Clara sabia que aquele dia chegaria.
Podia sentir na maneira como Henrique evitava alguns comentários, na forma como Mariana avisava discretamente: “Minha mãe quer falar com você… mas tenta não ir sozinha.”
Só que Clara estava cansada de travar batalhas por procuração.
E, embora Henrique fosse seu porto seguro, havia guerras que precisavam ser lutadas entre mulheres — não porque ela quisesse provar algo, mas porque queria deixar de ser um fantasma na cabeça da futura sogra.
Era hora de encarar aquilo.
Henrique insistiu em levá-la, mas Clara colocou as mãos nos ombros dele e disse, com firmeza tranquila:
— Essa conversa é minha.
— E se ela te atacar? — ele perguntou, o tom já preocupado.
— Então eu me defendo. — respondeu Clara. — Você me ensinou a não abaixar a cabeça pra ninguém. Nem pra ela.
Henrique sorriu de canto, orgulhoso e receoso ao mesmo tempo.
Beijou a testa dela.
— Eu vou estar aqui, esperando. Se você mandar mensagem, eu vou na hora.
— Eu sei. — ela disse, tocando o rosto