Mundo de ficçãoIniciar sessãoHelena é uma garota de origem pobre, trabalhadora e destemida é um careter imaculada, irá se ver entre a cruz e a espada, entre o que ela crê e o que ela sente, pelos chefes pessoas que sempre a trataram bem , como Helena vai sair desta situação .
Ler maisMuita gente olha para esses portões de ferro batido e imagina que aqui dentro o tempo corre mais devagar, como se o luxo trouxesse paz. Mas eu, que carrego as chaves do serviço no bolso do avental, sei que cada centímetro desse mármore guarda um peso que os patrões nem sentem. Meu nome é Helena. Para eles, sou apenas o barulho da louça sendo lavada ou o rastro de cheiro de limpeza nos corredores, mas, por trás desse uniforme, eu vejo tudo o que acontece nesta mansão.
Dizem que as paredes desta mansão são frias, feitas de um mármore que custa mais do que a minha casa inteira. Mas eu? Eu prefiro trazer o meu próprio sol aqui para dentro. no meu mundo, Acordo cedo, antes mesmo do relógio de ouro da sala badalar, e coloco meu melhor sorriso junto com o uniforme passado. Muita gente não entende como posso trabalhar tanto, servindo pessoas que mal olham nos meus olhos, e ainda assim manter o bom humor. O segredo é que eles possuem a casa, mas eu possuo a alegria de saber quem eu sou. Só que, às vezes, por trás do brilho dos lustres, eu sinto que algo está prestes a mudar... O meu dia sempre começa no andar de cima, onde o perfume de alfazema da Dona Guiomar parece morar. Ela é uma senhora de uma elegância que eu nunca vi igual; mesmo de camisola, parece uma rainha. Sempre que entro no quarto para abrir as cortinas, ela já está acordada, me esperando com aquele olhar doce que só as pessoas que têm paz no coração possuem. Ela me trata como se eu fosse da família, com um carinho que às vezes até me faz esquecer que aquele quarto não é o meu. Ela segura minha mão, agradece o café com um aceno e, por um momento, o mundo parece ser um lugar simples e bom. Mas a paz daquele quarto termina assim que eu coloco o pé no corredor. Porque a casa não é feita só da doçura da patroa. Existe a nora dela e ela é bem difícil lidar . por mais difícil que seja Trabalhar nesta mansão não é o sacrifício que muitos imaginam. Dona Guiomar é um anjo na minha vida; uma senhora distinta, de uma elegância silenciosa e um coração que parece não caber no peito. E tem o neto dela... ele é a luz daquela casa. Educado, gentil, sempre com uma palavra doce para me dizer. Ele me trata com uma igualdade que chega a me desarmar. Mas, nos últimos tempos, percebi que o brilho nos olhos dele anda embaçado. Há uma sombra que ele carrega, um peso que ele tenta esconder por trás daquela cortesia toda. Foi numa manhã dessas, enquanto eu terminava de arrumar o quarto da Dona Guiomar, que ela segurou meu braço com uma força que eu não conhecia. O olhar dela, geralmente tão calmo, estava carregado de aflição. Ela não precisava ouvir para saber que o neto estava em perigo. Ela me olhou nos olhos e, num gesto desesperado, me pediu o impossível: que eu a ajudasse a proteger o segredo dele. Que eu ajudasse a esconder do resto da família aquela verdade que estava prestes a explodir e mudar nossas vidas para sempre."No momento em que o clímax nos atingiu, foi como se uma luz branca e ofuscante explodisse dentro do meu peito. Eu não conseguia mais distinguir o toque de Heitor do de Julian; eu era apenas um feixe de nervos expostos, vibrando na voltagem mais alta que um ser humano pode suportar. Meu corpo arqueou uma última vez, as pontas dos meus dedos se cravaram nos ombros deles e, então... o vazio doce.Eu apaguei. Meus sentidos desfaleceram sob o peso de tanto prazer, mergulhando-me em um sono negro e sem sonhos, um descanso absoluto que só os que amam sem reservas conhecem.Quando meus olhos se abriram novamente, a penumbra da madrugada tinha sido substituída por um brilho dourado e suave. O sol estava começando a subir no horizonte, filtrando-se pelas cortinas de linho e pintando o quarto com tons de mel.Eu não me mexi. Senti o peso reconfortante dos corpos deles ao meu redor. Heitor estava com o rosto enterrado no meu cabelo, seu braço pesado e protetor cruzando minha cintura, ancorando-me
O olhar de sono do Julian mudou em um milésimo de segundo quando ele sentiu a minha determinação. Eu não queria apenas ser amada; eu queria devorá-los. Com um movimento ágil, eu me posicionei, dominando o espaço entre os dois.— Bem-vindo à festa, Julian — sussurrei, e antes que ele pudesse responder, minha mão já envolvia sua virilidade, sentindo-o pulsar e despertar totalmente sob o meu toque.Eu o queria ali, agora. Sem hesitar, levei Julian à minha boca, mergulhando em um prazer voraz. Eu o saboreava com toda a intensidade da minha alma, como se ele fosse o meu vício mais doce, ouvindo seus gemidos graves ecoarem no quarto enquanto minha língua trabalhava sem descanso. Eu queria mostrar a ele que, embora Heitor tivesse me despertado, ele era o banquete que eu desejava completar.Enquanto eu me perdia no sabor de Julian, deixei meu corpo arqueado, oferecendo-me inteira para o homem que estava atrás de mim. Eu sabia que Heitor não suportaria apenas observar. Senti suas mãos fortes a
O silêncio voltou a reinar na villa, mas era um silêncio vivo, preenchido pelo som das nossas respirações que voltavam, lentamente, ao ritmo normal. O suor esfriava na pele, e o cheiro do nosso amor pairava no ar como um incenso sagrado.Eu estava exausta, mas era uma exaustão deliciosa, como se cada músculo do meu corpo tivesse finalmente encontrado o seu propósito. Heitor me puxou para o seu peito largo, seu braço forte me envolvendo como uma muralha de proteção. Do outro lado, Julian se aninhou a mim, entrelaçando suas pernas nas minhas e descansando a mão sobre o meu coração, que ainda batia acelerado.Não precisávamos de palavras. Naquele emaranhado de lençóis revirados, éramos um só corpo, uma só alma. Eu sentia o calor de Heitor às minhas costas e a doçura do rosto de Julian colado ao meu pescoço. Pela primeira vez na vida, o mundo lá fora — com seus nomes, suas regras e sua maldade — parecia não ter poder nenhum sobre mim.— Durma, Lena... — sussurrou Heitor, a voz vibrando ba
Heitor me colocou no chão da cozinha com o cuidado de quem carrega um tesouro, enquanto Julian já abria a despensa, os olhos brilhando com uma travessura que eu amava.— A regra é clara — anunciou Julian, jogando um pano de prato sobre o ombro. — Na mansão Guimarães, a Helena servia. Nesta villa, a Senhora Guimarães é servida. Heitor, pegue o vinho. Eu cuido da massa.Foi uma das cenas mais surreais e lindas da minha vida. Eu, sentada no balcão de mármore, balançando as pernas e tomando um vinho que custava mais do que meu antigo salário anual, enquanto via os dois herdeiros de nomes poderosos se atrapalhando com panelas e temperos apenas para me agradar.Heitor, sempre tão polido e impecável, estava com as mangas da camisa de linho dobradas, picando tomates com uma seriedade como se estivesse assinando um contrato multimilionário. Julian, por outro lado, dançava pela cozinha ao som de uma rádio local, jogando manjericão no ar e me fazendo rir a cada cinco minutos.— Está pronto — dis
Acordei com a sensação de que o tempo tinha se dobrado. O quarto estava mergulhado em uma luz alaranjada e densa, aquele tom de fogo que o sol assume segundos antes de se esconder no mar. Abri os olhos devagar, sentindo a maciez dos lençóis de linho, mas, quando estendi as mãos para os lados, encontrei apenas o vazio.O lugar onde Heitor estivera estava frio, e o lado de Julian mantinha apenas o rastro do peso do seu corpo. Por um segundo, meu coração disparou. O medo antigo, a insegurança de quem sempre foi a 'empregada', gritou lá no fundo: Será que foi um sonho? Será que eles foram embora e me deixaram nesta casa vazia?Sentei-me na cama, com o cabelo desgrenhado e o corpo ainda pesado pelo sono profundo. O silêncio da villa era absoluto, interrompido apenas pelo grito distante de uma gaivota. Levantei-me, envolta em um robe de seda branca, e caminhei descalça pelo assoalho de madeira que rangia suavemente.— Heitor? Julian? — minha voz saiu rouca, quase um sussurro.Não houve resp
O som dos pneus sobre o cascalho da entrada da mansão foi o último ruído daquela vida de aparências que deixamos para trás. Eu ainda usava o meu vestido de recepção, uma seda leve que substituíra o peso do altar, e a aliança de Helena Guimarães brilhava no meu dedo como uma promessa cumprida.Para a sociedade, para os fotógrafos e para a amargura de Dona Margarida, Heitor e eu estávamos partindo sozinhos para uma villa isolada na costa. Mas, assim que dobramos a primeira estrada de terra, longe dos olhares curiosos, Heitor parou o carro.A porta de trás se abriu e Julian entrou, rindo, jogando sua mochila de couro no banco e puxando a respiração como se estivesse respirando pela primeira vez em anos.— Conseguimos — Julian disse, seus olhos encontrando os meus pelo retrovisor e depois os de Heitor. — Nós realmente conseguimos.— A partir daqui, Lena — Heitor disse, soltando o nó da gravata e segurando a minha mão enquanto voltava a dirigir —, o mundo não tem mais olhos.A viagem foi p
Último capítulo