Capítulo 24
Dante Guimarães
A manhã estava anormalmente silenciosa, e eu odiava todo esse silêncio.
Silêncio deixava espaço demais pras coisas que eu passava a vida inteira evitando sentir.
Helena tomou café sem me encarar. Cada movimento dela era calculado, como se estivesse medindo o terreno antes de pisar. Como se estivesse com medo. Ou pior… como se estivesse tentando recuar.
Não dela pra mim.
Mas dela dela mesma.
E isso mexia comigo mais do que eu admitiria.
Eu a observava por cima do jornal que eu não estava lendo. Ela enrolava a manga da camisa, não restou muito da camisola que ela usava ontem, mordia o lábio quando achava que eu não via… e desviava o olhar sempre que nossos olhos se encontravam.
Como se a noite anterior tivesse acendido algo nela que ela não sabia nomear.
Em mim, acendeu um incêndio que ainda não apagou.
— Você tá fugindo do quê? — perguntei sem levantar a voz.
Ela congelou no meio do movimento.
Percebi o tremor mínimo nos dedos.
— De nada — respondeu rápido d