O avião pousou no fim da tarde, mergulhando São Paulo em um tom alaranjado que deixava tudo mais lento, mais suave. Clara olhou pela janela e sentiu o coração bater diferente — não era mais a mesma mulher que partiu dali semanas antes. A lua de mel tinha deixado algo novo dentro dela: um silêncio bom, uma certeza calma, uma vontade profunda de viver.
Henrique apertou sua mão enquanto os dois caminhavam pelo finger do aeroporto.
— Pronta pra voltar pra nossa vida? — ele perguntou, num sussurro carregado de carinho.
Clara sorriu.
— Pronta pra construir tudo com você.
Do lado de fora, o motorista oficial da empresa os aguardava, mas Henrique dispensou.
Ele queria dirigir.
Queria ter aquele momento só deles, sem formalidades, sem ninguém olhando.
Queria segurar a mão dela no sinal fechado, rir do nada, abrir a janela e sentir o vento entrar — essas pequenas coisas que, antes de Clara, ele achava que nunca teriam importância.
A estrada até o apartamento parecia outra.
A cidade parecia outr