga. — Estou indo para o hotel... Aqui está o endereço. — Entreguei-lhe o papel com o nome do hotel que havia reservado.

— Certo! Vamos para lá então.

O percurso foi curto, e, apesar do trânsito caótico, senti que estava num mundo completamente novo, tudo era maior, mais rápido, mais intenso. O hotel, chamado Gran Hotel Ciudad de México , era um daqueles prédios históricos, com um charme que só um local centenário poderia ter. Ao entrar no quarto, minhas pernas parecem de chumbo.

Meus pés estavam inchados, algo que já havia se tornado rotina.

O quarto era espaçoso, com móveis de madeira escura, cortinas de veludo vermelho e uma grande cama de casal no centro. Uma pequena varanda com vista para a cidade. No entanto, o que mais me chamou a atenção foi o grande espelho ao lado da cama. Não resisti e caminhei até ele, observando meu reflexo.

— Olha só pra mim, Rodriguinho — eu disse, rindo sozinha. — Estou enorme! E quem diria que eu estaria aqui... grávida, de um homem que nem sei o nome verdadeiro. Como vou explicar isso pra você, hein? Será que um dia vamos encontrar seu pai?

Suspiro.

Aquele pensamento me perseguia, mas logo afastei a ideia com um carinho na barriga.

— De qualquer forma, Rodriguinho, eu prometo... — continuei, olhando no espelho. — Prometo que nunca vai faltar nada para você. Vamos fazer dar certo, só nós dois.

Deitei na cama exausta, mas com a mente a mil.

Eu sabia que estava prestes a começar uma nova aventura e, apesar de todos os medos e incertezas, senti uma coragem inexplicável pensando sempre no melhor para o meu filho.

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