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Capítulo 4 - Promessas sobre o travesseiro

Paolo acordou antes do sol nascer, como se algo dentro dele tivesse puxado seu corpo de volta à consciência. Por alguns segundos, ficou apenas deitado, sentindo o próprio peito subir e descer, ouvindo o silêncio suave da casa.

Demorou um momento até perceber o peso leve e quente ao seu lado. Virou o rosto e a viu.

Alya dormia profundamente, o rosto relaxado, os lábios entreabertos, uma mecha de cabelo caindo sobre a testa. O lençol marcava de forma suave as curvas do corpo dela, deixando à mostra apenas o suficiente para que a imaginação dele preenchesse o resto.

Paolo sentiu algo estranho, bonito e pesado ao mesmo tempo apertar seu peito. Um sorriso surgiu sozinho em sua boca. Um sorriso cheio, sincero, quase bobo.

Ele estendeu a mão devagar, com cuidado para não acordá-la, e afastou a mecha de cabelo que cobria parte do rosto dela. Os dedos deslizaram de leve pelos fios, como se estivessem tocando algo sagrado.

— Se eu tiver que começar do zero… — sussurrou, a voz rouca pela manhã — quero que seja ao teu lado.

Ficou ali mais um pouco, apenas olhando. Cada detalhe parecia novo e, ao mesmo tempo, certo demais. Como se, mesmo sem lembrar de nada antes daquele dia, o corpo soubesse que aquele lugar era o único onde fazia sentido estar.

Ele aproximou o rosto e depositou um beijo leve na testa dela. Alya se mexeu um pouco, murmurando algo indecifrável, mas não acordou.

Paolo sorriu de novo, virou-se para o teto e respirou fundo.

— Eu não sei quem eu era. — pensou, encarando o forro simples do quarto — Mas sei quem eu quero ser agora.

Levantou-se com cuidado, tentando não fazer barulho. Já não sentia o corpo dolorido, a cicatriz no abdômen puxando um pouco quando ele se erguia. Mesmo assim, parecia mais leve do que em qualquer outro dia desde que abriu os olhos naquela casa.

Foi até a cozinha, acendeu o fogo com calma, como se preparar o café fosse uma espécie de ritual sagrado. Separou o pó, colocou a água, observou o líquido escuro pingando no coador. O cheiro começou a se espalhar, preenchendo o ar com um calor reconfortante.

Pegou duas xícaras. Por um segundo, apenas isso já foi suficiente para fazê-lo sorrir de novo. Ele não estava mais sozinho. Não acordava mais em um vazio de si mesmo. Tinha alguém. Tinha ela.

Alya acordou com o cheiro de café.

Piscou algumas vezes, confusa. Demorou para colocar as ideias no lugar. O corpo inteiro estava mole, pesado de um jeito gostoso. Havia um calor grudado na pele, uma lembrança difusa de mãos, beijos, sussurros.

Quando virou o rosto e viu o espaço vazio ao lado, sentiu um leve aperto.

— “Ele… se arrependeu?” — pensou, o coração acelerando sem permissão.

Mas então ouviu passos vindo do corredor. A porta do quarto estava entreaberta. Paolo passou por ali, com o cabelo bagunçado, uma camiseta simples e duas xícaras na mão.

— Bom dia, estrela. — disse com um sorriso que parecia iluminar o cômodo todo.

Alya sentiu o rosto esquentar. Puxou discretamente o lençol até um pouco mais perto do queixo, tentando recuperar um mínimo de dignidade.

— Bom dia, gigante. — respondeu, a voz ainda rouca de sono.

Ele entrou, apoiou as xícaras na mesinha ao lado da cama e se sentou na beirada do colchão, de frente pra ela. Olhava ela como se estivesse vendo o nascer do sol pela primeira vez.

— Trouxe café. — falou, simples.

— Obrigada. — ela sussurrou, pegando a xícara com cuidado.

Por alguns segundos, o clima entre os dois pareceu estranho. Familiar e, ao mesmo tempo, totalmente novo. A lembrança da noite anterior pairava ali, viva, preenchendo cada espaço de silêncio.

Alya levou a xícara à boca, tentando fingir normalidade. Mas, por dentro, as perguntas esfregavam na mente como pedra em vidro.

— “E agora? O que ele acha de mim? O que eu fiz?”

Paolo a observava com atenção. Percebia a maneira como ela evitava seu olhar, o jeito como prendia a respiração antes de dizer qualquer palavra. E aquilo o incomodou.

Não queria que ela se afastasse. Não depois de tudo o que haviam compartilhado.

— Alya. — ele chamou, com calma.

Ela pousou a xícara, ainda sem encará-lo totalmente.

— Hum?

— Eu… — ele coçou a nuca, meio sem saber por onde começar. — Eu não sei direito como essas coisas funcionam. — fez uma careta sincera. — Não sei se… ontem à noite eu devia ter dito alguma coisa antes. Ou depois.

Ela arregalou um pouco os olhos, surpresa com a sinceridade dele.

— Paolo, não… não precisa…

— Precisa sim. — interrompeu, a voz firme, mas ainda suave. — Porque eu não quero que você pense… — respirou fundo, buscando as palavras — que foi só um momento. Que aconteceu só porque… sei lá, porque a luz estava baixa, porque eu estou perdido, porque você teve pena de mim.

Alya sentiu um nó se formar na garganta.

— Eu não penso isso. — respondeu baixinho — Mas eu também… não sei o que pensar.

Ele soltou um risinho nervoso.

— Bem-vinda ao meu mundo. — falou — Eu não sei o que eu fazia antes. Não sei quem eu era. Mas sei que… — esticou a mão e, devagar, tirou de novo uma mecha de cabelo da frente do rosto dela. — Quando eu acordei hoje e vi você aqui… eu tive certeza de uma coisa.

Alya engoliu em seco.

— Qual?

Paolo segurou o olhar dela com uma intensidade calma.

— Se eu tiver que começar do zero… — disse, repetindo o que já havia sussurrado enquanto ela dormia — eu quero que seja ao teu lado.

As palavras encostaram fundo nela, de um jeito que doeu e, ao mesmo tempo, trouxe alívio. Era como ouvir algo que tinha medo de desejar.

Ela respirou fundo, tentando se proteger de si mesma.

— Paolo… — sussurrou, desviando o olhar — você nem sabe quem você é. Quando lembrar… talvez não faça mais sentido ficar aqui. Talvez exista outra vida te esperando. Outra pessoa.

Ele não recuou.

— Pode ser. — admitiu — Talvez eu tenha uma história horrível, talvez seja alguém de quem eu não me orgulharia. Mas… — ajeitou o corpo, aproximando-se um pouco mais — isso não muda o que eu sinto agora. Aqui. Com você.

Ela apertou o lençol entre os dedos.

— E o que é isso que você sente?

Paolo abriu a boca, fechou… pensou um pouco.

— Eu não sei o nome certo. — confessou — Só sei que é alguma coisa que faz meu peito doer quando eu penso em ir embora. E que me deixa com medo só de imaginar você sofrendo por minha causa. — fez uma pausa — E que me faz querer… merecer esse lugar na sua cama, na sua casa. Na sua vida.

Alya sentiu os olhos arderem. Olhou para ele de verdade, sem tentar se esconder.

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