O Pacto de Amizade

Ele soltou o ar que parecia estar prendendo há muito tempo. Não havia mais o brilho do herdeiro intocável, apenas um homem despido de suas máscaras. Ele caminhou até a janela, olhou para o jardim da mansão e depois voltou-se para mim com um olhar de profunda gratidão.

— Lena, o que vem depois é a nossa vida. E eu prometo que você nunca estará sozinha nela. Eu não te vejo como um disfarce, eu te vejo como a minha única aliada. O que eu te ofereço não é um casamento de comercial de TV, mas uma amizade que nada no mundo vai conseguir quebrar.

Ele se aproximou e, dessa vez, a voz dele estava calma, quase num sussurro de cumplicidade.

— Sim, teremos uma vidas privadas, mas nesta casa, seremos um só. Eu serei um pai presente, o melhor que eu puder ser. Vou te honrar na frente da minha mãe e de toda essa sociedade hipócrita. Se você aceitar, você não será a 'esposa que fica esperando', você será a dona desta casa, a minha conselheira e a pessoa com quem eu vou dividir as minhas angústias.

Ele fez uma pausa, deixando a verdade assentar entre nós.

— Nós vamos criar esses filhos com amor, mas também com a verdade sobre o que é o respeito. E se um dia você sentir que esse peso é demais, eu estarei aqui para carregar com você. Eu preciso de uma parceira, Lena. Alguém que me conheça de verdade e ainda assim escolha estar ao meu lado. Você prefere ser uma empregada que eles mal notam, ou a mulher que vai mandar em tudo isso comigo, sabendo que tem o meu respeito eterno?

Olhei para a Dona Guiomar, que assentiu levemente com a cabeça. O acordo estava ali, nu e cru. Não era o conto de fadas que eu imaginava quando era menina, mas era algo real. Pela primeira vez, eu vi que poderia ajudar aquele rapaz a não se afogar, e ao mesmo tempo, garantir que eu nunca mais teria que baixar a cabeça para ninguém.

Eu olhei bem no fundo dos olhos dele. Ali, vi que não havia maldade, apenas um homem desesperado para ser quem é sem perder as pessoas que ama. Minha mente de moça de princípios ainda dava voltas, mas meu coração entendeu que proteger alguém de uma injustiça era o maior princípio de todos.

— Tudo bem — respondi, com a voz firme, embora minhas pernas ainda estivessem um pouco bambas. — Eu aceito ser sua aliada. Eu aceito ser a mãe dos seus filhos e a mulher que vai estar ao seu lado diante da sua mãe e do mundo.

Dei um passo à frente e estendi a mão para ele, não como uma serva, mas como uma igual.

— Mas escute bem: eu não serei uma sombra. Se vamos fazer isso, faremos do meu jeito também. Teremos respeito, teremos amizade e, acima de tudo, teremos honestidade um com o outro. Se você me der a sua lealdade, eu te darei a minha vida para proteger esse segredo.

O rapaz segurou minha mão com uma força que misturava alívio e gratidão. Ele não a beijou como um amante, mas a apertou como um náufrago que acaba de encontrar terra firme. Dona Guiomar, ao lado, soltou um longo suspiro e limpou uma lágrima que teimava em descer por trás dos óculos.

— Obrigada, Lena — ele sussurrou. — Você não tem ideia do que acabou de fazer por mim.

— Eu tenho sim — respondi, olhando para a porta do quarto, sabendo que a partir daquele minuto, eu nunca mais seria a mesma Lena. — Agora, me conte... como vamos convencer a sua mãe de que o 'homem de princípios' dela se apaixonou pela moça que serve o café?

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