Mundo ficciónIniciar sesiónAlya nunca imaginou que, ao salvar um homem ferido na beira da estrada, acabaria encontrando o amor mais intenso, e o destino mais perigoso, da sua vida. Ele não lembrava de nada. Nem do próprio nome. Apenas o olhar dela parecia lhe dar um motivo para viver. — Você tem cara de Paolo. Vou te chamar de Paolo. — ela disse — Tem rosto de Paolo. E foi assim que o frio e implacável chefe da máfia italiana se transformou em um homem doce, puro e completamente devoto à mulher que o salvou. Eles viveram um amor simples, apaixonado, construído entre carícias, promessas e o cheiro de café na cozinha. Mas o destino não perdoa. Um novo acidente devolve a ele todas as memórias, e apaga Alya do coração. De volta ao trono da máfia, Paolo Fabbri torna-se novamente o homem poderoso, violento e perigoso que o mundo teme. Três anos depois, Alya reaparece… com três meninos idênticos ao pai. Ela quer respostas. Ele quer a verdade, e algo dentro dele, que ele não compreende, anseia por tocar essa mulher de novo. Entre mentiras, ciúmes, feridas e desejo, Paolo descobrirá o que é o verdadeiro inferno, tentar reconquistar a mãe de seus filhos.
Leer másA chuva caía pesada naquela noite. Alya mantinha as mãos firmes no volante, tentando enxergar a estrada quase invisível sob a enxurrada. O limpador parecia inútil diante da água que caía aos baldes, transformando o asfalto em um espelho líquido.
O cansaço consumia seus braços e a mente repetia o mesmo pensamento: — “Eu devia ter ficado em casa.” Mas o telefonema da mãe, horas antes, pedindo ajuda com os remédios, a fez sair sem pensar duas vezes. Agora, dirigindo sozinha por aquela estrada deserta, ela se arrependia profundamente. De repente, o farol do carro iluminou algo no meio da pista. Um vulto. Um corpo caído. Alya pisou no freio e o carro derrapou por um instante, parando a poucos metros da figura imóvel. Seu coração quase saiu pela boca. Abriu a porta, e a chuva gelada cortou-lhe o rosto. A água encharcava suas roupas enquanto ela corria em direção ao corpo no chão. Era um homem. O sangue se misturava à poça lamacenta ao redor dele, e o contraste do vermelho com o negro da noite fez o estômago de Alya revirar. — Moço… você me ouve? — perguntou, ajoelhando-se. — Ei… Virou-o com cuidado. O rosto estava sujo, machucado e pálido. Mas mesmo daquele jeito, havia algo nele que chamava atenção, traços firmes, mandíbula marcada, um rosto que parecia feito para o perigo. — Eu me chamo Alya, tá? — sussurrou, tentando encontrar um padrão de respiração. — Como você se chama? Ele soltou um som fraco, a voz rouca demais para formar uma frase. Os olhos se abriram por um instante, olhos cinzentos, intensos, perdidos entre a vida e a morte. — Alya… — sussurrou, antes de apagar de novo nos braços dela. Alya congelou. O coração batia descompassado, a mente girava, mas as mãos agiam. Pressionou o ferimento em seu abdômen com um pedaço da própria blusa. — Fica comigo, por favor. — olhou para os lados — Não me faça deixar você aqui. O tempo parecia ter parado. O cheiro de chuva, a dor no peito, o som distante do trovão, tudo ficou irrelevante. Só havia ela e aquele estranho, sangrando diante dela. Alya olhou para o carro, depois para ele. Estava sozinha e, se não agisse, ele morreria. Não havia tempo para esperar uma ambulância. Nem sinal de viva alma naquela estrada. Com um gemido de esforço, o arrastou até o carro. O corpo dele era pesado, ele era bem mais alto que ela, o calor e o sangue colavam-se às mãos dela. Cada movimento parecia impossível, mas ela não desistiu. Conseguiu colocá-lo deitado no banco traseiro, respirando de maneira fraca, mas viva. — Aguenta, tá? — sussurrou, ofegante, antes de fechar a porta e correr para o volante. O som do motor ecoou na escuridão. Alya dirigia rápido, cada curva era um desafio, cada raio de luz um aviso do perigo. O coração dela batia tão alto que cobria o som da chuva. Quando finalmente chegou à sua pequena casa, o relógio marcava quase meia-noite. A tempestade ainda rugia lá fora. Alya abriu o portão de madeira, estacionou às pressas e correu para abrir a porta de casa. Correu de volta ao carro e, com o mesmo cuidado e desespero, arrastou o desconhecido para dentro. Deitou ele no sofá da sala, que logo ficou manchado de sangue. — Meu Deus… — sussurrou, apavorada — o que aconteceu com você? Correu até o banheiro, pegou uma caixa velha com gazes, tesoura e antisséptico, sobras do tempo em que trabalhou como enfermeira auxiliar num posto de saúde. Alya removia o tecido encharcado de lama e sangue com delicadeza. O ferimento no abdômen era profundo, mas não fatal se tratado. Limpou, costurou com cuidado e trocou o pano várias vezes. O rosto dele agora estava limpo, revelando traços fortes, belos até. A barba por fazer deixava ele com um ar rude, mas o olhar que ela viu antes, mesmo inconsciente agora, parecia sereno. O relógio passou das duas da manhã. Alya lavou as mãos e ficou parada, observando ele na meia-luz. Sua casa era simples… um sofá, uma mesinha, uma cortina velha dançando com o vento que entrava pela janela. E, no meio disso tudo, aquele homem enorme e misterioso, quase uma visão. Alya sentiu um arrepio atravessar o corpo. — Quem é você? — perguntou — Um anjo... ou um problema? A resposta veio apenas no som da chuva batendo no telhado. O tempo passou devagar. Alya trocou o pano molhado em sua testa, verificou a respiração, ajeitou o travesseiro. De vez em quando, ele gemia baixo, movendo a cabeça para o lado, como se fugisse de algo em sonhos. Ela pegou uma manta, cobrindo-o com cuidado para evitar que esfriasse. Depois acendeu uma vela e sentou-se no chão, encostada na parede, apenas observando. Havia algo inquietante e, ao mesmo tempo, hipnótico nele. Parecia alguém que carregava uma história pesada demais, e que, ainda assim, estava completamente vulnerável ali, em sua sala. Por um momento, Alya deixou o olhar se perder nas chamas dançando dentro da vela. Pensou se ele teria família. Alguém o esperando em casa. Alguém que o amasse. Ou se era o tipo de homem que ninguém procuraria caso desaparecesse. Ela suspirou, cansada. — Se eu soubesse quem você era, talvez soubesse o que fazer — falou, observando ele — Mas agora… acho que vai ter que ficar comigo. Pelo menos até conseguir se levantar. Alya ficou ali, esperando, rezando baixinho para que ele sobrevivesse. A tempestade lá fora diminuía, e os relâmpagos se afastavam. O som da chuva se transformou num gotejar manso sobre o telhado. Ela se levantou e aproximou o rosto dele da luz da vela. O contorno da mandíbula, os cílios longos, a respiração profunda. Parecia um homem feito de força e segredos. Alya engoliu em seco. Um pensamento teimoso cruzou sua mente: — “O que estou fazendo?” — mas o coração respondeu antes da razão — “Salvando uma vida.” Fechou as cortinas para proteger o ambiente da claridade dos relâmpagos, pegou uma cadeira e se sentou ali ao lado do sofá. O silêncio só era quebrado pelo vento e pelo som leve da respiração dele. — Você vai viver… eu prometo. — sussurrou, sonolenta, depois encostou a cabeça nas próprias mãos. Sem perceber, adormeceu ali mesmo. Do lado de fora, a última luz do raio iluminou o rosto do homem. Por um segundo, os traços pareciam duros, quase ameaçadores, e, ao mesmo tempo, frágeis como o de uma criança dormindo. Alya não sabia, mas aquela escolha, parar o carro, salvar um estranho, mudaria tudo. E naquela noite, enquanto o mundo dormia, o destino já começava a mover as peças que uniriam suas vidas para sempre.Quando Paolo entrou na mansão com Matheo ao lado, o ar pareceu prender dentro das paredes. Os funcionários pararam discretamente onde estavam, alguns fingindo arrumar coisas, outros congelando com uma bandeja na mão. Ninguém ousou falar alto. Era como se a casa inteira esperasse o desfecho de um filme que todo mundo tinha começado a ver junto.Alya já estava na porta antes mesmo deles cruzarem o hall. O vestido solto, confortável, balançava com a pressa. O rosto molhado de lágrimas que ela tentou esconder dos outros, mas não dele. Quando viu a silhueta pequena ao lado de Paolo, o corpo dela se moveu sozinho.— Matheo! — gritou, a voz saindo mais alta do que pretendia.O menino correu também. Se jogou nos braços da mãe com tanta força que quase a desequilibrou. Ela o abraçou como se quisesse colar o corpo dele no peito, como se, assim, garantisse que ninguém nunca mais o arrancaria dali.— Meu filho, meu filho… — repetia, entre soluços, passando as mãos pelo cabelo dele, pelo rosto, p
A notícia de que era Felicity quem estava por trás do sequestro caiu em Alya como uma faca virando dentro do peito.Depois que desligou a chamada com Paolo, ela ficou alguns segundos parada no meio da sala, o celular ainda na mão, o coração disparado. Não era só medo. Algo mais bruto tinha acordado.Começou a andar pela mansão como se fosse um animal enjaulado, medindo cada passo, as mãos fechadas em punho.— Se essa mulher encostar um dedo no Matheo… — falou, com a voz baixa, mortal — eu mesma mato ela. Com a minha mão. Não quero saber de código, não quero saber de conselho. Eu arrebento ela.Os funcionários desviavam o olhar, sentindo o clima, mas sem ousar se meter. Gael e Ravi estavam em um dos quartos, sob a guarda de um segurança de confiança, tentando brincar sem conseguir se desligar.Paolo voltou à mansão por algumas horas só pra vê-los. Quando entrou, o ombro ainda doía, mas ele quase esqueceu disso ao ver Alya andando de um lado pro outro na sala, como se não coubesse dentr
O sequestro de Matheo virou o centro do mundo de Paolo em segundos. Ele mal deixou o curativo do ombro ser trocado. A gaze ainda estava úmida de sangue quando ele já descia as escadas da mansão como se não tivesse levado tiro nenhum. O corpo doía, mas a cabeça só repetia uma coisa… levaram meu filho. Alya veio atrás, ofegante.— Eu vou com você. — disse, decidida — Não vou ficar aqui parada enquanto…Paolo se virou, segurou o rosto dela com as duas mãos, obrigando ela a olhar apenas pra ele.— Fica com o Gael e o Ravi. — pediu, firme — Eles precisam de você inteira. Eu volto com o nosso filho.Os olhos dela cortaram a pele dele mais do que qualquer bala.— Se você não voltar com ele… — começou, a voz quebrando.Ele aproximou a testa da dela por um segundo.— Eu volto. — repetiu — Nem que seja arrastado.Ela assentiu, mas o peito queimava.— Vai. — sussurrou — Traz ele pra casa.Na sala do conselho, ninguém estava preparado para a tempestade que entrou. Paolo abriu as portas com um em
A mansão parecia maior quando o coração dela apertava. Desde que Paolo saiu, Alya andava de um lado pro outro, contando mentalmente os minutos, as horas, qualquer coisa que ajudasse a manter a cabeça ocupada. Sabia apenas que ele tinha ido resolver um problema “sério demais” fora da cidade. Não perguntou detalhes. Não precisava.Na frente dos meninos, fingia normalidade. Preparou café da manhã, discutiu sobre quem ia tomar banho primeiro, fingiu rir das piadas de Ravi, ouviu Gael falar sobre um desenho novo e Matheo perguntar por que o pai tinha que sair tanto. Em cada resposta, uma parte dela quebrava e outra colava por cima.Quando finalmente ouviu o barulho do carro entrando pelo portão, sentiu o coração disparar. Não correu de imediato. Esperou ouvir a porta da frente abrir.Quando Paolo entrou no hall, o mundo dela estreitou. Ela viu o sangue na camisa antes de qualquer outra coisa.— Paolo! — gritou, correndo na direção dele.Ele estava pálido, o ombro caído de leve, a respiraç





Último capítulo