Mundo de ficçãoIniciar sessãoEu nunca imaginei que a vida pudesse me empurrar tão fundo. Trabalhei noites inteiras em uma boate, dançando para desconhecidos, tentando juntar cada centavo para pagar o tratamento do câncer da minha mãe. Mas o dinheiro nunca era suficiente. A cada exame, a cada medicamento, eu via o desespero crescer e a esperança se esvair. Foi então que uma colega me falou sobre uma agência de acompanhantes de luxo. Disse que eu tinha beleza, corpo e idade para ganhar muito mais. Eu hesitei, mas o desespero fala alto quando quem você ama está morrendo. No dia da entrevista, me pediram para tirar a roupa, fiquei toda aberta, exposta. Fiquei ali, completamente despida, sentindo vergonha, medo e raiva misturados. A câmera registrava cada detalhe do meu corpo e, junto com as fotos, parecia levar embora o pouco de dignidade que me restava. Quando confessei que era virgem, o olhar da mulher mudou. Ela disse que eu poderia ganhar uma fortuna se vendesse a minha primeira vez. Achei uma loucura, mas a loucura maior seria perder minha mãe, então aceitei. O que eu não esperava era que o comprador fosse um sheik árabe, misterioso, poderoso, e disposto a pagar qualquer preço por mim. Agora, com a passagem para Dubai nas mãos, eu não sei se estou a caminho de salvar uma vida... ou de perder a minha.
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* O espelho não mentia. Ele mostrava tudo. A pele, a curva da cintura, os seios expostos, a insegurança estampada no meu rosto, eu estava nua. Literalmente. E, pela primeira vez, não por descuido ou intimidade, mas por obrigação, por necessidade, por desespero. Nunca pensei que chegaria a esse ponto. Ali, parada em frente à câmera, eu tentava parecer confiante. Tentava parecer o que eles queriam que eu fosse, desejável, segura, ousada. Mas a verdade é que minhas pernas tremiam, meu estômago parecia um nó apertado, meus olhos fugiam do fotógrafo, da mulher com a prancheta, da gerente da agência que me observava com um olhar cirúrgico, como se estivesse avaliando um pedaço de carne rara. Tudo começou quando minha mãe adoeceu. Ela sempre foi meu porto seguro, minha fortaleza, e agora estava definhando em uma cama, esperando por exames e tratamentos que eu simplesmente não conseguia pagar. Dançar na boate já não bastava, o dinheiro sumia antes mesmo de chegar. Foi aí que Rebeca, uma das meninas do camarim, me puxou para o lado e disse, com uma naturalidade quase cruel... — Você não precisa se matar na boate. Tem gente que pagaria uma fortuna pra passar uma noite com você. Morena, novinha, com esse corpo… Dá até pra virar acompanhante de luxo. No começo eu ri, depois, chorei, e por fim, aceitei. Consegui o contato de uma agência de alto padrão. Me disseram que ali não era “qualquer uma” que entrava. Eles escolhiam a dedo. E eu fui selecionada para a avaliação. O lugar era lindo, frio, silencioso, impecável. Mármore no chão, paredes claras, cheiro de perfume importado. Nada parecido com o cheiro de álcool e cigarro da boate. Mas, mesmo assim, eu me sentia suja. Me pediram para colocar um robe de seda, leve demais, transparente demais. Depois, me levaram para uma sala com luzes fortes, câmeras, e três pessoas me olhando como se eu fosse um produto em exposição. A maquiadora me retocou os lábios, ajeitou meus cabelos e sussurrou... — Fica tranquila. Você é linda. Mas eu não estava tranquila, eu estava despedaçada por dentro. Me pediram para tirar o robe. Primeiro hesitei, depois, obedeci. Fiquei ali, com os braços cruzados sobre o peito, tentando proteger o que podia. — Pode abaixar os braços? Alguém pediu, gentil, mas impessoal. Engoli seco e fiz o que me pediram. Me senti completamente vulnerável. As fotos começaram, de frente, de lado, de costas, com os cabelos caindo sobre os seios, depois totalmente puxados para trás. “ — Agora mais sensual, Júlia... Tenta imaginar alguém que você deseja. Eu não conseguia imaginar ninguém, só a minha mãe, só o hospital, só o medo. — Abre as pernas Júlia, como se estivesse prestes a mostrar o útero. Eu respirei fundo, sentindo as lágrimas se formando em meus olhos, mas abri, com todos aqueles desconhecidos encarando a minha buceta aberta. Depois da sessão, vesti o robe com tanta pressa que quase o amarrei errado. Minhas mãos tremiam. Foi então que, sem pensar muito, eu soltei... — Eu ainda sou virgem. A gerente levantou os olhos na mesma hora. — O quê? — Eu… nunca fiz. Nunca estive com ninguém. Falei quase como um pedido de desculpas. O silêncio foi instantâneo, olhares trocados, suspiros. O brilho nos olhos da mulher da prancheta não me escapou. Eu não sabia o que vinha a seguir. — Você quer ganhar muito dinheiro Júlia? — O suficiente para pagar o tratamento da minha mãe que está com câncer. — Sinto muito querida, mas, sua virgindade vale uma fortuna. Se você aceitar vendê-la, com certeza terá grana de sobra para pagar o tratamento dela. Sem hesitar, concordei. Horas depois, recebi uma ligação, era da agência. Me ofereceram quinhentos mil, por uma única noite, com um cliente reservado, poderoso, discreto, mas tinha um porém... Eu teria que viajar para o país dele em Dubai. — E então Júlia? Aceita? Eu fiquei um tempo pensando, mas com muito medo de estar indo em direção a um sequestro, eu já havia lido bastante sobre isso. Em contrapartida, era dinheiro suficiente para pagar todo o tratamento da minha mãe, o suficiente pra mudar tudo. Mas também era o suficiente pra destruir tudo que eu achava que era. — Preciso de um tempo para pensar. — Pensa bem Júlia, esse valor é apenas o que a agência irá dar para você, porém, o cliente irá dar muito mais, se ele gostar de você. — Até o final eu mando uma mensagem com a resposta. Passei horas olhando minhas próprias fotos, ali estava eu, nua, provocante, quase outra pessoa. Senti nojo, senti vergonha, senti medo. Mas também senti uma força que eu nunca tinha sentido antes. A mulher que eu era até aqui, ela não existia mais. Peguei o celular, respirei fundo. E respondi: “Aceito.”JÚLIA*Se alguém me dissesse, no início de tudo, que eu terminaria minha história vivendo em Dubai, casada com um Sheik e segurando a mão do homem que um dia eu achei que destruiria minha vida, eu teria rido.Ou talvez chorado.Porque a verdade é que, naquele tempo, eu não conseguia enxergar futuro nenhum.Minha vida era feita de medo.Medo das contas.Medo do hospital ligar.Medo da minha mãe piorar.Medo de ficar sozinha no mundo.E no meio de todo aquele caos, apareceu Al Rashid.Lindo.Frio.Intimidador.O tipo de homem que parecia ter sido criado para nunca ouvir um “não”.E talvez tenha sido exatamente isso que tornou tudo tão destrutivo entre nós no começo.Porque eu lutei contra ele.Contra o desejo.Contra a atração.Contra o sentimento absurdo que começou a crescer mesmo quando eu tentava odiá-lo.Mas a vida…A vida tinha outros planos para nós dois.Hoje, olhando para trás, eu percebo que tudo aconteceu rápido demais.A descoberta da mentira de Carolina.O acordo.Dubai.L
SHEIK*Eu já havia comandado reuniões capazes de mudar economias inteiras.Já sentei diante de reis, presidentes, empresários bilionários e homens que tremiam apenas por ouvir meu nome.Mas nada…Absolutamente nada me deixou tão nervoso quanto esperar Júlia entrar naquele salão.Talvez porque, pela primeira vez na vida, eu realmente tinha algo a perder.Ou melhor…Alguém.Um mês.Foi o tempo que levou para Júlia transformar completamente meu mundo outra vez.Uma semana depois da ilha, embarcamos para Dubai.E um contrato assinado.Ainda lembro da expressão do meu advogado tentando manter a postura séria enquanto lia cada cláusula criada por Júlia.Minha futura esposa basicamente havia elaborado um manual completo de sobrevivência emocional contra mim.E honestamente?Eu assinei tudo sem hesitar.Exclusividade absoluta.Nenhuma outra mulher.Nenhuma concubina.Nenhum casamento além dela.Direito imediato de retornar ao Brasil com nossa filha caso eu quebrasse qualquer cláusula.Patrim
Eu nunca fui uma mulher difícil de impressionar.As pessoas costumavam acreditar nisso porque viam o dinheiro ao redor de Al Rashid, os carros, os seguranças, o poder, as extravagâncias. Mas a verdade era que nada disso me atingia da forma que atingia outras mulheres.O que realmente me desmontava, eram os detalhes.E naquela noite, desde o momento em que entramos no helicóptero, eu percebi que Al Rashid havia preparado cada detalhe pensando em mim.Não na mulher que ele desejava.Mas na mulher que ele amava.O voo até a ilha foi silencioso em vários momentos, não por desconforto, mas porque existia algo extremamente intenso entre nós dois. Uma expectativa quase palpável.Eu sentia o olhar dele em mim o tempo inteiro.Nas minhas pernas.Na minha boca.No meu pescoço.Como se quarenta dias de espera tivessem deixado aquele homem perigosamente perto de perder o controle.E talvez tivesse mesmo.Às vezes eu flagrava ele respirando fundo discretamente, como se estivesse tentando manter o
JÚLIA*Quarenta dias.Foi esse o tempo que levou para minha vida virar completamente do avesso mais uma vez.Mas, diferente de todas as outras mudanças que aconteceram comigo, aquela não veio acompanhada de dor, medo ou desespero.Veio acompanhada de paz.E talvez fosse exatamente isso que mais me assustava.Porque depois de tudo o que Al Rashid me fez passar, depois da forma cruel como nossa história começou, eu jamais imaginei que um dia acordaria feliz ao lado dele.Mas aconteceu.Os primeiros dias após o nascimento da Aisha foram os mais difíceis fisicamente. Meu corpo doía, eu me sentia cansada o tempo inteiro, mal conseguia dormir direito e chorava por qualquer coisa.Às vezes eu chorava porque a bebê dormia demais.Às vezes porque ela chorava demais.Às vezes porque minha mãe não estava ali para ver aquilo.E em todas essas vezes… Al Rashid estava comigo.Sem fugir.Sem reclamar.Sem agir como um homem poderoso que acreditava que certas funções não eram responsabilidade dele.
Último capítulo