Capítulo 25
Dante Guimarães
Alguns dias depois.
O caminho até o galpão era curto, mas o clima dentro do carro era denso.
Mathias dirigia rápido, sem ousar abrir a boca. Eu estava ao lado dele, com o corpo em alerta, contando batimentos, calculando rotas… e atrás, no banco traseiro, Helena.
Ela não disse nada desde que entramos.
Mas eu sentia.
Sentia o tremor leve nos dedos.
Sentia a respiração presa.
Sentia o medo e a raiva lutando dentro dela.
E por algum motivo que eu ainda não entendia, isso mexia comigo mais do que qualquer ameaça que já enfrentei.
Quando chegamos, os homens já estavam posicionados. O galpão velho em Angra parecia abandonado, mas a fachada caída escondia bem as movimentações recentes. Eu desci do carro e fiz um sinal, Helena ao meu lado antes que eu pudesse impedi-la.
— Fica atrás de mim — ordenei.
— Eu não vim até aqui pra ficar escondida — retrucou, os olhos firmes. O pouco que venho ensinando ela está surgindo efeito, ela quase não é mais doce e delicada Helena