Mundo de ficçãoIniciar sessãoDizem que pessoas como Gustavo Ferraresi não mudam. Bilionário, frio, arrogante, perfeito diante das câmeras e cruel longe delas. Aos trinta e quatro anos, Gustavo construiu um império, acumulou fortuna e transformou o próprio nome em sinônimo de poder. Ele consegue tudo o que quer, exceto respeito, amor e redenção. Quando um escândalo ameaça destruir sua imagem e coloca em risco tudo o que construiu, surge uma única saída: um casamento por contrato. A solução perfeita, temporária, sem sentimentos. Do outro lado está Maytê Lopes. Quebrada emocionalmente, sufocada por dívidas que não criou e tentando recomeçar a própria vida, ela precisa de dinheiro mais do que orgulho. O acordo era simples: ser sua esposa por um ano, sorrir para as câmeras, convencer o mundo de que eram felizes e jamais se apaixonar. Mas Maytê não esperava descobrir rachaduras por trás do homem que todos odiavam e Gustavo não esperava que a única pessoa capaz de enxergar sua pior versão pudesse se tornar exatamente aquela que faria seu coração querer mudar. Porque algumas pessoas entram na sua vida para virar seu mundo de cabeça para baixo, outras entram para salvá-lo.
Ler maisNinguém nasce odiando Gustavo Ferraresi, as pessoas aprendiam.
Aprendiam quando ele destruía concorrentes em entrevistas ao vivo com um sorriso elegante no rosto. Quando encerrava reuniões milionárias sem sequer olhar nos olhos de quem implorava por uma segunda chance. Quando revistas o chamavam de gênio enquanto ex-funcionários o descreviam como frio, cruel e impossível de agradar. Gustavo era o tipo de homem que entrava em um lugar e fazia o ar mudar. Alto, impecavelmente vestido, olhar escuro, postura perfeita e perigoso. Não porque gritava, não porque perdia o controle. Mas porque nunca demonstrava nada e homens vazios assustavam mais do que homens violentos. Naquela noite, porém, o homem mais poderoso do país estava prestes a assistir ao próprio império começar a ruir. O silêncio dentro da cobertura era absoluto. A cidade brilhava do lado de fora das janelas gigantescas, iluminando parcialmente o rosto sério de Gustavo enquanto ele observava a tela do celular apoiado sobre a bancada de mármore. Cento e vinte ligações perdidas, quatorze mensagens do conselho administrativo, três chamadas da assessoria de imprensa e uma manchete. Uma única manchete capaz de destruir anos de reputação cuidadosamente construída. “Ex-funcionários acusam Gustavo Ferraresi de abuso psicológico e comportamento manipulador.” A reportagem já tinha milhões de visualizações. A internet fazia exatamente o que sempre fazia: transformava pessoas em monstros antes mesmo de ouvir qualquer defesa. Mas Gustavo sabia de uma coisa, monstros não surgiam do nada. Lentamente, ele pegou o copo de uísque ao lado. O líquido queimou sua garganta, nada queimava o suficiente ultimamente. — Isso vai passar. A voz do advogado ecoou atrás dele. Henrique atravessou a cobertura segurando um tablet, tenso demais para esconder. — Escândalos morrem rápido. Gustavo soltou uma risada seca, sem humor. — Não quando o país inteiro já decidiu me crucificar. Henrique hesitou, aquilo bastou para irritá-lo. Gustavo odiava hesitação, ela sempre vinha antes de notícias ruins. — Fala logo. O advogado respirou fundo. — O conselho quer uma coletiva. — Façam. — E querem, uma mudança de imagem. O maxilar dele travou imediatamente. — Que tipo de mudança? Silêncio. Depois: — Humanização. Gustavo fechou os olhos por um segundo. Ah, claro. Porque bilionários podiam destruir empresas, manipular mercados e acabar com milhares de empregos. Mas bastava parecer apaixonado diante das câmeras e o mundo inteiro esquecia quem eles realmente eram. Patético. — Não. Henrique passou a mão pelos cabelos. — Gustavo… — Eu não vou fingir ser uma pessoa diferente porque meia dúzia de executivos entrou em pânico. — Não é meia dúzia, são investidores. Aquilo fez o silêncio pesar novamente. Dinheiro. Sempre voltava para dinheiro. Gustavo apoiou as mãos na bancada fria. Por anos ele acreditou que riqueza resolveria tudo. O problema era que o dinheiro comprava respeito, nunca amor. Comprava obediência, nunca lealdade. E definitivamente não comprava paz. A cobertura luxuosa parecia vazia demais à noite, grande e fria demais. Ele tinha tudo e ainda assim existia alguma coisa apodrecendo dentro dele havia anos. Algo que nem ele conseguia nomear. — Qual é a ideia genial do conselho? — perguntou friamente. Henrique pareceu desconfortável. — Um relacionamento. Gustavo virou lentamente. — O quê? — Você precisa parecer acessível, humano, estável. Um homem apaixonado vende confiança. A expressão dele ficou sombria. — Então a solução é transformar minha vida em circo? — A solução é impedir que você perca a presidência da empresa. Aquilo atingiu mais fundo do que deveria, porque o Grupo Ferraresi não era apenas uma empresa. Era a única coisa que Gustavo realmente possuía, a única coisa construída por ele e o único lugar onde nunca se sentiu fraco. — Não vou me apaixonar por ninguém pra satisfazer acionista. Henrique soltou um suspiro cansado. — Não precisa se apaixonar. Então veio a frase que mudaria tudo. — Só precisa casar. × Do outro lado da cidade, Maytê Lopes estava contando moedas em cima da mesa da cozinha, o ventilador velho fazia barulho, a lâmpada piscava e o boleto vencido parecia rir da cara dela. Mais uma vez. Ela apertou os olhos, tentando afastar a dor de cabeça. Dois empregos e quase nenhum descanso, dívidas que não eram dela e ainda assim nunca era suficiente. O celular vibrou sobre a mesa, número desconhecido. Maytê quase ignorou, quase. — Alô? — Senhorita Maytê Lopes? A voz feminina era formal demais, educada demais, rica demais. Ela franziu a testa. — Sim? — Meu nome é Elisa Albuquerque, trabalho para o Grupo Ferraresi. Gostaríamos de marcar uma reunião amanhã. Maytê soltou uma risada sem humor. — Acho que ligaram pra pessoa errada. Eu nem tenho dinheiro pra comprar um café no Grupo Ferraresi. Do outro lado, silêncio. Depois: — O senhor Gustavo Ferraresi gostaria de fazer uma proposta à senhora. O nome foi suficiente para ela reconhecer imediatamente, todo mundo conhecia Gustavo Ferraresi. O empresário bilionário, o homem das revistas, o arrogante das entrevistas. O homem que parecia incapaz de sorrir de verdade. Maytê olhou novamente para os boletos espalhados pela mesa: o aluguel atrasado, as ameaças de cobrança. O desespero silencioso sufocando cada pedaço da sua vida havia meses. Ela fechou os olhos devagar, porque pessoas desesperadas aceitavam coisas perigosas e no fundo, Maytê sentiu que Gustavo Ferraresi era exatamente isso. Perigo. — Que tipo de proposta? — perguntou baixinho. A resposta veio calma, fria, calculada. — Um casamento.Maytê descobriu que morar com Gustavo Ferraresi significava nunca mais ter paz.Na terça-feira, havia uma equipe inteira dentro da cobertura discutindo decoração para uma entrevista de casal.Na quarta, estilistas apareceram para “alinhar a imagem pública” dela.Na quinta-feira… bom.Na quinta-feira, Maytê descobriu que Gustavo ficava possessivo e honestamente? Aquilo deveria vir com aviso prévio.Ela estava sentada no sofá da cobertura usando moletom e mexendo distraidamente no celular enquanto Elisa organizava alguma agenda absurda sobre a mesa de centro.— Jantar beneficente sexta-feira, entrevista sábado, evento corporativo segunda.Maytê arregalou os olhos.— Eu assinei um contrato de casamento ou fui sequestrada por relações públicas?— Tecnicamente os dois. — Gustavo respondeu sem levantar os olhos do notebook.Ela lançou um olhar mortal na direção dele, ele ignorou. Psicopata funcional.Maytê voltou para o celular, deslizando pelas mensagens acumuladas, quando um nome chamou s
Maytê acordou às quatro da manhã com sede ou pelo menos foi isso que tentou dizer a si mesma enquanto saía da cama no escuro absoluto da cobertura Ferraresi.Definitivamente não tinha nada a ver com o fato de ela estar pensando demais na discussão daquela manhã, absolutamente nada.Ela caminhou sonolenta pelo corredor silencioso, tentando ignorar o próprio cérebro irritantemente ativo.“Você deveria.”A voz de Gustavo ainda ecoava na cabeça dela, fria, baixa e perigosamente honesta.E pior: ela não conseguia decidir se aquilo tinha sido ameaça ou aviso.Maytê soltou um suspiro cansado enquanto entrava na cozinha, acendeu apenas a luz fraca sobre a bancada e abriu a geladeira procurando água.Silêncio absoluto.A cidade brilhava distante através das paredes de vidro, tudo parecia parado. Até ela ouvir, teclas. Rápidas, constantes, impacientes.Maytê franziu a testa imediatamente, o som vinha do escritório. Ela hesitou por um segundo e então caminhou devagar até a porta parcialmente abe
A primeira briga aconteceu por causa de café.O que, honestamente, parecia apropriado considerando que Maytê tinha conhecido Gustavo Ferraresi derramando café nele.Naquela manhã, ela entrou na cozinha ainda meio sonolenta, usando moletom largo e o cabelo preso de qualquer jeito, esperando encontrar silêncio.Em vez disso, encontrou tensão.Gustavo estava sentado diante da bancada com um notebook aberto, dois celulares ao lado e a expressão mais fechada que ela já tinha visto nele até agora.O ambiente inteiro parecia elétrico, perigoso.Maytê parou automaticamente.— Nossa. Quem morreu?Ele não respondeu, nem levantou os olhos. Aquilo irritou ela instantaneamente.— Bom dia pra você também, psicopata corporativo.Silêncio.Ela abriu o armário procurando café enquanto observava discretamente o clima estranho, os dedos dele batiam levemente contra a mesa outra vez.Ansiedade, mas dessa vez, vinha misturada com irritação.— Você está assustando o mármore. — comentou.Nada. Maytê estreit
Maytê ficou observando Gustavo tocar piano por tempo demais. Ela percebeu isso quando a música terminou e ainda assim continuou parada na entrada da sala, imóvel, como se qualquer movimento fosse quebrar alguma coisa delicada naquele momento.O silêncio tomou conta da cobertura novamente, mas agora parecia diferente, mais íntimo e perigoso.Gustavo abriu os olhos devagar e encontrou Maytê observando-o, os dedos dele pararam imediatamente sobre as teclas.A mudança foi instantânea, como se uma porta tivesse sido fechada.A máscara, a postura e o controle voltaram e aquilo incomodou Maytê mais do que deveria.— Então você toca... — ela disse baixo.Ele sustentou o olhar dela por alguns segundos antes de levantar lentamente do banco.— Achei que estivesse dormindo.— Achei que você não tocasse mais.Silêncio.Gustavo desviou os olhos primeiro dessa vez, pequena vitória, estranhamente satisfatória.— Às vezes eu esqueço disso.A resposta veio calma, mas carregava alguma coisa pesada escon
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