O dia do jantar havia chegado, e Clara passou a tarde inteira com um aperto estranho no peito. Não era exatamente medo. Era o peso do que aquela noite representava: duas famílias completamente diferentes dividindo a mesma mesa, tentando — ou fingindo tentar — construir algum tipo de convivência.
Henrique, ao contrário dela, parecia genuinamente tranquilo. Ele caminhava pelo apartamento enquanto arrumava a gola da camisa, assobiava baixinho e, vez ou outra, lançava olhares leves para ela.
— Vai dar tudo certo — disse, parando na frente dela.
Clara riu, ajeitando o vestido.
— Você fala isso como se não conhecesse sua mãe.
Henrique levantou as mãos.
— Eu conheço. Mas também conheço você. E você torna tudo mais fácil do que parece.
Clara suspirou, sem saber se estava sendo sinceramente tranquilizada ou apenas enganada por aquele sorriso bonito.
— Eu espero que não vire um caos.
Ele aproximou-se, segurando o rosto dela com as duas mãos.
— E se virar, a gente foge pela cozinha. Eu invento q