Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlice tem apenas 19 anos e um único sonho: sair da Rocinha e mudar sua vida através do estudo . Órfã, criada de favor pelos tios, ela aprendeu cedo que sobreviver é tão difícil quanto sonhar. Mas tudo muda quando Alice é acusada injustamente e levada diante do homem mais temido do morro. Ele é conhecido como Coroa. Mais velho. Frio. Calculista. O dono absoluto da Rocinha. O encontro que deveria significar o fim… se transforma no começo de algo perigoso. Entre regras silenciosas, jogos psicológicos e uma atração proibida, Alice se vê presa em um mundo onde poder, desejo e medo caminham lado a lado. Coroa não é um homem fácil de decifrar. Ele controla tudo — inclusive as emoções dela. E quanto mais Alice tenta resistir, mais se aproxima da escuridão que ele carrega. Mas em um lugar onde qualquer fraqueza vira alvo, se apaixonar pelo dono do morro pode ser tanto uma sentença de morte… quanto a única forma de sobreviver.
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O despertador tocou às cinco da manhã, mas eu já estava acordada. Na verdade, mal tenho dormido. A pressão da casa dos meus tios apertava mais do que o colchão fino onde eu passo as noites.O quarto pequeno, com uma janela emperrada e paredes úmidas, era o único lugar onde eu conseguia imaginar um futuro. Um futuro que parecia longe demais.
Vesti minha camisa simples, ajeitei o cabelo preso e guardei o caderno dentro da mochila rasgada. Às vezes, sinto vergonha dela… mas era tudo que eu tinha. E era suficiente para carregar meus sonhos.Lá fora, o morro começava a acordar. O som dos rádios, das vozes, dos passos apressados. O cheiro de café forte misturado ao de pão na chapa. A Rocinha tinha vida própria.
— Anda, Alice! — a voz da tia Lenice ecoou pela casa. — Vai perder o ônibus e depois fica chorando!
Eu engoliu seco.Não discutia. Nunca adiantava.
Desci as escadas rápido, peguei um pedaço de pão e sai antes que a tia inventasse outra crítica. Caminhei pelo beco apertado até a viela principal, onde os comerciantes montavam barracas e os mototaxistas gritavam seus destinos.
Enquanto andava, repetia mentalmente:
Eu vou conseguir. Eu vou sair daqui.
Chego ao ponto de ónibus e ele vem lotado ,como sempre respiro fundo quando sou prensada mais uma vez não sei como consigo respirar,fecho meus olhos e lembro da voz dos meus pais dizendo Alice estude só assim você podera mudar sua vida ,é nisso que me apego nas lembranças dos meus pais e é por isso que estou enfrentando essa rotina todos os dias ,estou no 4° semestre da faculdade de pedagogia sei que não vou conseguir mudar o mundo mas se conseguir alcançar algumas crianças ja ficarei feliz .
Nascida e criada na favela da Rocinha no Rio de Janeiro é a maior e uma das mais conhecidas favelas do Rio de Janeiro, localizada na Zona Sul, entre os bairros nobres da Gávea e São Conrado lá eu conheci a maior dor da minha vida , a perca dos meus pais em mais uma operação contra o tráfico as balas perdidas encontraram meus pais por isso eu odeio o tráfico com todo o meu ser ,esse mundo de violência de balas perdidas onde os mocinhos se perdem e os vilões ficam ,essa é a beleza que os turistas não vêm ,ah se eles tivesem noção de como esse mundo é duro e cruel ,uma lágrima escore em meu rosto seco rápido não quero chorar no meio desse povo e amassada ainda por cima. Chego no meu ponto de destino ainda bem que é de frente a faculdade, consigo descer do ônibus com muito sufoco e já de cara encontro minha amiga Sara ,ela vem toda sorridente e já vem com alguma gracinha,ela tem sido minha alegria me distrai da minha dor. Sara: amiga, como você demorou, achei que nem ia vir hoje , dou um sorriso amarelo para ela essa palhaça mora aqui ,no asfalto perto da faculdade e vem me falar de demora tem que rir para não chorar seu sorriso aumenta ainda mais quando fecho a cara ,Sara você sabe aonde eu me escondo né vim que nem sardinha amassada vamos logo para a sala de aula preciso descansar Sara- Achei que você vinha para faculdade estudar não pra descansar rs ,vamos logo tenho muitas novidades, sexta feira quero ir no baile e você vai junto e já te falo não aceito desculpas nenhuma Alice-Eu já te falei que não curto baile nenhum, quero distância de bandido, não vejo a hora de me formar e arrumar um bom emprego para sair da Rocinha . Sara-Poxa Alice o que custa, tanto tempo que te convido e você nunca quer ir você é nova mulher precisa viver ,não estou falando pra você casar com ninguém mas se pegar sem se apegar e dançar ,curtir credo parece uma idosa !! Ela vai na frente brava ,fala sério Sara viaja nesse mundo de baile é porque nunca enfrentou uma invasão ,ia sair correndo e nunca mais ia querer voltar parece que não assisti tv ,não vê notícias acha que baile é uma uva ,eu já expliquei como funciona mesmo sem nem ir, a favela tem regras e o Dono do morro que chamam de Coroa de bonzinho não tem nada já ouvi muitas histórias sobre ele nunca vi de perto e nem quero ver se pudesse vivia escondida para não ter contato com nenhum deles e a palavra pra isso é medo ! eu perdi meus pais pra essa violência e ilusão do mundo deles não posso perder mais ninguém e isso já expliquei para Sara vou ruma a sala de aula quando alguém me dá um encontrão,ai derrubo tudo que tem nas mãos da pessoa levanto meu olhos e vejo Caio sorrindo ,nossa Alice me desculpa eu te machuquei ? Alice-Não Caio tranquilo,ele é um moreno com os olhos cor de mel com um sorriso perfeito fico hipnotizada olhando pra ele ,mano que cara lindo me recomponho e paro de olhar que nem uma palhaça,estou indo para sala você não vai ? Caio-vou sim ,é que esqueci meu trabalho no carro ,espero que você esteja bem me desculpe novamente. Alice -estou bem ,vai lá a gente se vê na sala ,sigo meu caminho e ele ficou me olhando diferente dessa vez,dois anos estudando com ele e ele nunca me deu uma brecha é sempre educado com todos prestativo também ,já vi ele com uma moça muito bonita daqui da faculdade a Alessandra eu não chego nem aos pés dela ,sou uma bolsista favelada ,não sou nenhuma menininha besta já fiquei com uns caras daqui da faculdade mas nada sério.Chego na sala de aula e me acomodo no meu lugar de sempre, Sara me ignora mas sei que jajá ela fala comigo, sempre com chantagem pro meu lado.
CENA EXTRA — DEPOIS DO SILÊNCIOA casa estava em paz.Finalmente.Gael dormia no berço ao lado da cama.Respiração tranquila.Pequena.Perfeita.Alice saiu do banho devagar, ainda secando o cabelo com a toalha.Quando levantou o olhar…Ele já estava ali.Encostado na parede.Observando.Coroa.Silencioso.Como sempre fazia.Mas agora…Diferente.Mais calmo.Mais contido.E ainda assim…Intenso.— Você anda me olhando assim demais… — ela comentou.Ele não respondeu de imediato.Só empurrou o corpo da parede.Se aproximando.Passos lentos.Controlados.— E você anda fugindo demais.A voz baixa.Rouca.Alice arqueou a sobrancelha.— Fugindo?— De mim.Ela soltou um riso leve.— Tem um bebê na casa agora.Ele parou na frente dela.Perto.Muito perto.— Eu percebi.Silêncio.O tipo de silêncio que mudava o ar.Alice cruzou os braços.— Então se comporta.Um canto do lábio dele subiu.Perigoso.— Eu tô me comportando.Ela riu.— Isso aqui é você se comportando?— Você não imagina como eu po
Meses depois…O morro estava diferente.Mais organizado.Mais controlado.Menos caos.Mas ainda perigoso.Como sempre seria.—Alice estava sentada na varanda.O sol batendo leve no rosto.Mão na barriga.Pensativa.Respirando fundo.—Passos atrás.Ela nem precisou olhar.— Tá sumida. — Coroa disse.A voz baixa.Mais leve do que antes.Ela sorriu de canto.— Tô pensando.— Isso nunca é bom.Ela virou.— Cala a boca.Ele riu.Baixo.Sentou ao lado dela.— O que foi?Silêncio.Alice respirou fundo.Pegou a mão dele.E colocou na barriga.Ele franziu a testa.— Alice…Ela olhou nos olhos dele.E disse:— A gente vai ter um filho.O mundo parou.De verdade.Coroa ficou imóvel.Sem reação.Sem fala.Pela primeira vez.—— Você tá falando sério? — ele perguntou.A voz baixa.Quase… vulnerável.Ela sorriu.Os olhos brilhando.— Tô.Silêncio.E então…Algo raro.Único.Ele sorriu.De verdade.Puxou ela pra perto.Com cuidado.Como se ela fosse algo precioso demais.— Então agora eu tenho doi
A dor no ombro ainda pulsava.Mas Alice não estava pensando nisso.Estava olhando para o celular.A mensagem aberta.Um endereço.E uma frase:“Quer saber a verdade? Vem sozinha.”Ela já sabia de quem era.Isabella.Mas dessa vez…Tinha algo diferente.Algo pessoal.Muito pessoal.—O lugar era afastado.Uma casa antiga.Mal iluminada.Silenciosa.Alice entrou sem avisar ninguém.Errado.Perigoso.Mas necessário.—A porta rangeu.Ela entrou.O coração acelerado.E então—Parou.O mundo pareceu parar junto.— Tia…?Lenita.Parada no meio da sala.Fria.Sem surpresa.Sem carinho.Como sempre foi.Mas agora…Sem máscara.— Demorou, Alice.O sangue gelou.— O que você tá fazendo aqui?Uma risada veio do canto.O tio.Encostado na parede.— Finalmente você entendeu que nunca foi da família.O impacto foi brutal.— O quê…?Alice deu um passo pra trás.— Vocês…?Lenita cruzou os braços.— Você sempre foi um peso.Cada palavra…Uma facada.— A filha que ninguém quis.— A boca a mais.— O pro
O primeiro disparo cortou a noite.Seco.Preciso.Um dos homens ao lado de Alice caiu antes mesmo de entender o que aconteceu.E então…Caos.Tiros ecoando.Gritos.Passos correndo.Os homens de Coroa surgiram dos pontos cegos como sombras.Rápidos.Treinados.Letais.Alice não pensou.Agiu.Como ele ensinou.Puxou a arma.Apontou.Respirou.Um homem avançou nela.Ela atirou.O recuo do tiro subiu pelo braço.O homem caiu.O coração dela disparou.Mas ela não travou.Não dessa vez.— Isso… — Isabella murmurou, sorrindo mesmo no meio do caos — agora ficou interessante.Alice virou na direção dela.— Acabou pra você.Isabella inclinou a cabeça.— Tá só começando.E então—Um braço puxou Alice pela cintura.Forte.Rápido.Ela girou pronta pra reagir—— Sou eu.A voz dele.Baixa.Perigosa.Coroa.O corpo dela reagiu na hora.Mas não houve tempo.Ele já a puxava para trás de um carro.Se posicionando na frente.Protegendo.Atirando.Cada disparo dele era preciso.Controlado.Como se aquilo





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