Mundo de ficçãoIniciar sessãoImagina acordar num dia comum, levantar da cama, e descobrir que o garoto mais rico da cidade decidiu montar um cavalo branco (sim, literalmente!) e aparecer na sua porta achando que é o seu salvador. Parece coisa de filme ruim, né? Também achei. Até o dia em que Benjamin resolveu entrar — ou melhor, invadir — a minha vida. Um playboy adolescente que renega o mundo de luxo onde nasceu e, por algum motivo completamente inexplicável, cismou que precisa me salvar. O problema? Ele nunca perguntou se eu queria ser salva. — E se eu estivesse perguntando se podia te ajudar? — Eu teria dito não. — Então é por isso que eu vou fazer assim mesmo. Intrometido, insistente, irritante. E, pra piorar, carismático. A gente discute mais do que respira, o que leva minha melhor amiga a soltar pérolas como: — Vocês dois deviam namorar logo, porque esse teatrinho já deu. Mas isso aqui não é um romance clichê. Pelo menos não pra mim. Se eu pudesse, mandava o Benjamin pra outra cidade. Pena que a família dele é dona dessa. Depois que meus pais morreram num acidente de carro — e eu sobrevivi por estar sem cinto, ironicamente —, tudo na minha vida saiu dos trilhos. E agora, cada boa intenção do Benjamin parece só piorar as coisas. Ele me deu uma carta, mas o que não estava escrito nela é tudo o que eu venho sentindo desde então. Tem coisas que palavras não explicam. E tem feridas que nem um cavaleiro branco pode curar. Mas talvez… só talvez… ele esteja disposto a tentar.
Ler maisA faculdade chegou ao fim sem mais interrupções. Quatro anos se passaram como um sopro — intensos, desafiadores, mas também libertadores. Amber caminhava pelo campus uma última vez, sentindo o vento leve bater contra o rosto, como se a vida estivesse lhe dando um tapinha nas costas, parabenizando-a por ter chegado até ali. As árvores do campus estavam mais altas, os bancos cheios de nomes gravados, as lembranças espalhadas como pétalas no vento. Ela respirou fundo, tentando absorver cada detalhe. A menina que chegou ali cheia de traumas, medos e desconfiança, agora se despedia como uma mulher inteira, em paz com o passado e cheia de planos para o futuro. Todos estavam voltando para a pequena cidade onde tudo começou. Mas agora, era diferente. Voltavam mais fortes, mais maduros, com cicatrizes que não os definiam, mas que contavam histórias de superação. Benjamin não conseguiu esperar mais. Logo na primeira noite de volta, levou Amber para um passeio de moto como nos velhos tempos.
O sol ainda nem havia nascido quando Amber despertou. A noite anterior parecia um borrão: os faróis cortando a escuridão, os olhos frios de Eliano, o som das armas sendo erguidas, a voz firme de Wallace, o calor da mão de Benjamin apertando a sua enquanto tudo acontecia. E agora... o silêncio. Na cozinha da mansão Willivam, o aroma de café recém-passado preenchia o ar. Amber, vestida com o moletom largo que usava para dormir, descia as escadas como quem carrega um mundo nas costas. Encontrou Maria preparando o café e Victor com cara de sono, mexendo em uma tigela de cereais. — Dormiu bem? — perguntou Maria, virando-se para ela com um olhar materno. Amber hesitou. — O suficiente. Victor se levantou, se aproximou e a abraçou em silêncio. Não era preciso dizer nada. Aquela era uma vitória. Mas vitórias, por vezes, também deixam marcas. Mais tarde, enquanto Benjamin lia um relatório do detetive Wallace na sala de estar, Amber se sentou ao lado dele. Passou os dedos sobre a mesa, dis
Amber tentou seguir com a rotina na faculdade, focar nas aulas, nos novos colegas, na vida que tanto sonhara em construir. Mas a lembrança da mensagem pulsava como uma segunda batida do seu coração. "Se escondendo de mim, coelinha?". Aquilo era um eco do passado que ela queria sepultar. Não podia mostrar medo. Não podia parecer frágil. Não agora. Benjamin percebeu, é claro. Ela estava mais quieta, mais alerta, como se os olhos estivessem sempre escaneando o ambiente. Durante o café da manhã, ele segurou a mão dela e falou com firmeza: — Amber, a gente precisa conversar. Desde que a gente chegou aqui, você está... diferente. Ela hesitou. Engoliu em seco. — Eu não quero atrapalhar seu momento, Ben. Juro. Já atrapalhei tanto da sua vida, e agora, você está começando um novo ciclo... Estamos na faculdade e tudo sempre volta a acontecer. Ele balançou a cabeça negativamente. — Não. Não tem "sua vida" e "minha vida". Temos a nossa vida, Amber. Se algo te preocupa, você me conta. Você n
Amber acordou cedo naquela manhã. O quarto do alojamento universitário ainda tinha cheiro de tinta fresca, misturado com os resquícios da caixa de papelão onde ela organizava suas roupas. O lençol novo amassado, o pôster que colara na parede torto, a mochila aberta com cadernos novos e canetas coloridas... Era como se a vida estivesse sendo reescrita em tons pastéis e esperança. Apesar do cansaço da mudança e da saudade que começava a apertar, ela estava feliz. Caminhou até o banheiro coletivo, onde viu Carla escovando os dentes animadamente. — Dormiu bem? — Carla perguntou com a boca cheia de espuma. — Melhor do que imaginei. — Amber sorriu, ajeitando o cabelo. — Parece que tudo está, enfim, se encaixando. Mais tarde, após as primeiras aulas introdutórias, Amber estava sentada no gramado central da universidade, comendo um sanduíche ao lado de Carla. O sol batia nas folhas das árvores, criando um brilho dourado sobre os es





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