Mundo ficciónIniciar sesiónDurante uma viagem de negócios a Angola, Helder Tex, um CEO de origem americana, perde a esposa num trágico acidente em Luanda, ficando sozinho com o filho ainda bebé nos braços. Decide permanecer no país para reconstruir a vida e expandir os seus investimentos, dividindo-se entre Luanda e a província de Malanje. Para cuidar do filho durante as suas ausências, contrata Ilda Ginga, uma babá respeitada na comunidade, mulher simples, dedicada e já noivada, com a vida aparentemente definida. À medida que o tempo passa, Helder torna-se profundamente obcecado por Ilda, não apenas pela forma como cuida do seu filho, mas pela presença, pelo silêncio e pela força que ela carrega. Mesmo sabendo que ela pertence a outro homem, ele luta contra o desejo, o ciúme e a necessidade de a ter por perto. Entre escolhas difíceis, pressões sociais e uma mulher rica e elegante que também tenta conquistá-lo, Helder terá de decidir até onde está disposto a ir por um amor proibido. Ilda, dividida entre o dever, a promessa do noivado e um sentimento que cresce contra a sua vontade, terá de escolher entre a vida que planeou e a vida que o destino lhe impõe.
Leer másDepois de uma longa viagem desde o centro de Malanje até Cacuso, Helder estacionou o carro à entrada da aldeia. O sol já descia lentamente, tingindo o céu de tons quentes e perigosos. Os dois desceram do veículo em silêncio.Helder acompanhou Ilda até à a segunda entrada da aldeia. A mão esquerda dele deslizou pelas costas dela, num gesto instintivo, possessivo. Ilda estremeceu e afastou-se de imediato.— Isso não está certo — disse ela, nervosa. — Nós acabámos de nos conhecer. Não podes fazer isso. Se não me respeitas, pelo menos respeita o meu noivo. Estou prestes a receber o dote.Helder sorriu de lado, num sarcasmo contido.— Posso ser eu a dar esse dote — respondeu, num tom calmo, quase provocador.Ilda abanou a cabeça com firmeza.— Eu não quero ser noiva de um homem quase velho, com a idade já a passar dos quarenta. — Fez uma pausa, respirou fundo, e completou com ironia nervosa: — Até que o senhor é bonito… bom corpo, forte, bom português apesar de ser americano, branque-lo… m
Helder saiu cedo naquela manhã. O sol ainda lutava para romper as nuvens densas que cobriam Malanje, e o ar trazia um cheiro húmido de terra molhada. Precisava de comprar algumas coisas básicas, mas, mais do que isso, precisava sentir a cidade, observar rostos, ouvir vozes, compreender o lugar onde decidira ficar.Entrava em pequenas lojas, trocava cumprimentos curtos, fazia perguntas simples. As pessoas respondiam com curiosidade contida, olhares atentos ao estrangeiro de fala calma e postura reservada. Helder falava pouco, observava muito.Foi então que, ao virar uma das ruas de terra batida, o seu olhar ficou preso numa casa grande, antiga, de muros altos e pintura gasta. Parecia abandonada, mas havia movimento. A curiosidade puxou-o para mais perto.Algumas senhoras limpavam o quintal, varriam folhas secas e conversavam entre si. Helder aproximou-se devagar, cauteloso, com o bebé bem preso contra o peito.— Bom dia — disse, num tom respeitoso.As mulheres interromperam o trabalho
O cemitério de Luanda estava silencioso demais para um dia tão quente. Helder Tex mantinha-se imóvel diante da sepultura recém-fechada. O fato preto colava-lhe ao corpo, mas o peso maior vinha do peito. Nos braços, o filho dormia, alheio ao fim do mundo que acabara de acontecer.— Ela não merecia isto… — murmurou um dos amigos.Helder não respondeu. Não chorava. O luto tinha-lhe roubado até as lágrimas.— Helder, nós voltamos hoje para os Estados Unidos — disse um homem de meia‑idade, pousando-lhe a mão no ombro. — Se precisares de alguma coisa…— Obrigado — respondeu ele, seco. — Vão em paz.Os amigos despediram-se um a um. Abraços rápidos. Olhares de pena. Palavras vazias. Quando o último carro se afastou, Helder ficou sozinho. Só ele, o filho e a terra vermelha que agora guardava a mulher que amara.— Somos só nós agora… — sussurrou ao bebé.No mesmo dia, decidiu partir para Malanje.A estrada era longa. O sol descia devagar. O carro avançava em silêncio, quebrado apenas pelo choro





Último capítulo